A adoção da tecnologia como pilar de segurança e fluidez nas rodovias brasileiras pautou a participação da Nova Rodovias – grupo que controla as concessionárias Nova 364, em Rondônia, e Nova 381, em Minas Gerais – nesta quinta-feira (18) na Bienal das Rodovias 2026, principal evento do setor realizado pela Associação Brasileira das Concessionárias de Rodovias (ABCR).
Durante o painel “A hora da pesagem em movimento: desafios para a ampliação do modelo nas rodovias”, o gerente executivo de Tecnologia da Nova Rodovias, Moisés Sathler, defendeu o modelo de pesagem em fluxo livre como a solução para a preservação da infraestrutura em corredores logísticos severos, como a BR-364, em Rondônia, onde a concessionária Nova 364 administra um trecho de mais de 700 km entre Vilhena e Porto Velho.
“A pesagem em movimento não é apenas uma ferramenta de fiscalização; é a espinha dorsal da segurança viária e da preservação da infraestrutura. Em corredores logísticos como a BR-364, em Rondônia, e BR-381, em Minas Gerais, o alvo é reduzir ao máximo o excesso de peso em veículos de caga para maior segurança viária e zelo por um pavimento bem conservado”, destacou Sathler. O executivo contextualizou que Rondônia não possui atualmente nenhum ponto de fiscalização de pesagem física. Sem esse controle, veículos trafegam com sobrepeso excessivo, o que compromete a capacidade de frenagem e aumenta exponencialmente o risco de acidentes graves, cenário agravado pela combinação de tráfego pesado de safra e períodos de chuva.
Para solucionar o gargalo, Sathler anunciou a proatividade da Nova 364 junto ao órgão regulador. A concessionária já protocolou junto à Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) um pedido de aditivo contratual. O objetivo é substituir a obrigação de construir três balanças fixas pela implementação de sistemas HS-WIM (High Speed Weigh-in-Motion), dentro do prazo contratual, garantindo uma fiscalização perene.
Além da proteção viária, o gerente executivo de Tecnologia da Nova Rodovias reforçou que o modelo em alta velocidade é um aliado direto do caminhoneiro e do meio ambiente. A tecnologia permite aferir o tráfego do segmento rodoviário, eliminando a necessidade de interrupção e retomada de deslocamento dos veículos sucessivas vezes.
“Eliminar a parada obrigatória em balanças significa mais eficiência para o escoamento da safra e uma rodovia muito mais fluida e sustentável”, pontuou. Com a inovação, o transportador ganha tempo de viagem e economiza com a manutenção dos veículos, já que menos buracos significam menor desgaste de pneus. Além disso, evitar que veículos superpesados precisem frear, parar e acelerar novamente reduz a emissão de CO2 e o consumo de combustível, eficiência já validada no Sandbox Regulatório da ANTT.
Um dos pontos de destaque da apresentação abordou o uso estratégico dos dados gerados pelos pórticos. “Os dados gerados pelo pórtico de pesagem vão muito além da fiscalização. Quando conectamos o HS-WIM à Inteligência Artificial, inauguramos a era da manutenção preditiva e da autorregulação na concessão”, afirmou Sathler.
Ao identificar exatamente o perfil e o peso dos eixos que passam sobre as estruturas, a Inteligência Artificial simula cenários de desgaste do pavimento e em obras de arte, como pontes e viadutos. Isso permite alocar de forma assertiva frentes de engenharia e conservação, minimizando a necessidade de interrupções emergenciais. Essa inteligência de dados também é um aliado da concessionária para a chamada “autorregulação”, permitindo atuação proativa em frentes que melhorem a segurança, qualidade e sustentabilidade e criando valor para os usuários.
O painel foi conduzido pelo diretor da Via Cristais, Túlio Abi-Saber. O debate técnico e estratégico em torno do modelo de pesagem também contou com as participações de Hugo Rodrigues, representante da ANTT, e Matheus Fernandes, executivo da Ecorodovias.
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