Em crise nos EUA, Windrose tem caminhão desaparecido e acumula processos trabalhistas

Imagem de Windrose

A promessa da Windrose é grande. Um caminhão mundial, com alta potência, grande autonomia e emissão zero, além de ter um preço para bater de frente com as montadoras tradicionais. E isso atraiu mais de R$ 400 milhões em investimentos ao longo dos últimos anos.

Tentando superar a Tesla no mercado norte-americano, agora a empresa está enfrentando uma grave crise, com diversos processos trabalhistas se acumulando e agora o mais grave: Um caminhão de demonstração foi perdido nos Estados Unidos, e o paradeiro é totalmente desconhecido.

Em um desenvolvimento de poucos anos, a empresa conseguiu criar um caminhão do zero, com autonomia de 640 quilômetros e capacidade de carga de 40 toneladas. Além disso, traz uma cabine diferenciada, no estilo do Tesla Semi, com assento centralizado, e muita tecnologia.

Para ingressar no mercado norte-americano, a empresa criou uma frota de testes, com quatro caminhões, e realizou uma série de contratações de profissionais experientes dentro da indústria de transportes. Tudo parecia correto, até os salários desaparecerem.

Diversos executivos da empresa passaram a relatar um cenário caótico nas operações norte-americanas, e um dos primeiros processos trabalhistas foi de Jason Gies, ex-chefe de operações da Windrose na América do Norte, que pediu na Justiça o pagamento de US$ 412.500 em salários atrasados.

Diversos outros executivos também entraram com processos contra a empresa, pedindo dezenas de milhares de dólares em salários e planos de saúde, com pagamentos que chegam constantemente atrasados ​​ou não são feitos.

Imagem de Windrose

No início desse ano, um dos caminhões da empresa sumiu do inventário. Avaliado em US$ 285 mil, o pesado era usado para testes operacionais e demonstrações com clientes. A Windrose tentou falar com ex-funcionários sobre o paradeiro do caminhão, mas eles dizem que só irão colaborar com a empresa após a quitação dos salários e benefícios atrasados.

Dois ex-funcionários, demitidos em janeiro, teriam se recusado a ajudar Wen Han, CEO da empresa, a localizar o veículo desaparecido até que a Windrose pagasse um total de US$ 91.000 em salários e benefícios atrasados.

Além desses problemas, recentemente a empresa que faz a locação dos escritórios e depósitos para a Windrose executou uma cobrança de US$ 200 mil em aluguéis não pagos, atrasando ainda mais os planos da Startup de operar a partir da Califórnia.

Futuro

Agora, o futuro da empresa é incerto na América do Norte. O CEO destaca que esses problemas são comuns, especialmente em uma empresa em crescimento, e que realmente houve atrasos nos pagamentos, mas tudo foi acertado.

Para muitos investidores, é possível que a empresa não consiga se recuperar dos problemas criados por ela mesma.

Crise comum

A crise dentro da Windrose mostra uma realidade cada vez mais comum dentro de startups que atuam no desenvolvimento de veículos movidos com combustíveis alternativos.

Diversas novas marcas surgiram e sumiram do mercado em poucos anos, e algumas inclusive foram o centro de graves escândalos com investidores.

É o caso da Nikola Corporation, que chegou a ter grandes parcerias, com empresas como Iveco, mas acabou envolvida em várias fraudes com investidores e teve a falência decretada oficialmente pela Justiça dos EUA.

Imagem de Windrose
Publicado por
Rafael Brusque - Blog do Caminhoneiro

Privacidade e cookies: Esse site utiliza cookies. Ao continuar a usar este site, você concorda com seu uso. Para saber mais, inclusive sobre como controlar os cookies, acesse nossa página de política de privacidade

Leia mais