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Roubo de cargas muda de perfil e Sudeste concentra 77% dos prejuízos no primeiro semestre

Imagem de Google Gemini

O roubo de cargas ganhou um perfil mais urbano e concentrou ainda mais prejuízos no Sudeste no primeiro semestre de 2026. A participação dos trechos urbanos no valor das perdas praticamente dobrou, passando de 20,4% para 39,6%, enquanto a região respondeu por 77,2% dos prejuízos nas operações monitoradas, ante 60,5% no mesmo período de 2025, segundo levantamento da nstech. O Rio de Janeiro também ultrapassou São Paulo e assumiu a liderança entre os estados analisados.

Nesse cenário, o Seguro de Responsabilidade Civil do Transportador Rodoviário por Desaparecimento de Carga (RC-DC), que cobre ocorrências como roubo e furto, arrecadou R$ 657,7 milhões e pagou R$ 248,6 milhões em indenizações no período em todo o Brasil, segundo dados da Confederação Nacional das Seguradoras (CNseg). Em todo o ano de 2025, foram R$ 1,4 bilhão em prêmios e R$ 531,5 milhões em indenizações.

As mudanças observadas coincidem com a entrada em vigor das novas regras para o transporte rodoviário de cargas. Desde 1º de julho, os transportadores precisam comprovar a contratação dos seguros obrigatórios previstos na Lei nº 14.599/2023 para manter ativo o Registro Nacional de Transportadores Rodoviários de Cargas (RNTRC). A exigência decorre da Resolução ANTT nº 6.068/2025, e o descumprimento pode levar à suspensão do registro e impedir a empresa de operar.

Entre os seguros obrigatórios estão o RC-DC e o Seguro de Responsabilidade Civil do Transportador Rodoviário de Carga (RCTR-C). Este último, no primeiro semestre de 2026, pagou mais de R$ 634 milhões em indenizações. O seguro cobre a responsabilidade do transportador por perdas ou danos causados às mercadorias em decorrência de acidentes previstos na apólice durante o transporte.

Com as novas exigências, a CNseg projeta crescimento de 2,9% para o seguro de transporte em 2026.

“A expectativa é de que a exigência de comprovação dos seguros obrigatórios contribua para ampliar as contratações no segundo semestre, com o início da verificação vinculada à manutenção do RNTRC. Esse cenário reforça a importância do seguro na estrutura de proteção do transporte rodoviário de cargas, especialmente diante das mudanças observadas nas rotas e nos locais de maior exposição”, afirma o presidente da Comissão de Transportes da Federação Nacional de Seguros Gerais (FenSeg), Marcos Siqueira.

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Os números do mercado segurador acompanham um cenário de forte concentração dos prejuízos no Sudeste. Levantamento da nstech mostra que a região respondeu por 77,2% do valor dos prejuízos com roubos nas operações monitoradas no primeiro semestre, ante 60,5% no mesmo período de 2025. No mercado de seguros, segundo dados da CNseg, as indenizações pagas na região somaram R$ 189,5 milhões, alta de 2%.

A principal mudança no mapa dos prejuízos, de acordo com a nstech, ocorreu no Rio de Janeiro. O estado passou de 16,1% para 36,6% do total nas operações monitoradas e ultrapassou São Paulo, cuja participação recuou de 34,2% para 30,9%. Minas Gerais aparece na sequência, com 9,3%. Entre os dez municípios com maior participação nos prejuízos, quatro são fluminenses: Rio de Janeiro, Duque de Caxias, São Gonçalo e Nova Iguaçu. Juntos, concentraram 31% do valor registrado entre os municípios analisados.

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A concentração geográfica ocorre ao mesmo tempo em que muda a dinâmica dos roubos. Os trechos urbanos passaram de 20,4% para 39,6% dos prejuízos, praticamente o dobro da participação observada um ano antes. As rotas SP–SP e RJ–RJ, por sua vez, responderam juntas por 28,8% do valor dos prejuízos nas operações monitoradas.

Entre as rodovias, a BR-101 aparece como o principal corredor de risco no levantamento, respondendo por 17,1% dos prejuízos, ante 10,8% no primeiro semestre de 2025. A BR-116 aparece na sequência, com 8,2%, ante 4,8% um ano antes.

“Os dados mostram uma mudança na distribuição dos prejuízos com roubo de cargas, com maior concentração em determinados territórios e avanço da participação dos trechos urbanos. Esse movimento exige acompanhamento permanente e a adoção de medidas de gerenciamento de riscos adequadas às características de cada operação, além de reforçar o papel do seguro como instrumento de proteção da atividade de transporte e da própria circulação de mercadorias no País”, conclui Siqueira.

Rafael Brusque - Blog do Caminhoneiro

Nascido e criado na margem de uma importante rodovia paranaense, apaixonado por caminhões e por tudo movido a diesel.

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