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Juros ainda elevados desafiam renovação de frota e planejamento das transportadoras para 2027

Imagem de Google Gemini

O cenário de juros ainda elevados deve continuar influenciando as decisões de investimento das transportadoras na preparação para 2027. O Boletim Focus divulgado no início de outubro indicou expectativa de Selic em 13,5% ao fim de 2026 e 12% em 2027, enquanto a taxa definida pelo Copom em setembro está em 13,75%. A projeção de inflação para este ano também foi elevada para 5,01%.

Para o Transporte Rodoviário de Cargas, responsável por movimentar cerca de 65% de tudo aquilo que é produzido no país, o impacto desse ambiente vai além do custo do financiamento. Renovar a frota exige avaliar simultaneamente o preço dos caminhões e implementos novos, a disponibilidade de crédito, a capacidade de dar entrada na aquisição e o retorno que o veículo poderá gerar em uma operação marcada por custos elevados.

Segundo Thiago Pizzatto, vice-presidente do Sindicato das Empresas de Transporte de Cargas no Estado do Paraná (SETCEPAR), as empresas enfrentam uma combinação de fatores que torna essa decisão mais criteriosa. “Os bancos estão realizando análises de crédito mais rigorosas diante do aumento da inadimplência no setor. Ao mesmo tempo, temos caminhões novos mais caros, inclusive pelas tecnologias associadas ao Euro 6, margens pressionadas pela defasagem dos fretes diante dos custos operacionais e dificuldade de formar caixa suficiente para a entrada de um caminhão ou implemento zero-quilômetro”, explica.

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Nesse cenário, prolongar a utilização de veículos que já estão na frota pode ser uma alternativa, mas também exige atenção. O aumento das despesas com manutenção e outros custos variáveis precisa ser comparado à receita e à produtividade do equipamento, evitando que a postergação da renovação gere uma economia apenas aparente.

“É preciso preservar o caixa e analisar quanto custa manter o veículo atual em operação. A decisão não pode considerar somente o valor da parcela de um financiamento novo. Manutenção, disponibilidade do caminhão, produtividade e capacidade de gerar receita também entram nessa conta”, afirma Pizzatto.

Os juros elevados também alcançam o capital necessário para sustentar a operação cotidiana. De acordo com o vice-presidente, o maior rigor na concessão de crédito torna a obtenção de recursos para capital de giro mais difícil e onerosa, justamente no momento em que as transportadoras começam a estruturar seus planejamentos financeiros para 2027.

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Para o SETCEPAR, esse ambiente exige maior disciplina na alocação dos recursos. A orientação é preservar a rentabilidade sem perder de vista a participação de mercado, direcionando investimentos para áreas capazes de ampliar produtividade e eficiência, como tecnologia e desenvolvimento das equipes, além de avaliar a diversificação das operações.

“Rentabilidade precisa continuar como um dos principais focos. É um momento para tomar decisões com agilidade, preservar caixa e ser muito criterioso na alocação de capital. Investir em pessoas, tecnologia e produtividade da frota também é fundamental para que a empresa esteja preparada para crescer de forma sustentável”, conclui Pizzatto.

Rafael Brusque - Blog do Caminhoneiro

Nascido e criado na margem de uma importante rodovia paranaense, apaixonado por caminhões e por tudo movido a diesel.

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