‘Classe guerreira’, por Federico Vega

Caminhoneiro

Rotinas estafantes, dias e até mesmo semanas longe da família, atenção redobrada com a segurança na tentativa de driblar a crescente onda de assaltos nas estradas. Somam-se a isso condições nada favoráveis da maior parte das rodovias brasileiras e a matemática imprecisa na hora de calcular o valor do seu trabalho. Assim vivem os milhares de caminhoneiros autônomos no País, cruzando Estados em busca de cargas com remuneração nem sempre justa. Muitas vezes, o mês fecha com receita insuficiente para arcar com suas responsabilidades de chefe de família.

Há de se considerar, ainda, a pouca informaçâo sobre determinados fretes, a falta de confiabilidade sobre um trabalho pré-combinado e uma guerra de preços que beira à hostilidade. A lista de dificuldades imposta a este profissional é grande e complexa. O fato é que não é fácil a vida de quem enfrenta o asfalto solitariamente.

Os autônomos precisam pagar e cuidar sozinhos de sua ferramenta de trabalho: o caminhão. A maioria deles, sem renda suficiente ou sem reunir o leque de garantias exigidas pelas linhas de financiamento do setor, rodam com veículos obsoletos. Alguns chegam a ter 30 anos de uso, muito além dos oito anos recomendados por especialistas.

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E essa é uma questão de suma importância, mas que não tem merecido a atenção necessária. Isso porque um caminhão nessas condições consome mais combustível, quebra com mais frequência, ou seja, tem elevado custo de manutenção. Justamente aquele motorista autônomo, que mal consegue ganhar o suficiente para sobreviver, é o que tem nas mãos um caminhão que impacta em maior custo.

Considerações sociais e econômicas à parte, o problema é real e negar sua existência não torna as coisas melhores ou magicamente solucionadas. O transporte rodoviário é o principal meio de distribuição de mercadorias no Brasil. Um País com dimensões continentais, malha ferroviária aquém do necessário e cuja implementação de soluções logísticas e de infraestrutura caminha em níveis e ritmo diferentes nas diversas regiões.

Soluções inteligentes, gratuitas ou de baixo custo, fácil de usar e que combinam diversos recursos que a tecnologia hoje disponibiliza são muito bem-vindas se o objetivo for tornar mais ágil a rotina dos caminhoneiros autônomos. Ainda que distante fisicamente da frenética vida que levam entre um pedágio e outro, a presença de um outro profissional, que domina o mundo dos logorítmos e dos sistemas integrados pode contribuir para que os motoristas conquistem um frete com mais agilidade, na rota em que está viajando, com sistemas que o ajudem a calcular o preço justo a cobrar e a planejar sua rotina para ter maior produtividade.

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Conhecimento que não gera melhoria não tem propósito e, portanto, não agrega nada a ninguém. Criatividade sem funcionalidade também não. Acredito em ideias acompanhadas de atitudes. E assim, combinados a outros esforços que acontecem simultaneamente pelo Pais, como o empenho de diversas cooperativas, serviços de orientação criados pelo Sebrae, iniciativas do setor privado e de órgãos públicos, os caminhoneiros poderão continuar desenvolvendo sua profissão e o transporte nacional a cumprir seu papel tão importante na economia nacional.

Federico Vega é Diretor Geral da Sontra Cargo, empresa de gerenciamento de fretes online.

Rafael Brusque - Blog do Caminhoneiro

Nascido e criado na margem de uma importante rodovia paranaense, apaixonado por caminhões e por tudo movido a diesel.

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