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COLUNA MOBILIDADE EM FOCO: SCANIA R620: O RIVAL DO VOLVO FH16 750 NO BRASIL

Scania R620

Em 2012 a Scania lançou o seu caminhão destinado ao segmento extrapesado, de cargas indivisíveis, setor que cresce cada vez mais no Brasil e tem significativo número de unidades comercializadas. Com o mercado cada vez mais competitivo, com disputa acirrada nos semipesados, pesados e extrapesados, justamente os três segmentos que a montadora de origem sueca participa no mercado brasileiro, cada unidade vendida é uma conquista que tem de ser comemorada, afinal os caminhões disponíveis estão muito próximos uns dos outros quanto a tecnologia embarcada, potência, preços e custo por km/rodado.

O cartão de visitas da Scania para dar continuidade a sua tradição neste segmento atende pela nomenclatura técnica de R620. Com configuração de chassi nas versões 6 x 4 e 8 x 4, sua capacidade de tração chega a 250 toneladas, a maior do mercado até junho desse ano (2014), quando a Volvo passou a importar o FH16 750 e a Mercedes, desde outubro o Actros 4160 SLT 8 x 8 (único no mercado nessa configuração). Quanto a CMT (capacidade máxima de tração), Volvo e Mercedes chegam a 500 toneladas, enquanto o Scania se limita a 250 toneladas.

No entanto, cabe ressaltar, o R620 é o mais potente fabricado no Brasil. Seu poderoso motor tem tecnologia Euro 5 e para os gases de escape oriundos da combustão ele utiliza o sistema SCR (Redução Catalítica Seletiva). Com o SCR faz-se necessário o uso do aditivo Arla 32 (Agente Redutor Líquido Automotivo a 32%). E, se comparado a um caminhão semipesado trucado, chassi rígido, o R620 é comedido no consumo do Arla, 50 litros para cada 1.000 quilômetros percorridos. Seu motor tem 16 litros (16.0), oito cilindros em V (V8) e a sua vocação natural é o tracionamento de composições tipo bitrem e rodotrem, com chassi 6 x 4 (traçado). Ou então com chassi 8 x 4, próprio para arrastar cargas de até 250 toneladas.

Embora o motor do R620 seja importado, ele atende o índice mínimo de nacionalização de 60% para poder ser financiado pelas taxas de juros atrativas do BNDES/Finame, o que não ocorre com o Volvo FH16 750 e o Mercedes Actros 4160. Com preço médio em torno de R$ 630.000,00, chassi 6 x 4, que tanto pode operar tracionando carretas normais de três eixos quanto bitrens e rodotrens, o R620 está apto também para tracionar cargas indivisíveis. E este é um dos seus maiores méritos. Volvo FH16 750 é importado, com configuração 8 x 4. E o Mercedes Actros 4160 SLT é 8 x 8. Ou seja, suas vocações naturais e onde se dão suas melhores relações custo/benefício é no transporte de cargas de grande tonelagem.

Já o Scania R620 é mais versátil. Como pode operar com excelente custo por km/rodado tracionando composições normais, com este caminhão o empresário amortizará em tempo menor o investimento feito. Outra ressalva que pesa na planilha de custos de quem costuma acompanhar minuciosamente, um FH16 750 e o Actros 4160 SLT tem seus preços na casa de R$1 milhão. E que pode aumentar com a alta do dólar, pois são importados. Resumindo, o Scania R620 tem preço 63% menor. De cara já se economiza R$ 370.000,00. É muito dinheiro. Dá para comprar um Axor 2644 6 x 4 se o empresário acrescentar a soma de R$ 4.198,00.

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Parou por aí? Não. Temos visto FH16 750 tracionando carreta com carga bem abaixo de 200 toneladas. Ora, não precisa-se de tanta potência, o caminhão fica superdimensionado para a tarefa e quem comprou está jogando dinheiro fora. Para recuperar em tempo hábil e contabilmente aceitável o investimento em um FH16 750 ou em um Actros 4160 SLT é necessário que a empresa tenha na sua carteira de clientes cargas acima de 250 toneladas e que gerem serviços de forma quase que contínua. Do contrário, puxa uma carga de grande tonelagem hoje, outra daqui a “n” meses, o capital empregado na aquisição fica imobilizado.

Como a maioria absoluta das cargas indivisíveis parecem estar na casa de até 250 toneladas, caminhões com a CMT do Scania R620 passa a ser algo que tem de ser apreciado na planilha de custos. Dispêndio de dinheiro menor para a aquisição, 63% menos e possibilidade de financiamento via BNDES/Finame. Ou seja, em tempos de vacas magras, menor desembolso inicial de dinheiro ainda. Mas vamos analisar sobre a ótica de mais números. O Actros tem motor com potência de 598 cv. Já o R620 atinge 620 cv, 28 cv a mais, 3,52%. Vamos a parte que mais interessa, torque nominal, de cruzeiro. O Actros 4160 chega a 285,43 e o R620 em 306 mkgf, 6,72% a mais.

Vamos estender o confronto ao outro gigante, Volvo FH16 750. Ele possui 130 cv a mais de potência do que o R620. O torque do FH chega 3.550 Nm (361,88 mkgf). Na potência ele sobressai o Scania em 17,35%. E no torque a diferença se limita a 15,5% . Outro ponto que merece ser ressaltado é que o R620 pode ser equipado com a relação 3,07:1, de série. Com ela, configuração 6 x 4, o Scania se torna um “must” para tracionar bitrem e alcançar boa velocidade de cruzeiro a uma rotação muito baixa do motor, 1.200 rpm. E o consumo? Exatos 2,54 e 2,60 km/l.

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Realmente, o Scania R620 é um caminhão muito atrativo para cargas indivisíveis, apesar do glamour do Volvo FH16 750. O R620 é muito competitivo numa planilha de custos. Menor preço de aquisição, possibilidade de financiamento com a menor taxa de juros do mercado, menor prazo de amortização do investimento, colabora mais com a liquidez corrente do balanço financeiro da empresa, o endividamento também passa a ser menor, rentabilidade da receita superior, melhor produtividade do capital empregado e melhor rentabilidade do patrimônio líquido.

Por último, o custo por km/rodado do R620 é de R$ 2,8733, segundo a simulação pelo sistema Siscov, da Fleetcom. Acha muito? Pois saiba que esse mesmo custo, para cargas de mesma tonelagem, é muito superior no Volvo FH16 750 e no Mercedes Actros 4160 SLT. E por que o custo deles é maior? Bem, variáveis como preço de compra maior, licenciamento e remuneração do capital com valores maiores tornam seu custo por km/rodado maior. Um Actros 2646, por exemplo, tem custo por km/rodado de R$ 2,65822, é menor, mas possui CMT de apenas 80 toneladas. Mais uma vez, como se vê, se analisarmos friamente, pela voz da razão e não pela emoção, tem gente por aí rodando com caminhão superdimensionado para cargas indivisíveis, com claro prejuízo contábil no balanço financeiro.

Texto/matéria: Carlos Alberto Ribeiro.

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Rafael Brusque - Blog do Caminhoneiro

Nascido e criado na margem de uma importante rodovia paranaense, apaixonado por caminhões e por tudo movido a diesel.

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