AVENTURA PELO SERTÃO – Scania R 164 480 6×4




Scania Rei da Estrada
este é o caminhão do Silvério.
Faz o bruto de morada.
Trata-se de homem justo e sério.

Quarenta e cinco anos de idade.
A vinte é um carreteiro.
Enfrenta lutas, e a dificuldade
dribla como bom brasileiro.

Não fala do passado.
Sua vida, um grande mistério.
De qual cidade ou Estado,
ninguém sabe do Silvério.

Fora apaixonado por alguém
mas por ela foi abandonado.
Depois disso, para mais ninguém
o seu coração havia entregado.

Ela chamava-se Sofia.
Tinha uma beleza tão pura.
Abandonado aquele dia
fora para ele situação mais dura.




Ele desconhecia o motivo
pelo qual ela o abandonou.
Desta dúvida vivia cativo.
A resposta nunca encontrou.

Depois que fora abandonado,
Amiga muito rica o procurou.
Consolou-o e ficou a seu lado.
Por fim, a ele se declarou.

Agradeceu a amiga o Silvério,
mas aquela triste desilusão,
para seus sentimentos, deletério.
A mas ninguém entregaria o coração.

Lembrava-se que Sofia
com seu pai tinha preocupação.
O motivo ele não sabia.
Sua ajuda não queria não.

Planejavam até casamento
e ela simplesmente partiu.
Não era homem ciumento.
Ele nunca mais a viu.

Preferia viver na solidão.
A estrada era seu remédio.
A bordo de seu caminhão
vivia uma rotina sem tédio.

Apenas relacionamentos casuais.
Não queria envolvimento sério.
Seu coração só encontraria paz
quando desvendasse o mistério.

Ele alimentava a esperança
de um dia reencontrar sua amada.
Sua imagem, guardava na lembrança.
Dirigia o soberano Rei da Estrada.

Silvério presenciou situação,
rodando pelo sertão nordestino
Não se conteve, parou o caminhão.
Aquela atitude mudaria seu destino.

Uma carroça descontrolada
uma jovem a bordo tinha.
O burro corria em disparada.
Ela não estava sozinha.

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Um menino em desespero
tentava controlar o animal.
Mas o burro em destempero
agia com instinto irracional.

Com risco de correr para a via,
poderia ser até atropelada.
O menino segurar não conseguia.
A jovem estava desesperada.

Silvério foi para socorrer,
conseguindo deter o animal.
Ajudou a menina a descer.
Livrou-a de um risco mortal.

O menino se aproximou
agradecendo aquela ajuda.
O pobre animal sossegou
depois daquele Deus-nos-acuda.

A menina chamava-se Juliana.
Tinha dezenove anos de idade.
Olhar doce, linda figura humana.
Tinha na fisionomia docilidade.

O menino era um amigo
que a pôs naquela louca aventura.
Passado o susto e o perigo,
Juliana agradeceu-lhe com candura.

Para acompanhá-la pediu.
Queria leva-lo á sua mãezinha.
Silvério então a seguiu.
Chegaram a acolhedora casinha.

Juliana em casa entrou.
À Silvério, pediu para aguardar.
Em seu quarto, com alguém conversou.
Logo viu uma mulher se aproximar.

Quando ela entrou na sala
Silvério virou-se para cumprimentar.
Ao vê-la, perdeu a fala.
Antigo amor acabava de reencontrar.

Reconheceram-se mutuamente.
Ela apoiou-se para não cair.
Silvério sentiu coração ardente.
Teve vontade de sair.

Pela emoção, ainda presos.
Ela convidou-o a sentar.
Na alma e no coração pesos
que ele precisava tirar.

Por quê? Foi a pergunta feita.
Sofia calada, respirou fundo.
Ela sempre fora mulher direita,
sentia nos ombros pesar-lhe o mundo.

Juliana não estava presente
não escutou a conversa portanto.
Mesmo depois de anos ausente,
Silvério ainda a amava tanto.

Ela contaria toda a verdade
pois Silvério merecia saber.
Sofia falou que dura realidade,
se não o deixasse, iria ter.

Seu pai ameaçado de morte.
pois devia dinheiro a um agiota.
Decidiu sua vida e sua sorte
quando foi procurada por Carlota.

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Carlota passou-se por amiga do casal.
Ofereceu dinheiro, um grande valor.
Mas exigia de Sofia ao afinal,
que deixasse para sempre seu amor.

Sofia não tinha outra saída.
De seu pai esta era a salvação.
Deixou o amor da sua vida,
sem poder dar qualquer explicação.

Silvério percebeu então
porque Carlota aproximara-se dele.
Tinha como única intenção
seduzi-lo e ficar com ele.

Mas o plano dela não deu certo.
O rapaz não quis o seu amor.
No peito, ferimento ficou aberto.
Desprezo foi castigo por tanta dor.

Espanto no rosto de Sofia.
Sorriso em seu lábio brota.
Ela jamais imaginaria
que Silvério rejeitara Carlota.

A conversa foi interrompida
pois Juliana entrou na sala.
Sofia falou á filha, comovida
algo que embargou sua fala.

Juliana e Silvério frente a frente,
Sofia contou segredo guardado.
Seu pai, era o homem ali presente.
O caminhoneiro olhava-a emocionado.

Quando Sofia foi embora
no ventre, a filha já levava.
Contara o segredo só agora.
Juliana, de alegria chorava.

Silvério pediu perdão,
mesmo não sendo sua culpa.
Não havia magoa no coração,
e nem motivo para desculpa.

Carlota fora a culpada
por desunir aquele casal.
Mas ela não aproveitou nada.
Silvério não a quis afinal.

A Mão Divina então agiu
para uni-los novamente.
Assim Silvério descobriu
paradeiro de seu amor ausente.

Sofia nunca se casou.
E Silvério também não.
Agora que o amor os juntou
para sempre seria a união.

Quando Silvério viajava,
a seu lado sua amada Sofia.
Nas férias, Juliana também levava.
Àquela família retornou a alegria.

Roberto Dias Alvares




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