Além do limite: conheça os riscos do excesso de carga




Embora o PIB do setor de transporte tenha crescido em 2017 e alcançado R$ 246,54 bilhões, segundo dados da Confederação Nacional do Transporte (CNT), ainda existem muitos desafios a serem superados. Um deles é o excesso de peso da carga nas estradas brasileiras, prática arriscada de empresas que buscam diminuir o valor de seus serviços.

Já acompanhei muitas companhias que agem dessa forma por desconhecer os riscos e prejuízos que o exagero no transporte de carga pode trazer à sua frota, como danos sérios aos automóveis e também ao planejamento estratégico da empresa, que muitas vezes têm custos inesperados. E além disso, veículos muito pesados danificam a qualidade das estradas, que teve crescimento de fluxo em 1,9% em 2017, segundo a CNT.

Separei alguns riscos importantes para conhecer e mitigar, confira!

Desgaste dos veículos

Por vezes percebido a longo prazo, a deterioração da frota realmente acontece. O superaquecimento que a sobrecarga causa na estrutura do pneu, por exemplo, causa deformação e até mesmo risco de estouro dos mesmos, o que demanda uma substituição mais frequente. Os freios também sofrem. O sistema de frenagem é projetado para responder a determinado peso, quando há um excesso pode comprometer lentamente a eficiência deste sistema, representando grande perigo para o condutor, o que contribui para o aumento de risco de acidentes nas rodovias.

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Penalidades de trânsito

As infrações para excesso de peso do carregamento estão descritas segundo o Código de Trânsito Brasileiro, que prevê multa de R$ 130,16 quando constatado, sendo que o valor é de acordo com o peso registrado. Nas balanças rodoviárias, existe tolerância de 5% para o peso bruto total da carga e de 10% por eixo. E quando não é possível fazer esta pesagem se consideram os valores da Nota Fiscal.

Aumento da emissão de gases poluentes

Atualmente, nós, gestores de grandes empresas, precisamos pensar de forma ampla nos impactos de nossa atuação. A responsabilidade ambiental precisa ser levada em conta e observada em todas as etapas de uma cadeia de logística, do seu início até a entrega final do produto. Na fase de transporte, isso se torna particularmente importante devido ao potencial poluente dos carros, e com um veículo mais pesado do que o normal, o aumento no consumo de combustível pode chegar a 50%.

Danos às rodovias

Segundo dados estaduais do DETRAN, a carga em demasia é um dos principais responsáveis pela piora na qualidade das estradas. Os veículos de transporte acabam por deformar as vias por onde trafegam, já que transferem o peso dos eixos para o solo. E isso prejudica em especial as vias que atendem ao escoamento de cargas, próximas a portos e terminais alfandegários.

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Obstrução das rodovias

Já viu algum caminhão trafegando em uma velocidade baixa por estar pesado demais? Isso não apenas obstrui as vias e prejudica quem circula por elas, como também compromete prazos de entrega e agilidade nas operações.

Valmir Colodrão é diretor e sócio-fundador da BgmRodotec, empresa do segmento de software de gestão para empresas de transporte




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