De acordo com estudos recentes, faltam 60 mil motoristas de caminhão nos Estados Unidos, e o número só cresce, porque a maioria dos caminhoneiros do país tem idade superior a 55 anos, e estão se aposentando.
Esse número, que não para de crescer, tem tornado os fretes cada vez mais caros, elevando o custo de quase tudo o que se vende nos Estados Unidos. Apenas para o frete de produtos alimentícios, em caminhões refrigerados, subiu cerca de 25% em 2018. Várias empresas grandes, como Mondelez, Hershey, Nestlé, Unilever e Coca-Cola, anunciaram que irão aumentar o valor dos seus produtos por causa dos fretes.
Várias empresas anunciaram aumento de salários para os caminhoneiros, e o valor anual pago aos motoristas profissionais, em algumas empresas como a rede Walmart, pode chegar a US$ 90 mil por ano para operações de longa distância.
Uma das iniciativas que estão sendo discutidas agora é uma mudança no foco da busca por motoristas. Muitas empresas de transporte mantém a procura por caminhoneiros focada no estereótipo construído ao longo de décadas, de um homem do interior, mais bruto, que entenda de motores e máquinas. Esse seria o caminhoneiro ideal.
Mas isso reduz a chance de encontrar alguém que se encaixe para as vagas. Por isso, há uma mudança crescente, puxada por sindicatos e associações, que amplia a busca de motoristas, como para as mulheres e pessoas LGBT, que antes eram praticamente descartadas das vagas.
Não se sabe qual o número de pessoas LGBT trabalhando como motoristas de caminhão nos Estados Unidos. No caso das mulheres, cerca de 8% do número total de caminhoneiros, ou 180 mil caminhoneiras.
Para essa mudança, as empresa precisam investir um pouco mais, principalmente em treinamento. A empresa Wilson Logistics é uma das pioneiras na abertura de vagas exclusivas para mulheres, e tem ganhado muitos motoristas com isso.
Angela Thornton, uma das mulheres que está treinando para ser motorista da Wilson Logistics, diz que a indústria de transportes nos Estados Unidos está ficando mais flexível e acolhedora, e que já está ficando comum ver mulheres a bordo dos caminhões.
Ellie O’Daire já trabalha como motorista profissional há algum tempo. Ela é uma das primeiras motoristas transgênero dos Estados Unidos, e trabalha na empresa Jim Palmer.
Ellie diz que começou a gostar de caminhões graças a um simulador para computadores, que aumentou sua curiosidade pelo transporte rodoviário. Não demorou muito para conseguir contato com a empresa Wilson Logistics, que a encaminhou para uma das vagas.
Além dos ótimos salários e bonificações, os candidatos mais jovens costumam ser atraídos pelo caminhões mais modernos, com câmbio automatizado, sensores de rodagem, frenagem automática de emergência e outras tecnologias que deixam a vida mais segura.
O único problema, mesmo com essa mudança, é determinar se a transformação da indústria de transportes nos Estados Unidos está acontecendo de maneira rápida o suficiente para resolver o problema da escassez de motoristas.
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