A realidade do transporte no Brasil tem esmagado os autônomos, que detém a maioria dos registros RNTRC emitidos. São 528.587 autônomos no Brasil, 153.510 empresas e 341 cooperativas registradas pela ANTT.
A frota de caminhões na mão dos autônomos é de 699.205 caminhões, a grande maioria com idade avançada. A idade média dos caminhões usados pelo autônomos é de 17 anos. As empresas tem veículos com idade média de 8,8 anos.
Por isso seria tão importante um programa nacional de renovação de frota, oferecendo aos caminhoneiros autônomos a oportunidade de compra de um caminhão melhor, novo ou semi-novo, e enviando os caminhões antigos para reciclagem.
O primeiro impacto positivo dessa renovação seria da emissão de poluentes. Caminhões antigos não cumprem nenhuma regra de emissões e poluem o dobrou ou mais do que um caminhão Euro 5, que entrou no mercado em 2012.
Essa renovação também traria mais segurança para as estradas. Um caminhão velho, por mais bem cuidado que seja, pode apresentar falhas por desgaste mais rapidamente do que um caminhão mais novo. As peças disponíveis no mercado para alguns modelos de veículos mais antigos também são apenas paralelas, já que as peças originais deixam de ser produzidas, e muitas vezes a única forma de manter um caminhão muito antigo trabalhando e usar adaptações e as famosas gambiarras.
Com caminhões mais novos, também aconteceria um impacto positivo nas contas dos caminhoneiros, já que os veículos mais novos consomem menos, quebram menos e se mantém ativos por mais tempo, dando mais rentabilidade ao transportador autônomo.
Esse projeto de renovação de frota, se saísse do papel, ajudaria não só os caminhoneiros, como também toda a economia do país.
A renovação deveria começar com a redução de impostos nos caminhões novos, para que os valores não fossem tão altos para o caminhoneiro autônomo. cerca de 30% do valor de um caminhão novo são impostos, para alguns caminhões isso corresponde a mais de R$ 100 mil.
O governo poderia criar um linha de financiamento, via BNDES, exclusiva para quem tem apenas um caminhão e que irá realizar a troca por um modelo novo. Para obtenção do financiamento, o caminhoneiro teria que dar a destinação correta ao seu caminhão velho, além de comprovar a inscrição no RNTRC e a propriedade do veículo antigo por um tempo pré-determinado, isso evitaria possíveis fraudes no sistema.
Outra medida que seria boa para os caminhoneiros e também para as transportadoras seria uma forma de cobrança de impostos invertida. Hoje no Brasil os impostos são menores para caminhões mais antigos. Quem tem um caminhão mais novo, que oferece tecnologia, segurança e menos poluição paga mais caro. Países como a Alemanha cobram impostos menores para veículos novos. Isso incentiva as trocas de frotas.
No passado, outras iniciativas como o Pró-Caminhoneiro, pouco beneficiaram os caminhoneiros. Um projeto nacional de renovação de frota para veículos com mais de 20 anos agora seria excelente para os autônomos, para a segurança nas estradas, para a economia, para as fábricas de veículos.
Projetos para renovação existem, como o PL 10790/2018, do Deputado Assis do Couto – PDT/PR, mas que ficam parados na Câmara dos Deputados por longos períodos, sem serem analisados pelos deputados. Isso precisa sair do papel.
Privacidade e cookies: Esse site utiliza cookies. Ao continuar a usar este site, você concorda com seu uso. Para saber mais, inclusive sobre como controlar os cookies, acesse nossa página de política de privacidade
Leia mais