Pacote pró-caminhoneiro do governo não empolga




Lançado pelo governo Jair Bolsonaro no início do ano como vacina para tentar evitar uma nova greve, o pacote de medidas para os caminhoneiros teve pouco resultado até agora. Sete meses depois, a linha de crédito de R$ 500 milhões aberta pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) efetivou apenas 12 empréstimos, que totalizam R$ 350 mil. Já o chamado “cartão caminhoneiro”, que garante preço fixo do diesel por 30 dias, tem baixa procura.

A categoria voltou a ganhar as atenções recentemente, depois que vídeos circularam pelas redes sociais. Neles, caminhoneiros inconformados ameaçavam parar o país caso o Supremo Tribunal Federal (STF) declarasse inconstitucional a prisão após condenação em segunda instância. Foi exatamente o que o STF fez, mas não houve reação dos caminhoneiros. Mesmo não descartando novas paralisações, segundo apurado, a categoria não quer vincular qualquer manifestação a um descontentamento político. A principal demanda dos caminhoneiros continua a ser o preço mínimo do frete, outra questão que também está nas mãos do STF.

Desde o início do ano, a proximidade de líderes dos caminhoneiros com o governo facilitou a abertura de um canal de diálogo. O presidente Jair Bolsonaro chegou a determinar a suspensão momentânea de um reajuste do preço do diesel pela Petrobras, e em abril lançou um conjunto de medidas que ainda não vingou.

Uma delas, voltada aos autônomos que têm dificuldades de fazer manutenção dos veículos, foi uma linha de crédito do BNDES que teve seu limite de financiamento ampliado de R$ 30 mil para R$ 100 mil por motorista. O banco reservou R$ 500 milhões para os empréstimos.

Ao anunciar a medida, o ministro da Casa Civil, Onyx Lorenzoni, afirmou que a Caixa Econômica Federal e o Banco do Brasil seriam os primeiros a oferecer aos clientes as condições especiais. No entanto, até agora as instituições não tiveram interesse em operar a linha do BNDES.

“A linha é simples de operar, os bancos já conhecem a plataforma, e recurso não é o problema. A gente está o tempo inteiro mostrando aos bancos a importância de operar, mas realmente é uma decisão deles”, afirmou o chefe do Departamento de Clientes e Relacionamento Institucional do BNDES, Tiago Peroba.

Consultados pela reportagem, os bancos informaram que não há previsão de oferecer o produto. Ambos possuem programas próprios voltados aos caminhoneiros.

Peroba ponderou que a linha ainda passa por um período de “adaptação e maturação”, e tem expectativa de que o interesse de agentes financeiros seja maior a partir do ano que vem. Até agora, estão credenciadas duas cooperativas, Sicredi e Cresol, e a Agência de Fomento do Paraná, que foi a primeira a conceder um empréstimo na modalidade.

“Desde que começamos a oferecer, tivemos 25 pessoas que procuraram. Uma só teve sucesso. Houve muito pedido de informação no início, depois foi diminuindo”, disse o gerente de mercado da agência do Paraná, Luciano Martins.

Segundo ele, as taxas do BNDES são mais atrativas que as dos demais programas oferecidos pela agência, mas a característica da atividade dos caminhoneiros exige maiores garantias. Também pesa o fato de muitos motoristas possuírem veículos alienados e não apresentarem avalistas com renda compatível.

“Lá no início eu disse que não ia adiantar. Realmente não funciona porque 80% da categoria já tem restrição. A gente precisa é de renegociação de dívida”, reclamou o motorista Wallace Landim, o Chorão, um dos líderes dos caminhoneiros em Goiás.

Questionado, o governo federal se manifestou por meio da Casa Civil, que admitiu, em nota, que “a operação mostrou-se cara, com juros mais altos do que os praticados por outros bancos, que optaram por trabalhar com suas próprias fontes de financiamento”.

A tentativa do governo de dar previsibilidade aos preços do óleo diesel também não é um grande sucesso na categoria. Até agora, segundo a BR Distribuidora, o “cartão caminhoneiro”, que garante preço fixo durante 30 dias, recebeu a inscrição de 15 mil motoristas, o que significa em torno de 1,5% do total de caminhoneiros autônomos do país, segundo dados da Confederação Nacional dos Transportadores Autônomos (CNTA). A BR Distribuidora não soube informar quantos motoristas já fizeram uso do recurso.

“Eu não tenho conhecimento de nenhum motorista que esteja usando. Isso não foi um atrativo. É como se fosse um cartão fidelidade pré-pago, e de repente no trajeto o motorista encontra até um óleo mais barato”, afirmou o presidente da CNTA, Diumar Bueno.

Além do endividamento e do alto custo do combustível, os motoristas cobram mais rigor na aplicação da tabela do frete, implementada pela Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT). São constantes as reclamações de que os parâmetros são descumpridos e que não há fiscalização adequada. A ANTT, por sua vez, informou que “vem realizando várias ações de fiscalização para verificar o cumprimento do piso mínimo de frete”. Segundo a agência, neste ano foram lavrados 18.453 autos de infração.

Embora manifestem descontentamento com as ações do Executivo, líderes da categoria afirmam que a relação com o governo federal melhorou desde que Bolsonaro assumiu a Presidência. Os canais de diálogo estão abertos, principalmente no Ministério de Infraestrutura, no qual foi instalado um grupo de acompanhamento.

A insatisfação entre os motoristas, contudo, tem crescido. “É um barril de pólvora, basta um acender uma faísca. Estamos muito perto do estágio de explodir uma paralisação. O governo prometeu muita coisa e não cumpriu”, alertou o presidente da CNTA.

O Ministério da Infraestrutura informou que mantém diálogo periódico com motoristas. E ainda que as soluções para os problemas são complexas e implicam necessidade de alterações legais. O ministério negocia com a área econômica uma forma de retirar atravessadores na contratação de autônomos e, com a Caixa, o refinanciamento de dívidas de 30 mil motoristas.

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12 comentários em “Pacote pró-caminhoneiro do governo não empolga

  • 19/11/2019 em 11:52
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    Boa tarde!! Busquei a linha de crédito na Caixa Econômica Federal de minha cidade e a única coisa que ouvi dos funcionários era que estava acreditando em papai Noel, que estava sendo trouxa em acreditar em Bolsonaro. Ainda escutei: “Voce votou em Bolsonaro, agora aguente as consequências!!!!”. Rsrsrsrs.
    Me senti muito mau com está situação, também não consegui fazer o cadastro para o cartão que garante o preço do Diesel por trinta dias!!
    André W. Nova Esperança – PR

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  • 19/11/2019 em 11:03
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    NÃO ADIANTA OFERECER CRÉDITO EM BANCO NEM UM PARA NÓS FICAR MAIS INDIVIDADO DO QUE JA ESTAMOS COM ÉSSA FALTA DE ATENÇÃO DO GOVERNO COM A NOSSA CLACE TUDO SÓBE E O FRETE NÃO COBRE AS DISPEZAS MAIS ESTAMOS A UM PASSO DE UM ABISMO COM OS CAMINHOENS SEM FREIOS QUANDO FRETE FICA SÓ NA MÃO DOS PODEROZOS NOS VAMOS TER UMA INFLAÇÃO GALOPANTE QUE JA MAIS FOI VISTO NO BRAZIL

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  • 19/11/2019 em 00:27
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    O negócio é parar o Brasil e pronto só assim isso muda

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    • 19/11/2019 em 11:28
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      NÃO ADIANTA FAZER GRÉVE SE O GOVERNO PROMETE REZOLVER O PROBLEMA MAS NÃO CUMPRE O QUE FALA A UNICA COIZA QUE PODIA AJUDAR UM POUCO ÉRA TIRAR OS ATRAVESSADORES QUE FICAM COM 50% DO FRETE JÁ NÃO NEM O ÓLEO MAS SE UM NÃO CARRÉGA TEM 10 QUE GOSTA DE TRABALHAR DE GRAÇA SE NÓS FOR PARAR VAMOS PARAR EM CAZA PORQU SÓ ASIM NÃO VAMOS SER TAXADOS COMO BADERNEIROS COMO SEMPRE

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  • 18/11/2019 em 23:29
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    so inganacao do governo e os caminhoneiros acreditam cada dia pior e ninguém faz nada até acabar com os autônomos e isso que o governo quer.

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  • 18/11/2019 em 22:27
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    O problema está nos atravessadores…empresas que muitas vezes nem tem caminhão,ganhaam em cima da gente. Quando se carrega para a fábrica direto o frete é outro. Só que os burros que se dizem nossos representantes ficam batendo na tecla da tabela mínima de frete… é inconstitucional. O governo já disse.
    Como resolver : governo isenta de algum imposto da indústria ou comércio que contratar o autônomo direto…o frete fica bom pro empresário e melhora pra nossa categoria

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  • 18/11/2019 em 21:16
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    Qualquer tentativa de melhorias será em vão. Quem bagunça os fretes é o próprio motorista. É a famosa frase:Dá pro óleo, eu vou. Parece que a despesa dele é só com o óleo diesel.Ele trata da família com óleo diesel.

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  • 18/11/2019 em 21:04
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    Não adianta da crédito se nem dignidade nos temos motorista é tratado como bandido nas estradas nem cargas estamos conseguindo um valor decente descaso total autónomo vive de ilusão 😳😳😳

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  • 18/11/2019 em 19:57
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    Este governo e mentiroso e a nossa classe e frouxa. Eu nao votei neste individuo agora aguemta

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    • 18/11/2019 em 20:09
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      Não votou mais está aguentando junto engraçado, chega ser piada quando falam isso Como se o Brasil de vocês é diferente de quem votou.

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  • 18/11/2019 em 18:28
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    Retirar o atravessadores e agenciadores de carga já é um grande passo . A linha de crédito devia ser liberado para troca de caminhões com mais de dez anos de uso .Ficar fazendo revisão e manutenção não adianta .

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    • 18/11/2019 em 19:17
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      Só enganação até agora e o preco do frete abaixam

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