As cabines bicudas, com o motor posicionado na frente do motorista, foram unanimidade no Brasil até a década de 1990, quando todas as montadoras ofereciam esse tipo de modelo.
Depois dos anos 2000, por mudanças na legislação e mudanças no mercado de veículos, esse tipo de caminhão deixou de ser produzido pela grande maioria das montadoras, e os modelos que restaram ficaram atrelados a alguns nichos específicos dos transportes.
Os modelos frontais, conhecidos também como cara-chata, vinha se mostrando cada vez mais eficientes para o transporte, maximizando o espaço para a carga, sem deixar o conforto do motorista de lado.
“O caminhão cara-chata torna a composição mais eficiente. Se eu avanço a cabine, eu tenho mais espaço para levar a carga”, comenta Paulo Genezini.
Além dessas duas questões, por uma evolução natural do setor, os caminhões frontais ficaram cada vez mais seguros para os motoristas, superando muito a segurança dos modelos bicudos fabricados no país.
“O pessoal tem essa sensação, de que se tem um bico você está mais seguro, mais protegido”, complementa o executivo.
Ele afirma ainda, que a posição do motor na frente da cabine pode comprometer a segurança, já que todo o aparato mecânico do veículo pode invadir a cabine em caso de colisões graves.
“[O caminhão bicudo] passa uma falsa sensação de segurança”.
As cabines fabricadas pelas principais montadoras de caminhões de origem europeia tem que ser aprovadas em uma certificação chamada de European Standards ECE R29, que diz que a estrutura do veículo precisa suportar impactos frontais, traseiros e superiores com cargas que variam de 1 a 10 toneladas, em velocidades de 34 km/h, mantendo o habitáculo do motorista em perfeitas condições.
A Scania segue a risca essa certificação, mas vai além. As cabines da nova geração são aprovadas também na Swedish Standards VVFS 2003/29, que exige que a cabine suporte cargas ainda maiores.
Fim das cabines bicudas
Além da questão de legislação, que impactou diretamente a fabricação de cabines posicionadas atrás do motor, os transportadores também passaram a ver os caminhões frontais como aliados da rentabilidade, graças a eficiência para o transporte.
Tanto que os modelos bicudos tiveram grandes reduções na procura nos últimos anos que foram fabricados normalmente, entre 2004 e 2006. Depois disso, poucas montadoras ofereciam esse tipo de modelo, apenas para nichos específicos de transporte.
“Eu entendo que seria natural essa evolução. Tudo evoluiu para ter mais coisas, de forma mais compacta. O caminhão bicudo traz a vantagem de poder pôr o que você quiser de motor e tem espaço. Como os motores ficaram mais compactos, com peças melhor desenhadas, as montagens mais bem encaixadas, você consegue ter a cabine em cima de tudo isso [sem comprometer o conforto e espaço]”, completou.
De acordo com o executivo, não faria sentido deixar o motor na frente da cabine se é possível ter o mesmo espaço interno e nível de conforto para o motorista numa cabine cara-chata.
Evolução em segurança
Comparando as cabines de 15 anos atrás com as fabricadas hoje em dia, já existe a diferença do uso de materiais com cada vez mais qualidade, como aços de alta resistência, plásticos com composições especiais e desenhos de componentes cada vez mais voltados à segurança dos ocupantes.
Além dessa evolução física das cabines, a tecnologia também evoluiu muito, já que os caminhões de hoje tem cada vez mais assistências para o motorista, como sistemas de freios controlados eletronicamente, controle de estabilidade, controle de cruzeiro inteligente e sensores que monitoram até a mudança de faixa do caminhão.
Ou seja, as cabine bicudas fizeram parte da história do transporte e moram no coração de muitos caminhoneiros, mas nada substitui a segurança e a evolução das cabine atuais.
Privacidade e cookies: Esse site utiliza cookies. Ao continuar a usar este site, você concorda com seu uso. Para saber mais, inclusive sobre como controlar os cookies, acesse nossa página de política de privacidade
Leia mais