Dono de loja de caminhões acusa FedEx de baixar KM dos caminhões antes da venda nos Estados Unidos

por Blog do Caminhoneiro

Tom Layton é dono da empresa de venda de caminhões usados Nevada Fleet, da região de Las Vegas, nos Estados Unidos. Ele está processando uma das maiores empresas de transporte do mundo, a FedEx, por ter descoberto mudanças nos hodômetros de cerca de 100 caminhões comprados por ele da empresa, todos com a quilometragem reduzida.

Quando a FedEx renova sua frota, coloca os veículos usados a disposição da empresa de leilões ARI, que vende os veículos para empresas e particulares de todos os Estados Unidos.

Layton sempre comprou esses veículos, e notava que alguns caminhões estavam com hodômetros digitais, porém, a troca do hodômetro é algo que costuma acontecer e não é permitido. A certeza que os veículos estavam com as milhas adulteradas no painel veio quando vendeu um caminhão Freightliner para um empreiteiro de Washington, em março de 2017.

Pouco depois da venda, o proprietário do veículo acusou Layton de tentar lhe aplicar um golpe, já que o hodômetro do caminhão marcava 180 mil milhas, cerca de 290 mil KM rodados, e, em visita à uma concessionária Freghtliner, ele descobriu que o veículo tinha, na verdade, mais de 400 mil milhas (640 mil quilômetros) rodados.

Tom Layton comprou o caminhão imediatamente, e iniciou uma pesquisa para tentar descobrir o porque dos números marcados no hodômetro terem tanta diferença da marcação na central do veículo.

O que ele descobriu é que o hodômetro foi trocado pela própria FedEx, e que não havia comunicado da mudança ao revender o veículo usado.

Quando um caminhão tem o hodômetro substituído nos Estados Unidos, é necessário que um adesivo seja colado no batente da porta, e a quilometragem original deve ser comunicada. Caso a marcação original seja desconhecida por algum motivo, isso também deve ser comunicado.

Layton já comprou cerca de 500 veículos que pertenceram a FedEx, e descobriu que cerca de 100 tiveram os painéis mudados.

A maioria dos veículos alterados receberam painéis com o hodômetro digital, diferente do original, que seria analógico. Além disso, os parafusos de fixação usados nos veículos são diferentes dos originais de fábrica.

A FedEx nega as acusações, alegando que não é responsável pela venda dos veículos, que são repassados para a ARI para leilão. A ARI não é citada no processo.

Nos Estados Unidos, os veículos tem uma grande depreciação, e o valor de revenda é melhor se a quilometragem for menor. Por isso, Layton acredita que é por isso que os veículos estão com o hodômetro alterado.

Outro veículo citado no processo, que não teve o modelo divulgado, teria tido o hodômetro alterado de 346.976 milhas para 86.100. Esse veículo teria tido o hodômetro substituído duas vezes, e isso não foi divulgado durante o processo de venda.

Para exemplificar, uma van 2001, com 299.710 milhas no hodômetro é vendida por US$ 1.550. Outra van, do mesmo modelo, porém fabricada em 1997, marcando 43.000 milhas é negociada por US$ 6.800.

Outras pessoas também alegam que foram enganadas no esquema. Um empreiteiro comprou um caminhão FedEx com 67 mil milhas no hodômetro, mas que o caminhão apresenta muitos problemas, mostrando que a marcação pode ser muito maior do que isso. O caminhão foi comprado pelo empresário Layton, como prova no processo.

O empresário então questionou a casa de leilões ARI sobre o fato, e, como resposta, recebeu o banimento de todos os leilões da empresa.

No processo, a FedEx já admitiu que realizou o substituição de hodômetros em 1.611 caminhões, num período de sete anos.

Layton calcula que mais de 18 milhões de milhas rodadas foram ocultadas nos 100 caminhões que comprou.

Outra grande empresa de entregas nos Estados Unidos, a UPS, usa os veículos ao longo de sua vida útil, e quando estão fora de padrão ou muito antigos para continuarem a rodar, são enviados para reciclagem, evitando problemas futuros.

Rafael Brusque – Blog do Caminhoneiro

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