13/06 – Hoje é aniversário da FNM – Fábrica Nacional de Motores

por Blog do Caminhoneiro

Hoje, 13 de junho, é uma data importante a ser lembrada na indústria de transporte rodoviário nacional. Nascia neste dia, a Fábrica Nacional de Motores, em 1942. Conheça parte da história desses 79 anos da montadora que fez história no Brasil, nos parágrafos abaixo.

Apesar disso, a história da montadora é um pouco mais antiga, começando em 1938, quando uma comissão foi criada pelo Governo de Getúlio Vargas, para estudar a criação de uma fábrica de motores para aviões. Em apenas dois meses, os estudos estavam prontos. No ano de 1940, a criação do projeto foi permitida pelo presidente, e a fábrica deveria ser erguida na Serra de Petrópolis, em Xerém, no Rio de Janeiro.

Em 1941, o Coronel Antônio Guedes Muniz viajou para os Estados Unidos, para compra do ferramental e também para a liberação da licença para a produção de motores da empresa Wright Aircraft Engines. A entrada dos Estados Unidos na Segunda Guerra Mundial atrasaram um poucos os planos do governo brasileiro.

Em março de 1942, a Fábrica Nacional de Motores entrou no programa Lend&Lease, sendo beneficiada pelo esforço de guerra dos norte-americanos.

A inauguração da fábrica aconteceu em 13 de junho de 1942, com a fábrica ainda sem equipamentos. No início de 1943, o Presidente Getúlio Vargas se encontrou com o Presidente Roosevelt, na cidade de Natal-RN, negociando a implantação da FNM e da Usina Siderúrgica de Volta Redonda, a futura Companhia Siderúrgica Nacional (CSN).

Durante o ano de 1943, as obras na fábrica foram aceleradas, e começava a chegar o ferramental para a produção de motores.

Primeiro teste com motor de avião

Apesar disso, os primeiro motores radiais de nove cilindros FNM-Wright de 450 cavalos de potência só ficaram prontos em 1946, depois do final da Segunda Guerra. Esses motores já eram considerados obsoletos nessa época.

Primeiros anos

Os primeiros testes com esses motores aconteceram em 1º de abril de 1946, em bancada, com o motor sendo acionado pelo então Presidente da República, Eurico Gaspar Dutra. No mês de agosto daquele ano, o primeiro voo de um motor FNM, em um avião Vultee BT-15 da FAB, equipado com motor FNM-Wright Whirlwind de 450 cv.

Entre 1946 e 1949, a Fábrica Nacional de Motores passou por um momento complicado, e chegou a ser colocada a venda pelo governo, sem nenhum interessado.

Para continuar existindo, a FNM realizava manutenção em motores de aviões, e chegou a produzir geladeiras, bicicletas, e peças sob encomenda para outras empresas.

O primeiro FNM

No começo de 1949, o governo realizou uma negociação com a empresa italiana Isotta Fraschini, para a produção local do caminhão médio IF D80.

Ainda em 1949, foram recebidos os primeiros caminhões, em kits CKD (Completely Knocked Down), com os caminhões parcialmente desmontados, com a finalização da montagem a cargo da FNM. No Brasil, os caminhões foram os primeiros a receberem as letras FNM na diagonal na grade dianteira, e também, tratava-se de um modelo com cabine bicuda. Cerca de 200 kits foram enviados da Itália para o Brasil, que foram montados em 1949 e 1950. Esses caminhões também eram os primeiros modelos diesel fabricados no Brasil.

O caminhão foi batizado no Brasil de FNM D-7300, e era um modelo com cabine semi-avançada, com opções de chassi rígido e cavalo-mecânico, sempre em versão 4×2. O caminhão foi o mais indicado pela Isotta Fraschini para o mercado brasileiro, pois tinha sido desenvolvido para operação na Segunda Guerra Mundial, no norte da África, na campanha realizada pela Itália.

Algumas modificações foram feitas para adequar o Isotta Fraschinni D80 ao território brasileiro, como a mudança do lado da direção, que era direita na Itália, entre outras, pontuais, para adequar o veículo ao mercado brasileiro.

A cabine, produzida na Itália, pelas Indústria Zagato, mantinha um capô sobre o motor, e tinha certo conforto para o motorista. As linhas da cabine exaltavam a robustez do caminhão, que era feito para durar.

O motor era diesel, batizado de I6, com seis cilindros em linha de quatro tempos, com 7,3 litros de cilindrada, e 95 cavalos de potência a 1.900 rpm.

O caminhão tinha partida elétrica, e se destacava pelo baixo consumo de combustível. De acordo com publicidade da época, esses caminhões chegavam a fazer 5,5 km/l, uma média excelente para a época.

Pouco depois do contrato com a FNM, a Isotta Fraschini abriu falência na Itália, interrompendo a produção dos kits para envio ao Brasil. Logo depois, o governo da Itália intermediou o contrato da FNM com a Alfa Romeo, que era uma empresa estatal italiana na época.

Entra a Alfa Romeo

Foi em 1951 que a produção do caminhão FNM 800BR foi iniciada. O caminhão era derivado de um projeto datado de 1939, desenvolvido pela Alfa Romeo para a Segunda Guerra. O caminhão era o Tipo 800 na Itália, e foi usado em vários locais de combate durante a guerra.

O caminhão era equipado com um motor de 8,7 litros e 110 cavalos de potência, com cabine inicialmente importada da Itália, e posteriormente fabricada no Brasil, com diversas versões.

Sobre as cabines, cabe lembrar que o maquinário da Fábrica Nacional de Motores não previa, inicialmente, a prensagem de chapas de aço para a produção de cabines, sendo a maioria das máquinas voltadas para a produção de peças e outras partes estruturais dos caminhões.

Cabine Drulla

Por isso, a marca optou por acelerar a produção de chassis e motores, e contratar empresas terceirizadas para o fornecimento das cabines. Entre elas estavam a Inca, Brasinca, Metro, Caio, Cermava, Drulla e outras. Essa quantidade de cabines diferentes é uma das partes mais interessantes da história da FNM, devido à riqueza de detalhes de muitos modelos, e alguns diferenciais na construção, como as Drulla, que tinham estrutura de madeira, com as chapas presas por parafusos.

No ano de 1953, os caminhões passaram a ser equipados com um novo motor, o AR 900, de 130 cavalos de potência, e passaram a ser chamados de FNM D-9500. Esses caminhões já recebiam uma cabine maior, leito, e se tornou um sucesso imediato, também pela resistência e qualidade de construção, além da facilidade de manutenção.

Os gigantes

Em 1957, foram apresentados ao mercado os novos caminhões D-11000, totalmente renovados, com novo motor, batizado de AR 1610, de 150 cavalos de potência, entre outras novidades. No primeiro ano de produção, 1958, foram fabricadas e imediatamente vendidas 3.990 unidades do modelo.

De acordo com fontes, esses novos motores, fundidos em alumínio, tinham alta porosidade, e permitiam a passagem da água do sistema de arrefecimento para fora do bloco ou para dentro do óleo do cárter. Com isso, os caminhões foram apelidados de Barriga D’Água. A FNM descobriu a origem do problema e substituiu muitos motores que apresentaram o defeito. A produção nacional dos motores começou somente em 1962, com equipamentos importados da Alemanha.

Em 1966, o D-11000 foi apresentado com atualizações importantes no Salão do Automóvel, como um novo motor, de 175 cavalo, batizado de FNM 9610, terceiro eixo instalado de fábrica, nova grade dianteira, além de mudanças internas na cabine e melhorias técnicas.

No ano de 1968, a fábrica foi vendida para a Alfa Romeo, sendo vendida novamente, desta vez para a Fiat, em 1973.

A produção do D-11000 seguiu até 1972, quando foram apresentados os novos modelos FNM 180 e 210, com nova cabine e muitas melhorias técnicas. Esses novos caminhões derivavam de projeto do Alfa Romeo Mille, que foi fabricado na Itália entre 1958 e 1964.

FNM 180

Depois do encerramento da produção do modelo na Itália, os equipamentos foram enviados pela Alfa Romeo para a FNM, para que o 180 pudesse ser fabricado no Brasil.

O 180 e o 210 foram fabricado no país até 1977 como modelos FNM, e depois como Fiat diesel, até 1979. Apesar da mudança de nome, para Fiat 180, o caminhão continuava praticamente idêntico ao modelo apresentado em 1972. Depois de 1979, entraram em cena modelos Fiat, como o 190 e os leves 130.

O fim da história

A história da FNM foi encerrada definitivamente, ou quase isso, em 1985. Em junho daquele ano, um dos diretores da Fiat Caminhões no Brasil, Camilli Donatti, anunciava no Rio de Janeiro, a paralisação das linhas de montagem da empresa.

Reduzidos de cerca de seiscentos para cem, os funcionários da empresa que antes era a poderosa Fiat Diesel, passariam a se dedicar exclusivamente da fabricação de peças para reposição da grande frota Fiat/FNM circulante no Brasil.

Durante os anos em que produziu caminhões, de 1949 a 1985, foram fabricados 57.330 caminhões pesados, 9.129 médios, 6.756 leves e 2.684 ônibus, totalizando 75.899 veículos produzidos.

Entre 1976 e 1978, a Fiat, investiu pesado na linha de montagem de caminhões no Brasil, mas nunca teve o retorno esperado. A fábrica, que poderia produzir 20 mil caminhões por ano e 25 mil motores, fabricou apenas 484 caminhões em 1984 e 117 em 1985.

Além dos caminhões, a Fábrica Nacional de Motores produziu carros, como o FNM JK 2000 e o Alfa Romeo 2300, a partir do anos de 1960 e 1974, respectivamente.

Nova FNM

Apesar de milhares de caminhões FNM ainda circularem pelo país, a marca deixou de ser usada após a Fiat encerrar a produção dos modelos em 1985. No ano de 2020, a marca voltou ao cenário nacional. Ela foi registrada no ano de 2006, com o mesmo brasão derivado do logotipo da Alfa Romeo, mas voltada a ser a Fábrica Nacional de Mobilidades.

O desenvolvimento dos modelos da nova FNM começaram há alguns anos, e, em 2020, os caminhões FNM 832 e 833 ficaram prontos para testes, em parceria com a Agrale.

Diferente dos caminhões FNM antigos, esses são elétricos e rodam praticamente sem emitir nenhum ruído, além de não poluírem.

Mas essa é outra história.

Rafael Brusque – Blog do Caminhoneiro

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