Caminhões de bombeiros equipados com turbinas a jato eram o auge da tecnologia em 1960

por Blog do Caminhoneiro

Motores a diesel são robustos, potentes e confiáveis desde a década de 1920. Porém, ao longo dos anos, não faltaram ideias para a criação de alternativas a esses motores, como uso de combustíveis diferentes, ou arquiteturas totalmente novas. É o caso do uso de turbinas movidas a gás ou outros combustíveis, que passaram por diversos testes entre os anos 1940 a 1970.

Em 1961, a Boeing tinha uma turbina perfeitamente funcional para uso em veículos comerciais, que era leve, pesando pouco mais de 100 quilos, sendo muito menor que um motor diesel, e também evitava o uso de sistemas anexos, como radiador, além de oferecer uma ótima potência.

No dia 27 de janeiro de 1961, o Corpo de Bombeiros de Seattle recebeu aquele que seria o primeiro caminhão de bombeiros do mundo movido com uma turbina. Custando na época pouco mais de US$ 50 mil, o caminhão American LaFrance Série 900 era equipado com uma turbina a gás modelo 502-10MA de 324 cavalos, produzida pela Boeing.

O caminhão recebeu o apelido de Turbo Chief, e se distinguia dos demais por um grande escapamento cromado instalado atrás da cabine. Com a turbina, que podia ser usada com gasolina, querosene, combustível de motores a jato ou diesel a partir de pequenos ajustes, o caminhão tinha uma capacidade de aceleração excepcional, chegando a 80 km/h em apenas 31 segundos no chão plano, ou 56 segundos para atingir a mesma velocidade em uma inclinação de 8%. A turbina também tinha a vantagem de não ter radiador, então o motor não precisava “esquentar” no inverno antes de ser usado.

O caminhão era equipado com uma carreta que tinha uma escada extensível, que podia atingir até 31 metros, e foi adquirido com um contrato que estipulava que a turbina poderia ser trocada por um motor convencional, sem nenhum custo, caso o sistema propulsor fosse considerado inadequado.

O maior problema para os veículos equipados com essa tecnologia era a frenagem. A turbina oferece uma ótima aceleração, porém, tem baixa compressão, o que significa que o freio-motor é inexistente. Como o uso de um veículo de bombeiros é emergencial, a falta do freio motor causou um desgaste excessivo dos sistemas de freios, o que fazia com que o caminhão ficasse muito tempo parado para troca das lonas e tambores de freios.

No final do ano de 1962, o caminhão teve sua turbina trocada por um motor diesel Hall-Scott de 323 cavalos de potência com transmissão padrão Fuller. Em 1977, o veículo recebeu outro motor, um Detroit Diesel de 350 cavalos de potência, com transmissão automática Alisson. Depois disso, o caminhão também passou por uma reforma na lataria, e ficou ainda mais 14 anos em serviço.

Apesar de promissor, o uso de turbinas no lugar dos motores diesel não se tornou viável comercialmente, e acabou virando história. Agora, com muito investimento de diversas empresas, a eletricidade e uso de hidrogênio parecem chegar para aposentar o diesel de uma vez por todas, algo que veremos nos próximos anos.

Rafael Brusque – Blog do Caminhoneiro

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