A International nasceu como International Harvester, fundada em 1902, a partir da fusão de várias empresas, voltadas especialmente ao ramo agrícola. Os primeiros caminhões começaram a ser produzidos em 1907, e, em 1926, a montadora chegou ao Brasil, produzindo caminhões importados dos EUA, que chegavam aqui desmontados. A empresa foi a terceira montadora a se instalar no Brasil, depois da Ford e GM.
Em 1958, a empresa iniciou a produção do N-184, com 10 toneladas de PBT, que seria substituído pelo NV-184 no ano de 1960. Porém, em 1965, sem a produção e vendas terem se tornado rentáveis, a montadora suspendeu as atividade no Brasil, pela primeira vez, com menos de 6 mil veículos produzidos.
Em 1986, a empresa tentou voltar ao Brasil com a produção de caminhões, mas, devido à crise da matriz, que vendeu a unidade de produção de máquinas agrícolas, se tornando Grupo Navistar, a ideia foi dissolvida.
Em 1998, eram produzidos os primeiros caminhões, dos modelos 4700 e 4900, com versões 4×2 e 6×4, com a maioria dos componentes importados, e no ano seguinte, chegava ao mercado brasileiro o primeiro caminhão tipicamente norte-americano, o 9200, com 70% das peças ainda importadas. Era um cavalo-mecânico com tração 6×2 ou 6×4, e PBT de 45 toneladas, com cabine-leito feita em alumínio, com suspensão pneumática, teto alto com defletor integrado, ar-condicionado de série e até computador de bordo, oferecendo cerca de 200 funções. Graças ao uso de alumínio, o caminhão era cerca de 2 toneladas mais leve que modelos da concorrência.
Para esse modelo, o motor era Cummins, de 10,8 litros e 380 cavalos de potência.
A produção do 9800 no Brasil começou logo após o encerramento de sua produção nos Estados Unidos. Com isso, o nosso país passava a ser o fornecedor do modelo para África, Austrália e outros países, inclusive com versão com volante à direita.
O 9200 sairia de linha em 2000, devido ao encerramento de sua produção nos Estados Unidos, de onde vinham a maioria das peças. O 9800 passava a contar com cabine fabricada no Brasil, pela Usiparts e os motores Cummins também eram nacionais, com 380 cavalos. Junto com o 9800, a montadora produzia modelo da Série 4000, com motores Maxion, empresa que a Navistar havia acabado de adquirir.
Em 2003, produzindo apenas para o mercado externo, a montadora comemorava a produção de 1.204 caminhões em 12 meses, um recorde, muito acima do que o mercado nacional absorvia. Junto com o anúncio dos recordes, a montadora lançou o 9800i, uma versão atualizada do 9800, com motor Cummins de 380 ou 405 cavalos de potência, voltado para a América Latina, e 475 cavalos de potência, para África do Sul e Nova Zelândia, com direção à direita. Até 2008, quando completou dez anos de operação com a Agrale, haviam sido produzidos 12.500 caminhões.
Em 2009, a montadora mais uma vez disse que retornaria à produção de caminhões para o mercado nacional, em parceria com a Caterpillar. Apesar disso, isso não se concretizou. Em 2013, a montadora iniciou a produção de modelos para o Brasil, em Canoas-RS, em uma fábrica própria ao lado da MWM Motores.
Além de ter uma rede pequena de assistência técnica, a montadora já tinha fama de ter “abandonado” o Brasil em outras oportunidades, o que causou muita resistência em potências clientes. Em 2013 e 2014, a maioria das vendas da montadora se concentrou em negócios para o PAC, do Governo Federal, que adquiriu algumas centenas do modelo Durastar.
A montadora ainda registra o emplacamento de algumas unidades no Brasil. Apesar da possibilidade de serem modelos importados, algumas unidades produzidas até 2014 ainda seguem com antigos concessionários, sem nunca terem sido emplacados. Entre 2010 e 2021, foram vendidos 2.623 caminhões International no Brasil.
O site da montadora, criado em 2010, ainda existe, e diz que a montadora comercializa os modelos 9800i e Durastar no país desde 2010, apesar do negócio estar paralisado.
Em 2017, a página que a montadora mantinha na rede social Facebook teve o nome alterado para “MWM Motores Diesel Caminhões”, porém, a assessoria disse que foi um erro de estratégia, e que a montadora, apesar da fabricação paralisada desde o final de 2014, tinha intenção de retomar o negócio no Brasil. Atualmente, a página não existe mais.
O modelo 9200, fabricado por pouco tempo, entre 1998 e 2000, teve poucas unidades vendidas, mas era o caminhão norte-americano para o caminhoneiro brasileiro. Uma pena que não fez sucesso. Será que hoje em dia não teríamos os modelos LT e Lonestar vendidos oficialmente por aqui?
Rafael Brusque – Blog do Caminhoneiro
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