International Caminhões – Quando o caminhoneiro brasileiro teve o gostinho de ter um caminhão norte-americano

por Blog do Caminhoneiro

A International Trucks faz parte do Grupo Navistar, que atualmente pertence ao Grupo Traton, da Volkswagen, junto com Scania, MAN e Volkswagen Caminhões e Ônibus. No mercado norte-americano, a empresa tem ótimos resultados, negociando cerca de 2 mil caminhões Classe 8 (cavalos-mecânicos) todos os meses, ficando à frente até mesmo da Volvo Trucks, em setembro deste ano. Mas, apesar do sucesso por lá, aqui no Brasil a marca tentou e não conseguiu conquistar o caminhoneiro. Conheça um pouco dessa história.

A International nasceu como International Harvester, fundada em 1902, a partir da fusão de várias empresas, voltadas especialmente ao ramo agrícola. Os primeiros caminhões começaram a ser produzidos em 1907, e, em 1926, a montadora chegou ao Brasil, produzindo caminhões importados dos EUA, que chegavam aqui desmontados. A empresa foi a terceira montadora a se instalar no Brasil, depois da Ford e GM.

Em 1954, a montadora nacionaliza a maior parte dos componentes para produção do caminhão R-164, que tinha PBT de 7,7 toneladas, onde, em 1955, já produzia em montava totalmente as cabines para o modelo no Brasil, com exceção do para-brisa, que era importado dos EUA.

Em 1958, a empresa iniciou a produção do N-184, com 10 toneladas de PBT, que seria substituído pelo NV-184 no ano de 1960. Porém, em 1965, sem a produção e vendas terem se tornado rentáveis, a montadora suspendeu as atividade no Brasil, pela primeira vez, com menos de 6 mil veículos produzidos.

Em 1986, a empresa tentou voltar ao Brasil com a produção de caminhões, mas, devido à crise da matriz, que vendeu a unidade de produção de máquinas agrícolas, se tornando Grupo Navistar, a ideia foi dissolvida.

Em 1997, com a Agrale como parceria, a montadora norte-americana iniciou a produção no Brasil novamente, em Caxias do Sul-RS, com veículos para o mercado interno e para exportação, principalmente para a África e países da América do Sul.

Em 1998, eram produzidos os primeiros caminhões, dos modelos 4700 e 4900, com versões 4×2 e 6×4, com a maioria dos componentes importados, e no ano seguinte, chegava ao mercado brasileiro o primeiro caminhão tipicamente norte-americano, o 9200, com 70% das peças ainda importadas. Era um cavalo-mecânico com tração 6×2 ou 6×4, e PBT de 45 toneladas, com cabine-leito feita em alumínio, com suspensão pneumática, teto alto com defletor integrado, ar-condicionado de série e até computador de bordo, oferecendo cerca de 200 funções. Graças ao uso de alumínio, o caminhão era cerca de 2 toneladas mais leve que modelos da concorrência.

Para esse modelo, o motor era Cummins, de 10,8 litros e 380 cavalos de potência.

No ano seguinte, chegava ao mercado nacional o 9800, um cavalo-mecânico cara-chata, com cabine em alumínio, e o mesmo motor do 9200, mas com potência maior, de 405 cavalos, exclusivamente em versão 6×4. O câmbio era Eaton Fuller, não sincronizado (caixa seca), e o modelo tinha até mesmo ABS, algo raro para o setor de caminhões.

A produção do 9800 no Brasil começou logo após o encerramento de sua produção nos Estados Unidos. Com isso, o nosso país passava a ser o fornecedor do modelo para África, Austrália e outros países, inclusive com versão com volante à direita.

O 9200 sairia de linha em 2000, devido ao encerramento de sua produção nos Estados Unidos, de onde vinham a maioria das peças. O 9800 passava a contar com cabine fabricada no Brasil, pela Usiparts e os motores Cummins também eram nacionais, com 380 cavalos. Junto com o 9800, a montadora produzia modelo da Série 4000, com motores Maxion, empresa que a Navistar havia acabado de adquirir.

Em 2002, com cerca de 3 mil caminhões vendidos desde 1998, a montadora anunciou a paralisação das vendas no Brasil. Apesar disso, a produção em parceria com a Agrale continuou, exclusivamente do modelo 9800, para exportação. O anúncio feito pela montadora destacava que teve muitos prejuízos no país, e que não conseguia repassar o custo da desvalorização do Real frente ao Dólar para os consumidor, já que muitos componentes continuavam a ser importados.

Em 2003, produzindo apenas para o mercado externo, a montadora comemorava a produção de 1.204 caminhões em 12 meses, um recorde, muito acima do que o mercado nacional absorvia. Junto com o anúncio dos recordes, a montadora lançou o 9800i, uma versão atualizada do 9800, com motor Cummins de 380 ou 405 cavalos de potência, voltado para a América Latina, e 475 cavalos de potência, para África do Sul e Nova Zelândia, com direção à direita. Até 2008, quando completou dez anos de operação com a Agrale, haviam sido produzidos 12.500 caminhões.

Em 2009, a montadora mais uma vez disse que retornaria à produção de caminhões para o mercado nacional, em parceria com a Caterpillar. Apesar disso, isso não se concretizou. Em 2013, a montadora iniciou a produção de modelos para o Brasil, em Canoas-RS, em uma fábrica própria ao lado da MWM Motores.

Eram fabricados os modelos 9800i e o Durastar, semipesado com motor de 7,2 litros e potência de 280 cavalos. Apesar disso, a produção durou muito pouco. No final de 2014, a montadora suspendeu temporariamente a produção no Brasil. Temporariamente até hoje, já que nunca mais retomou o negócio no nosso país.

Além de ter uma rede pequena de assistência técnica, a montadora já tinha fama de ter “abandonado” o Brasil em outras oportunidades, o que causou muita resistência em potências clientes. Em 2013 e 2014, a maioria das vendas da montadora se concentrou em negócios para o PAC, do Governo Federal, que adquiriu algumas centenas do modelo Durastar.

A montadora ainda registra o emplacamento de algumas unidades no Brasil. Apesar da possibilidade de serem modelos importados, algumas unidades produzidas até 2014 ainda seguem com antigos concessionários, sem nunca terem sido emplacados. Entre 2010 e 2021, foram vendidos 2.623 caminhões International no Brasil.

O site da montadora, criado em 2010, ainda existe, e diz que a montadora comercializa os modelos 9800i e Durastar no país desde 2010, apesar do negócio estar paralisado.

Em 2017, a página que a montadora mantinha na rede social Facebook teve o nome alterado para “MWM Motores Diesel Caminhões”, porém, a assessoria disse que foi um erro de estratégia, e que a montadora, apesar da fabricação paralisada desde o final de 2014, tinha intenção de retomar o negócio no Brasil. Atualmente, a página não existe mais.

O modelo 9200, fabricado por pouco tempo, entre 1998 e 2000, teve poucas unidades vendidas, mas era o caminhão norte-americano para o caminhoneiro brasileiro. Uma pena que não fez sucesso. Será que hoje em dia não teríamos os modelos LT e Lonestar vendidos oficialmente por aqui?

Rafael Brusque – Blog do Caminhoneiro

9 comentários

Nei 15/03/2022 - 20:58

Tenho o internacional 9800i até hoje digo q é um caminhão muito forte motor excelente acho na minha opinião q a internacional errou em parar a produção no Brasil se tivesse continuado com o novo modelo q apresentou na fenatran teria dado muito certo

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GALIANO PACCINI NETO 12/11/2021 - 20:20

Os pesados da Internacional, são excelentes equipamentos rodoviários. Uma opção a mais para o segmento dos transportes e há espaço para essa montadora de caminhões no Brasil.

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Jorge Tadeu Canto da Silva. 12/11/2021 - 08:12

Para mim, os caminhões norte americanos são os mais bonitos.

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Jedi 12/11/2021 - 07:02

Eu tive um 9800i aqui no Brasil e pra falar bem a verdade me arrependo de ter vendido , seria show se a internacional voltar a fabrica-los mas eu compraria numa próxima oportunidade um bicudo sem dúvidas .

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André 12/11/2021 - 05:53

Nunca ouvi falar dessa empresa aqui.

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Eduardo Madeira 09/11/2021 - 20:58

Acho que foi o contrário, o Brasil não valorizou a empresa, pois além de serem bonitos os caminhões não foram aceitos pelos brasileiros por serem caminhões norte americanos mas gostam de veículos europeus tipo volvo, Scania e Mercedes bens, eu tenho um internacional 9800i muito bom mas é um caminhão para estradas boas não essas esburacadas aqui do Brasil.

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Valnei 09/11/2021 - 18:25

Seria a realização de um sonho poder comprar aqui no Brasil um ” LONESTAR “.Um caminhão que não deixa você sentir falta de uma casa nem de um motor.

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Marcos França 09/11/2021 - 13:25

E pena q uma enorme empresa, como a International não Valorizou o Brasil.

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Jean 09/11/2021 - 12:50

Bah cara, EUA é o país dos meus sonhos, esse 9200 é o caminhão mais top rodando no Brasil

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