J. Pedro Corrêa – Juntos salvamos vidas!

por J. Pedro Correa

A campanha do Maio Amarelo deste ano está a pleno vapor e, pelo que tenho observado, vai muito bem. Mantenho contatos cotidianos com boa parte do país e, por eles, percebo sinais de que a mobilização tem chegado a todos os lados. Sem dúvida, é o maior movimento em favor do trânsito na história do país.

Acompanho os movimentos pela segurança no trânsito há mais de 30 anos e uma das impressões mais fortes que ficam é a determinação, a voluntariedade daqueles que se envolvem nas campanhas. Muito embora sejamos um país onde segurança no trânsito não seja prioridade, aqueles que compraram a ideia se dedicam a ela com enorme disposição. O caso do Maio Amarelo é um bom exemplo disto.

No meio da semana o Observatório Nacional de Segurança Viária, que coordena o movimento e conta com o apoio da Secretaria Nacional de Trânsito (Senatran), divulgou que 13 mil downloads dos materiais da campanha Maio Amarelo 2022 já haviam sido feitos. O ONSV informa também que centenas de colaboradores, observadores e voluntários, bem motivados e de posse de bom material de campanha, se incumbem da disseminação do movimento pelos 4 cantos do país. Isto significa que muita gente que ainda não tinha consciência da importância da segurança no trânsito passa a ter e, oxalá, adira ao movimento.

Julgo que o êxito do movimento é importante para mostrar que a comunidade do trânsito amadureceu ao longo dos anos a ponto de realizar uma mobilização do tamanho do Maio Amarelo. Um trabalho deste porte custa tempo, dinheiro e organização e sem um deles, não tem como ser realizado. Para isto, o ONSV conseguiu patrocinadores que, ao final da campanha, espero fiquem satisfeitos com o resultado da exposição de suas marcas e estejam prontos para novas empreitadas.

Esta é a 9ª edição do Maio Amarelo e certamente os organizadores utilizaram este ano tudo o que devem ter aprendido nos eventos anteriores. Como sou testemunha desde os anos 1980 das grandes campanhas de segurança no trânsito pelo Brasil posso dizer que evoluímos bastante neste período mas ainda temos o que aprender. Grandes mobilizações (regionais) como da ONG Vida Urgente, de Porto Alegre ou da Marcha pela Paz no Trânsito em Brasília, do Correio Braziliense, que mobilizou 25 mil pessoas em 1996, são apenas dois exemplos que mostram que, quando nos determinamos a fazer algo, geralmente conseguimos. Espero que, doravante, tenhamos mais movimentos de grande porte para tirar a sociedade da fase da reflexão e trazê-la para a ação de campo, isto é, partindo para resultados concretos. Necessitamos, principalmente, aprimorarmos nossa capacidade de avaliação destas campanhas e programas. Por que digo isto?

Quando se indaga sobre resultados de determinadas campanhas ou mesmo de ações isoladas, em geral, as respostas são quantitativas. Exemplo, programas de educação para o trânsito. “Atingimos mais de 50.000 alunos, 10.000 professores, 50.000 pessoas, 100 municípios, 10.000 cartilhas, folhetos, manuais, etc.” Às vezes menciona-se até o total de investimento financeiro feito. Isto pode ser bom para mostrar o esforço feito mas não qualifica o resultado. Se a ação objetivava a segurança no trânsito, é imperativo apontar que benefícios concretos foram atingidos como redução de vítimas ou de sinistros.

No que diz respeito ao Maio Amarelo, tenho um certo sentimento de que muitos voluntários que aderiram e respondem pela disseminação da campanha pelo país não perceberam o real alcance da mensagem do movimento deste ano. Tenho a sensação de que, só por repetirem o slogan Juntos salvamos vidas, parece já estarem salvando vidas, o que obviamente não é o caso. Cheguei a checar isto com voluntários.

Estive no lançamento do Maio Amarelo deste ano em Curitiba e senti o cuidado do vice-presidente do ONSV, Mauro Gil Merger, em dizer que são necessárias ações concretas para dar sentido prático ao slogan. Só repetir o slogan não basta, não salva vidas. É necessário dar mais concretude à este tipo de mobilização. Se não nos dermos conta disso, podemos empacar na sequência do caminho.

Claro que entendo que não é tão fácil assim penetrar nas mentes de tanta gente que quer, efetivamente ajudar mas que não consegue assimilar o real alcance da mensagem. É parte do processo de aprendizado, mas é essencial que seja atingido.

O ideal no caso de um movimento tão grande como Maio Amarelo é que ele fosse realizado em paralelo com ações de outras instituições, para se complementarem. Assim, enquanto milhares de voluntários saem pelas cidades conclamando a sociedade a salvar vidas, outras ações como na área da saúde (atendimentos de emergência, prontos socorros, hospitais), da fiscalização (agentes de trânsito, policiamento rodoviário, até mesmo emissões de multas), sinalização (semáforos, radares, lombadas eletrônicas) são desenvolvidas ao mesmo tempo, dando concretude e maior impacto ao movimento. Isto requer a coordenação eficaz de um órgão nacional. Além de otimizar esforços e recursos, estes movimentos sincronizados servem para mostrar coesão de esforços para atingimento de resultados globais de maior expressão.

Quando junho deste ano chegar e o ONSV mostrar os resultados alcançados pelo movimento Maio Amarelo deste ano será pena se não puder mencionar quantas vidas foram salvas, dada a dificuldade de mensurá-las. Será inegável, contudo, reconhecer o tamanho da mobilização e os benefícios trazidos à maior conscientização da sociedade. Não deixa de ser um avanço mas poderia ter sido ainda maior. Quem sabe ano que vem?

J. Pedro Corrêa – Consultor em programas de segurança no trânsito
jpedro@jpccommunication.com.br

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