Ford AA Konings Siam – O curioso caminhão duplo da década de 1930

No início da era do automóvel, os motores não eram eficientes. Mesmo modelos diesel avançados da época, conseguiam aproveitar menos de 30% da energia que produziam, gastando mais combustível e tendo pouca força.

E as cargas não paravam de crescer. Por isso, os anos de 1920 a 1940 deram lugar a centenas, talvez milhares, de invenções mirabolantes, especialmente no setor de transportes.

É o caso do Konings Siam, que pode ser traduzido do holandês como siamês de Konings, uma oficina de criada em 1873, especializada em modificações de veículos, que funcionava desde 1873.

A encomenda partiu de uma empresa que fazia vendas e transporte de farinha, algo muito pesado para os caminhões da época. Até existiam modelos maiores, mas os preços eram demasiadamente altos.

Por isso, a Smeets te Roermond encomendou à Konings a criação de um caminhão único, utilizando como base dois Ford AA. Esses caminhões eram muito baratos, mas a capacidade máxima de carga era de 2,5 toneladas.

A ideia do caminhão siamês foi concebida pelo Engenheiro HC Olivier, que era muito experiente na indústria automotiva. O desenvolvimento do veículo coube à Leo Konings e o engenheiro Karel Konings.

Simplificando, a ideia era unir os dois Ford lado a lado, para que a potência e a capacidade de carga fossem dobradas. Apesar de serem unidos, os dois caminhões tinham motores, caixas de câmbio, eixo cardã e diferenciais totalmente separados.

Os eixos traseiros também eram bastante modificados, para ficarem mais estreitos, sem exceder o limite de largura da época.

O motorista, que sentava no meio do veículo, tinha comando separados para cada motor e caixa de câmbio. Isso garantia que apenas um motor pudesse ser usado quando o caminhão estava vazio, por exemplo. Quando a carga pesava sobre o chassi, o segundo motor era acionado, dobrando a potência.

O motorista precisava usar dois pedais de embreagem e duas alavancas de marchas, já que os câmbios eram completamente separados.

O sistema de freios, direção e outros comandos eram modificados para funcionarem em sistemas únicos, evitando que o motorista precisasse fazer mais malabarismos na cabine para operar o veículo.

Com um sistema engenhoso, a suspensão traseira era totalmente independente, e poderia girar para os lados, conforme a seta “A” exibida na imagem acima, apresentada na época.

O caminhão foi usado por algum tempo com uma carroceria sobre o chassi, e mais tarde ganhou uma carreta, com engate por quinta-roda. A carreta também usava um sistema de eixos traseiros com rodados duplos, semelhante ao usado no caminhão.

Não se sabe se mais algum Konings Siam foi construído depois dessa primeira unidade para a Smeets te Roermond.

Infelizmente, parece que o caminhão acabou virando sucata, e não há registros posteriores dele. A empresa Konings ainda existe hoje em dia, como VDL Konings BV.

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