São cinco horas da madrugada.
Saio de casa e entro na boleia.
Ouço o chamado da estrada.
Chegar ao destino logo, minha ideia.
Dou partida no meu caminhão.
O motor acorda roncando grosso.
Fazer transporte é minha profissão.
Não tenho horário fixo para almoço.
Quando pego a rodovia
O sol ainda não saiu.
Vou dirigir até o fim do dia.
Enfrentar o asfalto bravio.
O cavalo Ford que dirijo.
É um caminhão bem antigo.
Ao volante dele, me regozijo.
Ganhar meu pão, com ele consigo.
Ford V8 Big Job é meu caminhão.
Cavalo trucado verdadeira lenda.
Por onde passa, ele chama a atenção.
Esse bruto valente garante minha renda.
Enfrento madrugadas frias.
Com chuva ou denso nevoeiro.
Cortando estrada, esses são meus dias.
Sou feliz por ser carreteiro.
Subindo ou descendo ladeira.
Força de sobra o motor tem.
Conheço cada metro dessa terra brasileira.
Após cada viagem, volto para meu bem.
Prefiro sair de viagem bem cedo.
A madrugada é minha companheira.
De raios de sol vejo arremedo.
Nessa viagem levo carga de madeira.
Mas poderia ser secos e molhados.
Combustível ou ate carga de areia.
Semirreboque baú com enlatados.
Trigo, soja, milho, feijão ou aveia.
Não é qualquer um que o dirige.
Na tocada desse bruto tenho traquejo.
Muita competência na condução exige.
Vivo na prática o que outros tem desejo.
Cada quilômetro que eu venço.
Estou mais próximo de cumprir a missão.
Para me motivar, em minha amada penso.
De minha vida, aquela mulher é a razão.
Um caminhoneiro deve ter para quem voltar.
Eu tenho certamente o melhor motivo.
Dirigir meu Ford Big Job e com ele rodar.
Mas é por aquela mulher que eu vivo.
O motor diesel em perfeita sincronia.
É música para ouvidos de um apreciador.
Som ritmado, verdadeira sinfonia.
Nesse meu estradeiro eu dou valor.
Entrego a carga e outra já busco.
Paro para comer e dormir pouco.
Encosto o caminhão ao chegar o lusco-fusco.
Virar a noite com sono, não sou louco.
Apesar de amar a estrada e o caminhão.
Minha felicidade é quando regresso.
Volto para os braços de minha paixão.
Estar com ela, para Deus é tudo que peço.
As vezes ela viaja comigo.
Na boleia sinto tanta paz.
Ela encosta em meu ombro amigo.
Na cama-leito o amor se faz.
Sou um carreteiro feliz.
Vivo em dois mundos bem diferentes.
Que sou o melhor homem ela me diz.
Sou o mais realizado dos viventes.
Autor: Roberto Dias Alvares
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