J. Pedro Corrêa – Copa e emoções

por J. Pedro Correa

Como fui jornalista esportivo por muitos anos, ainda que isto tenha sido há muito tempo, não há como não se emocionar com a realização de uma copa do mundo. Esta, que começa neste final de semana no Catar, apesar de características muito especiais, não é diferente.

O futebol continua sendo motivo de uma enorme paixão de classes (ópio do povo?) e em nome desta paixão cometem-se muitos exageros que podem ter consequências graves para os envolvidos. Assim, é importante que, de um lado, vivamos com intensidade as suas emoções, mas, que de outro, saibamos refrear comportamentos para evitar abusos danosos.

Já não penso tanto nos encontros que ocorrem nas residências, bares, clubes e outros locais que se preparam para mostrar a copa, mas me preocupo com os deslocamentos no trânsito, antes dos jogos quando a pressa em chegar é inimiga da segurança. Naturalmente, depois dos jogos, notadamente se o Brasil ganhar, aí vem o perigo maior pois, além do entusiasmo da vitória, podem ser marcantes os sinais de exagero em razão do consumo de bebida alcoólica, o que favorece os sinistros nas ruas.

Não conheço estatísticas sobre estas situações, mas a julgar pela empolgação que se vê nas ruas do país, certamente o risco cresce bastante e perdas ocorrem. Me diz o pessoal da Prefeitura de Curitiba que, pelo menos por aqui, as manifestações não têm provocado problemas maiores. Oxalá tenhamos uma copa pacífica neste sentido em todo o Brasil.

Jogos do Brasil na copa são momentos em que as pessoas extravasam emoções e o congraçamento entre elas é marcante. Quem sabe este final de ano, com copa do mundo e natal emendados, não será uma boa oportunidade para reaproximações entre aqueles que se distanciaram no calor da última campanha eleitoral para a presidência da república quando nervos ficaram à flor a pele e, em muitos casos, explodiram! Que as explosões, agora, sejam apenas de sentimentos positivos e que a paz possa voltar a reinar entre todos os brasileiros.

De minha parte confesso meu sentimento de emoção por ter vivenciado grandes momentos como este da copa ao longo de minha carreira profissional. Tive oportunidade de cobrir, como jornalista, vários eventos de porte mundial e que deixaram profundos ensinamentos. Destaco dois deles: em 1974, o campeonato mundial de futebol, na Alemanha, vencido por ela mesma, numa dramática final contra a Holanda que, por sinal, havia eliminado o Brasil. Dois anos antes, em 1972, estava em Munique, na Alemanha, para cobrir os Jogos Olímpicos e pude sentir de perto as emoções da maior competição esportiva do mundo. Para quem vivia do esporte e para o esporte, momentos assim não têm preço.

Alguns anos depois de terminada minha temporada na Europa, de volta ao Brasil e me vejo diante de um desafio que jamais teria imaginado: o de comandar a comunicação social da Volvo que acabara de se instalar em Curitiba e tocar um desafiador projeto de diálogo com a sociedade brasileira. Em seguida surgia a oportunidade de desenvolver o Programa de Segurança no Trânsito com o objetivo de despertar a sociedade para a violência nas ruas e estradas.

Não sei ao certo, mas parece que o destino caprichou no desenho deste caminho para mim: quando me dei conta da imensa tarefa que tinha pela frente, não tive qualquer dúvida de, aos poucos, ir colocando um substituto na gerência da comunicação, para que eu pudesse me dedicar inteiramente à segurança no trânsito. Sentia que o país precisava daquela ajuda, que a empresa podia ajudar e eu deveria ser “a ponte”. O programa cumpriu seu papel, a sociedade ganhou muito, o Brasil melhorou bastante, a Volvo reforçou seus laços com a sociedade e eu me realizei fazendo a minha parte com a ajuda dos colegas da empresa.

Enquanto narro estes fragmentos de histórias me ocorre a importância e o significado do verbo servir. Servir à sociedade ou à uma causa social é uma das coisas mais grandiosas da vida. Poder cobrir uma copa do mundo, ou os jogos olímpicos, transmitindo as emoções sentidas no palco dos acontecimentos, tem praticamente a mesma carga de emoção de poder ajudar a sociedade a entender algo que transcendia à sua compreensão como a violência do nosso trânsito do fim. Algumas décadas depois, ainda não estamos livres deste mal, mas já podemos nos orgulhar de termos dados passos essenciais.

Conto estes fatos para incentivar jovens em geral e mesmos outros que se dedicam a melhorar o trânsito que procuram respostas de como ser úteis à sociedade a que tentem encontrar nas causas sociais os ótimos motivos para as abraçarem. O Brasil é um ótimo laboratório para desenvolver projetos que atenuem as desigualdades, que ajudem a sociedade, principalmente aquela menos desenvolvida a buscar suas próprias luzes para iluminar os caminhos do futuro.

A grandeza de servir pode ter custo, mas não tem preço!

J. Pedro Corrêa – Consultor em programas de segurança no trânsito
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