O Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços anunciou na tarde de ontem uma parceria entre as empresas Gerdau, Vamos (concessionárias Transrio e Tietê) e Volkswagen Caminhões e Ônibus, que prevê a retirada de pelo menos 100 caminhões com mais de 20 anos de uso das estradas brasileiras.
As empresas utilizarão o programa de renovação de frota apresentado pelo Governo Federal em junho. Pela baixa adesão, o programa, previsto para durar quatro meses, será estendido.
De acordo com o Ministério, apenas R$ 270 milhões foram utilizados para renovação de frota de caminhões e ônibus. O valor total dos recursos é de R$ 1 bilhão em créditos tributários, sendo R$ 700 milhões para caminhões e R$ 300 milhões para ônibus.
O anúncio foi feito pelo presidente da República em exercício e ministro do Desenvolvimento, Comércio e Indústria, Geraldo Alckmin, em evento em uma das unidades da Gerdau.
Além do programa de renovação de frota já anunciado, Alckmin destacou que o BNDES terá uma linha de crédito especial, para financiamento de caminhões novos, totalizando R$ 1 bilhão, atrelada à taxa Selic pós-fixada.
Lançado pelo Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços no dia 6 de junho, o programa de renovação de frota foi instituído pela Medida Provisória nº 1175 e prevê retirar de circulação ônibus e caminhões no fim da vida útil e com destinação da sucata.
O objetivo é proporcionar mais qualidade de vida e rentabilidade para motoristas autônomos, elevar a produtividade do sistema logístico brasileiro, contribuir com a economia e com um futuro mais sustentável, além de reduzir a emissão de partículas poluentes e os acidentes de trânsito.
Os interessados em realizarem a troca de um caminhão antigo por um novo recebem descontos que variam de R$ 33,6 mil a R$ 99,4 mil, dependendo do tipo e tamanho do veículo.
O comprador precisa entregar um eículo equivalente com mais de 20 anos de uso para reciclagem e dar baixa no respectivo Detran. Essa obrigatoriedade – fundamental para que o programa cumpra seu compromisso com a descarbonização – vinha tornando as negociações mais lentas, devidos aos procedimentos específicos de cada departamento estadual de trânsito e à capacidade das recicladoras.
No último dia 27, entretanto, o Conselho Nacional de Trânsito (Contran) publicou deliberação simplificando os procedimentos de baixa, o que deve acelerar os processos a partir de agora.
Para ter acesso aos créditos, grandes empresas, como o Grupo Vamos, têm comprado caminhões velhos de caminhoneiros autônomos, e feito a destinação dos veículos à reciclagem.
De acordo com o ministério, além de aquecer o mercado automotivo e manter funcionando a cadeia produtiva do setor, o programa contribui para colocar em circulação veículos com mais eficiência energética e, portanto, menos poluentes.
Para realizar a aquisição, a empresa fez a prospecção de caminhões em locais onde se concentra esse tipo de veículo, como os portos em Santos (SP) e no Rio de Janeiro (RJ). Com 53 anos, por exemplo, o caminhão mais antigo estava em atividade no Porto de Santos, onde atuava no transporte de mercadorias entre armazéns.
Após a desmobilização, a Vamos encaminhará os veículos adquiridos à Gerdau, maior recicladora de sucata ferrosa da América Latina, que será responsável por transformá-los em matéria-prima para a produção de aço 100% reciclável e com uma baixa pegada de carbono.
Com isso, se encerra o ciclo de vida do caminhão em linha com a economia circular, conceito que consiste na criação de soluções colaborativas para incentivar a reciclagem e reutilização de matérias-primas, proporcionando um uso mais sustentável dos recursos naturais.
“Essa parceria que estamos anunciando hoje é um exemplo da nossa confiança no ambiente favorável de negócios que temos aqui no Brasil, e contribui para o fortalecimento do setor industrial brasileiro como um todo”, finalizou o vice-presidente da Gerdau, Rubens Pereira.
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