Dragon Wagon, um caminhão que fazia 100 m com 1 litro de gasolina e cuspia fogo


Mas alguns tipos de transporte, como o de cargas superdimensionadas, necessitavam de caminhões maiores. Foi então que os irmãos Shirata fundaram uma empresa na cidade de Nagano, se tornando referência nesse tipo de transporte no Japão.
Na década de 1960 eles utilizaram velhos caminhões da Segunda Guerra Mundial (vindos dos Estados Unidos e vendidos para civis), como os clássicos GMC CCKW e Diamond T, para transportar cargas maiores. Mas ainda eram pequenos, precisava de caminhões capazes de transportar cargas ainda maiores. Foi então que a empresa dos irmãos Shirata criou um verdadeiro monstro sobre rodas.

O Dragon Wagon, ou M25 Tank Transporter como era seu nome oficial, foi um caminhão originalmente projetado para o exército dos EUA com o objetivo de transportar tanques na década de 1940. O cavalo mecânico (chamado de M26) foi criado pela Pacific Car & Foundry Co. (atual Paccar) e o reboque (M21) pela Fruehauf Trailer Co.

Curiosamente, o M26 tinha um motor a gasolina Hall-Scott 440 (os americanos não gostavam muito de motores a diesel), de 17,9 litros e 6 cilindros com potência de 240 cv. Para a época era impressionante e suficiente para movimentar o conjunto, que podia chegar a 74 toneladas quando carregado. A velocidade máxima era de aproximadamente 40 km/h e o consumo o mais impressionante: entre 80 e 270 litros de gasolina a cada 100 km rodado! E daí vem o apelido de Dragon Wagon, pois o imenso motor a gasolina literalmente cuspia fogo pelo escapamento.
O cavalo mecânico pesava 22 toneladas, tinha 7,7 metros de comprimento, 3,3 metros de largura e 3,5 metros de altura. A versão militar tinha cabine blindada. Várias cópias foram posteriormente entregues a usuários civis nos EUA, quando os irmãos Shirata adquiriram um exemplar. Eles retiraram a blindagem, pintaram de azul e trocaram a carreta para um modelo mais adequado ao transporte de cargas superdimensionadas.
O Dragon Wagon foi bem-sucedido no trabalho pela província de Nagano, transportando entre outras coisas, transformados para usinas de energia ou peças para construção de pontes. Os próprios motoristas aparentemente gostaram muito deste equipamento, principalmente no inverno, porque notaram que o escapamento cuspidor de fogo era uma boa fonte de aquecimento.
Novamente o ponto negativo era o consumo: de acordo com os japoneses, o caminhão consumiu 1 litro de gasolina numa distância de 100 metros, o que significaria que seriam necessários até 1.000 litros de combustível para percorrer 100 quilômetros.

Esta é mais uma das histórias sobre caminhões diferentes e únicos com final feliz, pois o Dragon Wagon ficou abandonado em um galpão por vários anos até ser encontrado em 2015 e restaurado, num processo que levou três anos.
A título de curiosidade, um exemplar do Dragon Wagon com carreta prancha, veio para o Brasil na década de 1950 para servir no exército brasileiro como objeto de estudo, junto com diversos outros veículos, blindados e motores, através de um programa de assistência militar do exército americano. Mas essa história fica para outro artigo.




