HISTÓRIA DA ESTRADA – A REVOLTA DOS CAMINHONEIROS
Essa é a história de Basílio.
Homem de personalidade forte.
No transporte de grãos, soja e milho.
Viajando do Sul até o Norte.
Basílio, um bravo carreteiro.
Como seu cavalo não há nenhum.
Veloz e potente estradeiro.
Mercedes Benz dezenove quarenta e um.
Homem de endurecida face.
Calejado pelas dificuldades da estrada.
Defensor dos caminhoneiros, sua classe.
Considerava a categoria desprestigiada.
Qualquer notícia na televisão.
Com algum caminhoneiro envolvido.
Era só para falar de acidente com caminhão.
Tratando o profissional como bandido.
Leis mais duras e restritivas.
Eram impostas aos profissionais do volante.
As autoridades policiais eram abusivas.
Tentando prejudicá-los a todo instante.
Basílio fez parte do sindicato.
Mas lá só teve decepção.
Não defendiam a classe, era uma fato.
Em vez do caminhoneiro, estavam ao lado do patrão.
Mas na estrada além do transporte.
Mostrava personalidade e liderança.
Pelos caminhoneiros lutaria até a morte.
Ganhou dos estradeiros a confiança.
Mas os políticos em Brasília.
Preparavam mais uma carga de tributos.
Pedágio, combustivel, tudo aumentaria.
Isso geraria para todos, amargos frutos.
Os sindicatos não mobilizavam ninguém.
Pois seus líderes não tinham moral.
Não queriam indispor-se também.
Recebiam dinheiro do Governo Federal.
Sem conseguir mobilização.
Os caminhoneiros estavam sós.
Mas em meio a desorganização.
Ergueu-se uma alta e respeitada voz.
Basílio organizou a greve.
E certamente o Brasil pararia.
União conseguida de maneira breve.
Caminhoneiros marchariam para Brasília.
Convenceu os transportadores.
A ficarem ao lado dos caminhoneiros.
Também eles sofriam os dessabores
das decisões de políticos interesseiros.
A Capital Federal foi sitiada.
Ninguém entrava e ninguém saia.
Não iria se transportar nada.
Combustível logo faltaria.
Os senadores e os deputados.
Não podiam voar em seus jatos.
Querosene para aviões não foi levado.
Permaneciam arrogantes sobre seus sapatos.
Todas as avenidas fechadas.
Impediam o tráfego de fluir.
Máquinas estradeiras ali deixadas
Não haviam meios de sair.
Exército e polícia tentaram intervir.
Mas não sabiam como proceder.
Os caminhoneiros iriam agir.
A mudança tinha de acontecer.
Foram ao Palácio do Planalto.
Queriam falar com o Presidente.
Eles, dignos profissionais do asfalto.
Mereciam ser tratados como gente.
Basílio ia à frente dos caminhoneiros.
Que seguiam em uma lenta caminhada.
Lutavam por todos os brasileiros.
Que não acreditavam na política e em mais nada.
Basílio e um grupo de heróis da estrada.
Foram recebidos pelo Ministro dos Transportes.
O político falou, falou e não disse nada.
Intimidado com aquele grupo de fortes.
Basílio foi direto ao ponto.
Sem caminhão o País não anda.
O objetivo daquele encontro.
Discutir o problema com quem manda.
Diminuir impostos e valor do pedágio.
Aumentar o valor do frete e a segurança.
O transporte rodoviário em momento frágil.
Nos políticos não havia mais confiança.
Não sairiam da Capital da Nação
sem resolverem o problema.
Não queriam promessas, e sim solução.
“Asfalto sem caminhão” era o lema.
Ninguém os obrigaria a trabalhar.
E quando tivesse faltando tudo.
A população com o governo iria se revoltar.
O ministro ouvia assustado e mudo.
Garantiu que levaria ao Presidente.
As reivindicações e as necessidades.
Pedia a Basilio uma coisa somente:
Que liberasse as ruas da cidade.
Basílio disse ao Ministro ali presente.
Que levariam os caminhões à periferia.
Mostraria atitude de homem decente.
Se não cumprisse o prometido, ele voltaria.
Quando deixaram aquele salão.
O Ministro correu até o presidente.
Disse que o líder daquela rebelião
deveria ser eliminado urgente.
Basílio não era de nenhum sindicato.
Mas era a cabeça pensante da categoria.
Era o líder e articulador de fato.
Sem ele, tudo ao normal voltaria.
Basílio e um grupo de caminhoneiros.
Conversavam em volta de uma fogueira.
Ao fundo, repousavam os estradeiros.
Entre eles havia uma cobra traiçoeira.
Era um matador de aluguel.
Se passando por caminhoneiro.
Homem a serviço do mau, cruel.
Contratado do governo brasileiro.
Mistura-se com o grupo ali perto.
E disfarçando, puxa a pistola.
Média distância mas o tiro parte certo.
Um zunido e um corpo caído que rola.
Basílio amparado pelos colegas.
Marca de sangue perto do coração.
Caminhoneiros procuravam às cegas.
Aquele atentado causou grande comoção.
O corpo de Basílio imóvel no chão.
Entre os caminhoneiros correu o boato.
O líder daquela grande mobilização.
Morrera assassinado, isso era fato.
Após fugir do local do assassinato.
Onde matara o carreteiro Basílio.
O pistoleiro foi cercado como um rato.
Um policial a sua frente puxou o gatilho.
Tombou morto aquele pistoeiro.
Afinal não o deixariam ficar vivo.
Não iria se arriscar o governo brasileiro.
Morte daquele homem era queima de arquivo.
Quando vieram buscar o corpo de Basílio.
Os caminhoneiros já o haviam removido.
Para legistas e policia criaram empecilho.
O caminhoneiro morto havia sumido.
Tentando mostrar alguma solidariedade.
Àquele homem de grande coragem.
Em sua funeral presença de autoridade.
Fariam discurso em sua homenagem.
Naquela semana em todo o Brasil.
Nenhum caminhão rodou pela rodovia.
A maior mobilização espontânea que se viu.
Outra também estava ocorrendo em Brasília.
Em frente ao Palácio do Planalto.
Sobre uma carreta havia um caixão.
Nele o corpo de um herói do asfalto.
Morto por lutar contra a escravidão.
Em um imenso e alto palanque.
Políticos discursavam empolgados.
Carretas e bitrens, carga seca e tanque.
Infinidade de caminhões enfileirados.
Os caminhoneiros já de saco cheio.
Não aguentavam aquela conversa fiada.
Uma carreta saiu ali do meio.
E na frente do palanque ficou atravessada.
Era o Mercedes Benz do Basílio.
Mas quem estaria ao volante?
O espanto se espalhou como rastilho.
Era o caminhoneiro que surgia triunfante.
Um braço suspenso por tipoia.
Mas conseguia dirigir naturalmente.
Basílio planejou engenhosa tramoia.
Enganou deputados, ministros e Presidente.
O tiro disparado pelo assassino.
O atingiu no ombro direito.
Plano arquitetado por político cretino.
Transformado por Basílio em plano perfeito.
Pediu que o tirassem do local.
E que espalhassem boato de sua morte.
Se pensassem que o disparo fora mortal
a mobilização dos carreteiros seria mais forte.
A televisão que fazia a cobertura.
Da greve, negociações e do funeral.
Repórter se aproximou da carreta aquela altura
e aproveitou aquela situação fora do normal.
Perguntou gaguejando a Basílio.
Qual seria a atitude dos motoristas de caminhão.
Ele disse: “Desse País sou honesto filho.
E luto para a melhoria dessa grande nação”.
“Mas os políticos que aí estão.
Vivem bem do sofrimento alheio”.
“Estão contaminados pela corrupção.
E mereciam apanhar de relho”.
Dito isso com naturalidade.
Partiu sendo seguido pelos demais.
Políticos corruptos dizendo ser autoridades.
Sacrificar esse povo ordeiro não poderão mais.
Desmoralizados por aquele carreteiro.
Que lutou bravamente por seus direitos.
Teve resposta nas urnas do povo brasileiro.
E nenhum daqueles foram mais eleitos.
Os caminhoneiros foram parcialmente atendidos.
Mas para o Brasil foi muito maior o ganho.
Mostrou que essas mulheres e homens oprimidos.
Juntos tem uma força sem tamanho.
Autor: Roberto Dias Alvares


História que narra uma fictícia paralisação de caminhoneiros que causa impacto no alto escalão político pois o líder dos caminhoneiros é alguém que sabe o que os motoristas de caminhão passam