Caminhões de empresa fictícia transportaram um avião secreto e valioso nos EUA

Contudo, era fácil perceber que um avião inimigo estava por perto. Foi então que a CIA encomendou da Lockheed um avião especial para reconhecimento, que fosse rápido e operasse em grandes altitudes. Assim surgiu o A-12, um avião supersônico que chegava a cerca de 3700 km/h e voava a quase 29 km de altura, sendo assim, um avião quase imperceptível para os radares e sistemas de monitoramento da época.

Mas aqui é um blog sobre caminhões, então vamos falar sobre o transporte desse avião. O desafio foi levar o A-12 do local onde foi fabricado, na Califórnia, até a área de testes (Área 51) em Nevada, distante aproximadamente 250 milhas ou 400 km em linha reta.
Transportar de forma secreta um objeto tão grande e valioso foi um desafio logístico. Foram desenvolvidas caixas para acomodar o avião, que foi separado em dois caminhões, sendo um com a fuselagem principal e outro com outras partes como as asas e outros elementos. Por melhor que fosse a rota escolhida, algumas árvores tiveram de ser cortadas e até escavações na beira da pista foram necessárias.

Com base nas fotos, foram utilizados caminhões Kenworth 923, parecidos com o clássico W900. O curioso é que os agentes da CIA criaram uma transportadora fictícia chamada Roadrunner Internationale, especialmente para esse transporte. A ideia era confundir possíveis espiões e assegurar que o A-12 chegasse na Área 51 ainda em segredo.
Houveram contratempos, normal em um transporte especial e diferente como esse. Um caminhão afundou no chão por conta do peso e um ônibus da Greyhound bateu em uma das caixas de transporte. Conta um agente da CIA que o motorista do ônibus recebeu imediatamente centenas de dólares para reparar os danos e não informar a seguradora sobre o incidente.

Depois de três dias, o comboio chegou ao seu destino com segurança. Muitas informações, incluindo a extensão exata do percurso, não foram divulgadas. Uma série de testes foram realizados com o A-12, até ser rapidamente substituído por uma variante mais avançada, o SR-71 Blackbird, que serviu na Força Aérea dos EUA até 1998. Nesse período, realizou centenas de voos sobre a União Soviética e outros países sem nunca ter sido abatido.
