HISTÓRIA DA ESTRADA – BOA VIAGEM AMOR
Em casa sou homem do lar.
Minha esposa que sai a trabalho.
Eu lavo roupa e sei cozinhar.
Na vida doméstica não quebro galho.
Faço bem meu serviço.
As contas e boletos eu pago.
Deveres de homem não sou omisso.
Para minha amada não nego afago.
Ela tem muito talento para dirigir.
Não conduz qualquer carro, todavia.
Motorista empenhada no ir-e-vir.
Dirige imensa carreta pela rodovia.
Para dirigir nunca tive talento.
Já minha esposa, é uma profissional.
Ser bom cozinheiro, para mim é alento.
Dirigindo um estradeiro, ela é a tal.
Na transportadora em que trabalha.
É a motorista mais respeitada, eu sei.
Na condução de caminhão, não falha.
Deram para ela o Iveco S-Way.
É o cavalo mais moderno que existe.
Produzido pela montadora Iveco.
Que eu viaje com ela, as vezes insiste.
Não gostar da estrada, nisso eu peco.
Enquanto minha amada viaja.
Eu cuido dos afazeres domésticos.
Saber que cuido da casa a encoraja.
Na academia exercito dotes atléticos.
Enquanto me mantenho em forma.
Ela dirige o Iveco com maestria.
Muita gente, comigo não se conforma.
Acham que tenho uma vida vazia.
À vida moderna me adapto.
Trabalhar fora não é comigo.
Para ser homem do lar estou apto.
Feliz com minha vida, a todos eu digo.
Sei que minha esposa é assediada.
O tal do caminhoneiro, oh raça.
Quando ela está comigo se sente amada.
Amor como eu faço, não há quem faça.
Ser homem digno, minha parte eu faço.
Ela não precisa buscar carinho fora de casa.
Para carência afetiva não dou espaço.
Quando ela chega, nossa paixão extravasa.
Dou um chamego e faço carinhos.
Nas intimidades, deixo ela no clima.
Arte de amar, conheço todos os caminhos.
Sou homem que trata bem e ainda mima.
Quando ela sai para viajar no Iveco.
Me leva no pensamento e no coração.
Faço a mala e se está tudo certo eu checo.
Vai tranquila pois sabe que é minha paixão.
Temos um filho e cuido dele a contento.
Sei que para ela é mais difícil dar atenção.
Levo no colégio, preparo seu alimento.
Na escola, dos pais vou na reunião.
As mães de alunos ao me verem lá.
Sentem por mim desejo e atração.
Igual a mim, outro marido não há.
Sabem que sou homem que dou atenção.
A esposa sente ciúmes, mas nega.
Eu não dou motivo e ando direito.
Se conversando com outra me pega.
Se achega e encosta em meu peito.
Eu confesso, não tenho ciúme.
Sei que minha carreteira é fiel.
Ando arrumado, uso bom perfume.
Quando a beijo, ela se sente no céu.
Muitas vezes ela dorme pela estrada.
Sinto a saudade cortar como faca.
Pelo telefone conversamos até madrugada.
Dessa forma um pouco da saudade aplaca.
Após uma semana, ela volta ao lar.
Eu a recebo com o carinho que ela merece.
Algo especial, para ela vou preparar.
Com a distância nosso amor só cresce.
Jantamos em clima de romance.
Na cama, faço todas as vontades dela.
Eu a tenho ali, ao meu alcance.
A mulher mais encantadora de todas é ela.
Nos divertimos, eu, ela é nosso rebento.
A partida dela, nosso filho chora de dor.
Ela diz que voltará logo, é um alento.
Digo a ela: “Boa viagem, amor”.
Autor: Roberto Dias Alvares


História da estrada que valoriza a mulher caminhoneira que trabalha e traz o sustento para casa, lutando contra as adversidades e contra a saudade da família.