Isso é evidenciado em caminhões com o estilo mais tradicional, como Peterbilt e Kenworth, que tem um degrau na lateral da cabine, no espaço entre o posto de comando, que tem o painel, volante e assentos, e a parte traseira, onde está o leito.
A diferença de largura total para um caminhão europeu, na área de comando, pode ser superior a um metro. E é bem difícil de as marcas norte-americanas conseguirem mudar isso.
Por exemplo, o Peterbilt 589, lançado há pouco tempo, tem a cabine mais larga na frente, 20 cm a mais do que o modelo anterior, o 389. Além disso, ganhou para-brisa panorâmico, sem a divisória central. Apesar da evolução, a nova cabine recebeu muitas críticas.
Para os motoristas dos Estados Unidos, a cabine mais estreita tem muitas vantagens, com os comandos mais próximos da mão, e facilidade de alcançar itens no banco do passageiro, por exemplo. E isso vem lá dos anos 1940 e 1950, por exemplo.
Naquela época, a maioria dos caminhões tinha projetos que derivava de picapes, utilizando boa parte das características delas, incluindo as pequenas cabines. Mesmo modelos com a cabine sobre o motor utilizavam o mesmo tipo de cabine, bem pequena.
Por muitos e muitos anos, essa foi a solução ideal, já que os motoristas gostavam e o custo de desenvolvimento era muito menor para as fabricantes. Com o passar do tempo, o design dos caminhões foi sendo atualizado, mas o tamanho das cabines cresceu muito pouco, ficando pouco mais largos do que automóveis de passageiros.
Foi só nos anos 1990 que os primeiros caminhões com leito integrado, especialmente modelos Volvo VN e Kenworth T2000, que as cabines começaram a ter o posto de comando mais largo, mas apenas em cerca de 20 cm.
Apesar de crescerem, essas cabines ainda são mais estreitas que modelos europeus. O Volvo VNL tem 2,12 metros de largura, de porta a porta, enquanto o FH, produzido na Europa e no Brasil, tem 2,50 metros de largura. Ou seja, são quase 40 cm de diferença.
E isso provavelmente nunca vai mudar. A indústria de transportes nos Estados Unidos é uma das mais conservadoras do mundo, com as mudanças sendo aceitas com muita resistência.
E isso fica ainda mais evidente com caminhões produzidos com o projeto quase idêntico ao dos anos 1960, como é o caso do imponente Kenworth W900L, que segue no mercado, apesar de já ter recebido um substituto, o W990, que também foi bastante criticado por tentar atualizar uma lenda.
Ou seja, o espaço menor para trabalhar não significa necessariamente menos conforto na hora do descanso.
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