Uma bomba ambulante – conheça os perigosos caminhões romenos equipados a gás

Mas passando os dados históricos e políticos, no fim desse período houve uma escassez muito grande de petróleo no país devido à exportação excessiva. Para remediar esta situação, os engenheiros locais decidiram abastecer os motores diesel com metano comprimido, ou GNV, como é hoje conhecido. Essa “tecnologia” já tinha sido apresentada em 1947 no país como uma evolução, mas menos de 40 anos depois, era a cura para a crise dos combustíveis. Os romenos chegaram à conclusão de que a utilização de gás comprimido lhes permitiria reduzir a procura de diesel.
Este plano de emergência começou a ser implementado em 1982. Inicialmente pretendia-se equipar os ônibus urbanos com GNV, mas com o tempo essas atividades foram ampliadas para incluir caminhões e até pequenos veículos de entrega. Falando neles, a maioria eram designs antigos derivados dos Fords americanos da virada das décadas de 1950 e 1960.
Voltando ao sistema de gás, foram utilizados dois tipos de implementação: em uma das opções o motor funcionava 40% com diesel e 60% com GNV, enquanto na outra, 100% com GNV, sendo necessária a adição de ignição por centelha. Tanques enormes foram adicionados nos veículos, geralmente no teto ou na carroceria.
O design foi motivo de piada entre os romenos, porque os caminhões pareciam transportar mísseis. Eles brincavam dizendo que o ditador estava a tentar assustar tanto os Estados Unidos como a China com a sua frota de “mísseis”.
O GNV é um gás bastante perigoso que pode explodir em concentrações muito altas. Os tanques e as instalações não eram de muito boa qualidade, e por isso os motoristas foram aconselhados a dirigir devagar e com cautela. Os tanques geravam medo de explosões e o centro de gravidade do veículo também era alterado, por isso eram considerados praticamente bombas ambulantes.
Apesar disso não houve acidentes documentados e o maior empecilho foi a quantidade de problemas que esse sistema dava, não sendo no fim, uma solução econômica de fato. No final da década de 1980 quando a ditadura foi derrubada e o mercado de combustível normalizado, os romenos abandonaram esse sistema rapidamente.



