HISTÓRIA DA ESTRADA – CONTO DE NATAL 2024

Final de ano, uma correria.
Na estrada os carros andam velozes.
Movimento intenso em qualquer rodovia.
Caminhões e ônibus rugem ferozes.
Felipe é um bom carreteiro.
Nessa época, sua atenção redobra.
Conduz com cautela seu estradeiro.
Talento para isso tem de sobra.
Quando a carga tinha horário.
Acelerava seu Ford Cargo.
Seguia rigorosamente o itinerário.
Andava rápido como um dardo.
Véspera de Natal, uma loucura.
Motoristas andam acima do limite.
Felipe leva na ponta dos dedos a viatura.
Não anda dopado nem usa rebite.
Felipe dirigia seu cavalo Ford Cargo.
Estrada bem cuidada, mas perigosa.
Levando carregamento de aspargo.
Carreta seguia por rodovia sinuosa.
Felipe dirigia a carreta com cuidado.
Outros motoristas não faziam o mesmo.
Freio-motor segurava o cavalo trucado.
Veículos leves ultrapassavam a esmo.
Esse carreteiro, homem religioso.
Pessoa de fé, temente a Deus.
Rezava sempre para o Todo Poderoso.
Agradecia as dádivas vindas dos céus.
Eis que um carro desgovernado.
Não há motorista que o controle.
Felipe tinha seu conjunto controlado.
Mas desviá-lo da colisão não foi mole.
Escapou da colisão frontal.
Mas o carro atingiu o semirreboque.
Do veículo foi a destruição total.
Felipe tudo fez para evitar o choque.
Ao descer de seu caminhão.
Desespero, de seu coração verte.
O que viu, causou nele comoção.
No asfalto, havia um corpo inerte.
Venceu o medo e o mal-estar.
Aproximou-se daquela vítima.
Não sentia a pessoa respirar.
Que estava morta, certeza nítida.
Olhou para aquele corpo.
Tentou sentir, mas não tinha pulso.
Sem sinais vitais, estava morto.
De fugir dali sentiu um impulso.
Contudo, seu espírito cristão.
Não admitia deixar ali aquela pessoa.
Sentiu tristeza no coração.
Uma vida se perder assim, à toa.
Ligou para o corpo de bombeiros.
Explicou toda a situação.
Pior momento entre os caminhoneiros.
Sentia-se responsável por morte do irmão.
Nesse momento, chega um caminhão.
Um Mercedes Benz daqueles antigos.
Desceu um homem, parecia um ancião.
Tinha um olhar doce, dos mais amigos.
Aproximou-se bem devagar.
Felipe chorava de tristeza.
O homem disse para ele se acalmar.
Deus daria um jeito com certeza.
Felipe mal olhava para aquele senhor.
Voz embargada, lágrimas molhavam a face.
Mesmo sem ser culpado, sentia essa dor.
Nenhuma palavra que o consolasse.
O ancião foi até o motorista morto.
Felipe olhava, sem conter o pranto.
O homem olhou para o céu, estava absorto.
O carreteiro achou que ele parecia um santo.
O homem fez uma oração.
De Felipe aumentou o espanto.
Pareceu ver do cadáver uma contração.
Será que o homem era realmente Santo.
O ancião abaixou, tocou do morto a testa.
O antes morto abriu os olhos e sentou-se.
Felipe assustado, mas coração em festa.
O outrora falecido, enfim levantou-se.
Felipe foi até o motorista do automóvel.
Sem acreditar naquilo que via.
Aquele corpo inerte, sem vida e imóvel.
De pé à sua frente, o homem vivia.
Quando Felipe olhou para trás.
Queria agradecer àquele homem pelo milagre.
O Mercedes Benz partia deixando-os para trás.
O que fez por ele, nada havia que pague.
Enquanto se afastava o Mercedes cara chata.
Um detalhe pelo carreteiro pode ser visto.
Conseguiu enxergar os números da placa.
JC2024, eram as iniciais de Jesus Cristo.
Pesquisou aquele número no aplicativo.
Sentiu um arrepio no que no celular via.
Ao lado do antes morto e agora vivo.
Dizia que aquele número de placa não existia.
Quando chegaram os socorristas.
Vendo a gravidade do acidente.
Do que aconteceu não tinham pistas.
Quem sabia era Felipe somente.
Na véspera de Natal aquele acidente.
Foi a presença daquela figura radiante.
Que fez um morto tornar-se vivente.
Presente dado pelo aniversariante.
Felipe se tornou ainda mais religioso.
Entre seus pares era bem-quisto.
Contava que conheceu um homem milagroso.
Que esse homem era Jesus Cristo.
AUTOR Roberto Dias Alvares

Espero que apreciem esse conto de natal.