HISTÓRIA DA ESTRADA – O GRANDE CARRETEIRO

Nas estradas brasileiras têm de tudo.
Caminhoneiros de todas as idades.
A grande maioria, com pouco estudo.
Experiência da vida, a maior das faculdades.
Também tem todo tipo de caminhão.
Bitrens, carretas, muriçocas, caminhões tocos.
A maioria dos brutos da nova geração.
Da velha guarda, na ativa não são poucos.
A nova geração de motoristas.
Acham que os veteranos não têm mais vez.
Molecada acredita ser dona das pistas.
Por imprudência, morre algum todo mês.
Maurício tem seus quarenta anos.
Está no meio dessas duas gerações.
É dono de seu destino e de seus planos.
Vive sozinho e deve ter suas razões.
Na estrada, sua tocada não é lenta.
Na velocidade, contudo não exagera.
Seu cavalo, um Fiat cento e noventa.
Monstro lendário tal qual uma quimera.
Maurício dirige com imenso prazer.
Foram anos preparando o caminhão.
Quando comprou, havia tanto por fazer.
Por isso, ao volante se enche de satisfação.
O interior da cabine é um luxo.
Conforto para quem passa dias em viagem.
Rodoar para não rodar com pneu murcho.
O bruto parece verdadeira miragem.
Dos mais jovens carrega a ousadia.
Dos mais velhos, tem o bom-senso.
Largo sorriso demonstra sua alegria.
No bolso, o hábito de ter um lenço.
Transporta no semirreboque baú.
Carga seca e o que mais puder levar.
Vai de Loanda a Piraí do Sul.
O que ele gosta é transportar.
Tem certeza de uma coisa o Maurício.
Seu caminhão é a estrela, a estrada o palco.
Vê-lo sendo admirado valeu todo sacrifício.
Banco de couro com perfume de talco.
Maurício sabe que os novos caminhões.
Na estrada, terão cada vez mais espaço.
Motores potentes, verdadeiros rojões.
Para segura-los, precisa cada vez menos braço.
Fiat cento e noventa, que máquina incrível.
Com motorista Nutella não tolera desaforo.
Moleque inexperiente acha-o bruto temível.
Dirigi-lo, seria como montar indomável touro.
Mas para o carreteiro Maurício.
O cavalo de aço é seu brinquedo.
Não teme serra, nem precipício.
Dirigir caminhão clássico não tem medo.
Tem o respeito dos jovens motoristas.
Pois o que tem de sobra é arrojo.
Com seu cavalo devora as pistas.
De assaltantes de estrada tem nojo.
Dos motoristas da velha guarda
Também é respeitado porque respeita.
Sabe que o tempo passa e a velhice não tarda.
As dificuldades da vida, com calma aceita.
Ele já encarou situação bem difícil.
Foi na descida de uma perigosa serra.
Mostrou muita coragem o Maurício.
Carreteiro que ao volante não erra.
Pedido de socorro pelo rádio amador.
Um caminhoneiro perdera o freio.
O caminhão novo de grande valor.
Poderia causar acidente bem feio.
Maurício tentaria dar um jeito.
Pensou rápido em uma solução.
Não sabia se tudo sairia direito.
Com a carreta pararia o caminhão.
Olhou pelo seu retrovisor.
Lá vinha o caminhão descontrolado.
Maurício engatou, juntou no motor.
Foi segurando até o bruto ter encostado.
O caminhão embalado empurrando.
Com Maurício, o negócio ou vai ou racha.
Aos poucos o estradeiro foi parando.
O carreteiro segurando o Fiat na marcha.
Enfim o caminhão acabou parando.
Colado no semirreboque do Maurício.
O Fiat cento e noventa segurando.
Imobilizou a centímetros do precipício.
Maurício foi considerado um herói.
Não se deixou levar por esse ato.
Ajudar um amigo é bom e não dói.
Era um grande carreteiro de fato.
Ainda hoje Maurício é visto.
Dirigindo seu poderoso cavalo.
Coloca a vida nas mãos de Jesus Cristo.
Para onde vai, faz questão de levá-lo.
Autor: Roberto Dias Alvares
