HISTÓRIA DA ESTRADA – O CARRETEIRO E A INSTRUTORA DE ACADEMIA

Imagem Divulgação

Ela é uma menina muito gata.
Na academia, essa mulher arrasa.
Faz qualquer exercício, parece acrobata.
Para malhar o corpinho nunca se atrasa.

O nome da menina é Flora.
É linda muito além da conta.
Por ela qualquer homem chora.
Para outras mulheres, uma afronta.

Quando ela está em ação.
Exercitando a musculatura.
Os homens perdem a noção.
Ela é sensualidade pura.

Alguns rapazes bombados.
Que vivem para fazer exercícios.
Por Flora, estão hipnotizados.
Para tê-la fazem todos os sacrifícios.

Corpo na malhação esculpido.
Perfeita em cada mínimo detalhe.
Rapazes pedem para ser seu marido.
Barriguinha parece ter sido feito entalhe.

Naquela famosa academia.
Era assídua frequentadora.
Flora ia malhar todo santo dia.
Acabou contratada como instrutora.

Os homens que frequentavam o lugar.
Se perguntavam quem seria o sortudo.
Com nenhum deles ela quis namorar.
Aquela mulher estava com tudo.

Para nenhum deles, ela dava moral.
Quando fazia exercícios, parava a academia.
Mesmo o homem que se achava o tal.
Na mão de Flora penava e sofria.

Certo dia apareceu naquele lugar.
Um rapaz fora dos padrões de beleza.
Barriguinha de cerveja, precisaria malhar.
Queria se matricular com certeza.

Os homens no Cross over e no Legpress.
Outros na adutora-abdutora e na esteira.
Aquela mulher, linda da cabeça aos pés.
Representava a essência da mulher brasileira.

Para espanto dos rapazes musculosos.
Ela abriu um sorriso ao ver aquele rapaz.
Caminhou até ele, cabelos sedosos.
Tanta beleza junta, como era capaz?

Aproximou-se do rapaz fora de forma.
Deu-lhe um beijo, coisa de cinema.
Ninguém ali acredita ou se conforma.
Homens malhados viveram dilema.

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Flora disse que iria embora.
Deu um tchau e partiu com ele.
Pela vidraça viram do lado de fora.
Ela abraçada e segurando a mão dele.

Provavelmente era um homem rico.
Para conquista-la não tinha outra explicação.
Pareciam lavadeiras fazendo fuxico.
Ele abriu a porta e ela entrou em um caminhão.

Até o dono daquele lugar estava passado.
Dentro da academia houve grande comoção.
Em vez dela embarcar em um carro importado.
Entrou a bordo de um antigo caminhão.

O rapaz era um carreteiro dos bons.
Tinha um FNM com cabine Brasinca.
Tratar bem as mulheres, um de seus dons.
Ao volante, parece criança que brinca.

Era um FNM Brasinca “boca de bagre”.
Tornado cavalo mecânico com terceiro eixo.
Escapar do desmanche, verdadeiro milagre.
Restaurado para encarar o trecho.

Ela ficou alguns dias sem aparecer.
O que poderia ter acontecido?
Na academia ninguém conseguia entender.
Não o achavam digno de ser namorado ou marido.

Passados alguns dias depois.
Aquele FNM parou defronte à academia.
Desceram do cavalo mecânico os dois.
O namorado de mãos dadas e Flora que sorria.

Na verdade, não eram mais namorados.
Ostentavam orgulhosos lindas alianças.
Estavam noivos, em breve casados.
Ambos estavam felizes como crianças.

Enquanto ela fazia alongamento e supino.
O noivo à distância, tomava cerveja.
Por ter o amor da beleza do sexo feminino.
Os rapazes não escondiam a inveja.

Um deles foi até ele, corpo suado.
Aproximou-se e sem cerimônia.
Puxou a cadeira e ali sentado.
Foi perguntando sem parcimônia.

Como mulher tão linda e sensual.
Havia por ele se interessado?
Barriga saliente, sem apelo sexual.
Além disso, caminhoneiro e pé-rapado.

O noivo, dando um gole na cerveja.
Olhou para o narcisista e pouco inteligente.
Disse: “Se uma mulher assim você almeja”.
“Seja romântico e olhe-a nos olhos de frente”.

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“Ela não é só um corpo bonito e escultural”.
“Não a olhe como um pedaço de carne somente”.
“Mostre que ela é para você a pessoa ideal”.
“Linda, determinada, forte e inteligente”.

As palavras do rapaz cortavam como chicote.
O rato de academia achava aquilo um acinte.
“Olhe nos seus olhos e não no seu decote”.
“Deixe-a falar e seja um bom ouvinte. ”

E naquela conversa para pôr fim.
O noivo deu sua sentença.
“Aquela mulher perfeita se interessa por mim”.
“Porque ela gosta de homem que pensa”.

“Não basta ter músculos avantajados.
“Exercitar-se até o limite da exaustão”.
“Precisa protegê-la e cerca-la de cuidados”.
“Amá-la e exercitar os sentimentos do coração”.

Após essa conversa dura e forte.
O rapaz se encolheu e baixou a crista.
Mulher não admira o homem por seu porte.
Sensibilidade é muito mais bem vista.

Novamente Flora embarcou no caminhão.
E ao lado do noivo partiu bem feliz.
Ela era beleza, sensualidade e sedução.
Perfeição humana de uma miss.

O dono do FNM Brasinca “boca de bagre”.
Levava na cabine a mais linda flor.
Por mais que a sorte o bafeje e o consagre.
Ele deu a Flora sua vida e seu amor.

Autor: Roberto Dias Alvares

Roberto Dias Alvares

Casado com uma mulher linda. Pai de filha abençoada. Santista ainda. Escritor e poeta da estrada.

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