Falta de caminhoneiros no Brasil se torna problema estrutural para transportadoras

Danilo Guedes, vice-presidente da NTC&Logística, e membro da Organização Mundial do Transporte (IRU) destacou que a falta de motoristas profissionais no Brasil vem se tornando um problema estrutural cada vez mais grave. O executivo fez o alerta em participação na IRU recentemente.
De acordo com os dados de pesquisas, a escassez de caminhoneiros no Brasil é de 11%, em linha com a média global. Pouco mais da metade dos operadores brasileiros relataram dificuldades de recrutamento “graves” ou “muito graves”.
“A cifra de 11% ajuda a mensurar o problema”, disse Danilo Guedes. “Mas, honestamente, em muitas operações de transporte, a percepção é de que a escassez é ainda maior.”
Apesar de o número parecer baixo, as empresas já sentem impactos diretos em suas operações diárias de transporte. Em alguns casos, há caminhões e carga disponíveis, mas as empresas não têm motoristas qualificados em número suficiente para transportá-los.
Esse problema tem se tornado significativo em todo o Brasil. O que antes era um problema de recrutamento localizado ou ocasional tornou-se um desafio trabalhista mais amplo. Afeta a capacidade, o crescimento e a confiabilidade das redes logísticas em um país onde os caminhões desempenham um papel fundamental na movimentação de mercadorias.
O transporte rodoviário é a espinha dorsal da logística brasileira, transportando mais de 65% de todas as mercadorias em volume dentro do país.
Problema
O que está acontecendo dentro do Brasil é que diversos problemas separados estão convergindo em um mesmo ponto. Motoristas experientes estão se aposentando. Poucos jovens estão ingressando na profissão. Ao mesmo tempo, a demanda por logística continua a crescer.
“Há cinco anos, a escassez já existia, mas era um desafio administrável”, disse Danilo Guedes. “Hoje, ela afeta diretamente a capacidade de crescimento das empresas.”
E o problema é um reflexo do que já acontece em grandes economias ao longo de anos anteriores. O maior desafio é trazer novos motoristas para o setor, especialmente os mais jovens, que já não tem interesse em trabalhar na cabine de um caminhão. Com o envelhecimento da mão de obra, o número de aposentadorias vai, aos poucos, superando o número de novos motoristas, e a pressão tende a aumentar ano após ano.
A força de trabalho de motoristas no Brasil é mais jovem do que em vários outros mercados pesquisados: 11% dos motoristas têm menos de 25 anos, enquanto 24% têm 55 anos ou mais. A idade média fica em torno de 42 a 44 anos, em comparação com 48 anos na Europa e 51 anos na Austrália.
Para Guedes, três questões são fundamentai para reduzir o tamanho do problema, passando por formação, reconhecimento profissional e renovação geracional.
Piores cenários
De acordo com os dados da IRU, a escassez de motoristas não é uniforme dentro do Brasil. Setores especializados tem enfrentado mais pressão, especialmente dentro do transporte internacional, o transporte de mercadorias perigosas, o transporte de veículos e cargas de alto valor.
Isso porque essas operações exigem mais do que um motorista habilitado. Requerem experiência, conhecimento técnico e treinamento específico.
Outro desafio é que as pequenas e médias empresas tem enfrentado mais dificuldades, especialmente para reter os motoristas, pois não dispõem dos mesmos recursos que as empresas maiores.
Mas nas empresas de maior porte, o número de vagas abertas também não para de crescer.
Na questão regional também existem grandes diferenças. A escassez é mais intensa ao longo dos principais corredores logísticos do Brasil, no Sul, Sudeste e Centro-Oeste. Essas são as regiões onde a demanda por transporte é maior e onde a economia depende fortemente da movimentação eficiente de cargas.
“O problema é mais intenso justamente onde a economia brasileira mais precisa de transporte”, disse Danilo Guedes.
Mais mulheres aqui do que no mundo
O Brasil se destaca em uma área importante: a participação feminina. As mulheres representam 10% dos motoristas de caminhão no Brasil, a maior participação entre todos os mercados pesquisados e próxima da média do setor de transportes em geral, de 12%.
Isso é encorajador. Mas também aponta para uma oportunidade mais ampla. Atrair mais mulheres, mais jovens e mais profissionais qualificados será essencial se o Brasil quiser reduzir a desigualdade.
A mensagem da NTC&Logística é clara. A escassez de motoristas no Brasil não se resume às vagas atuais; trata-se da capacidade futura do setor de transporte rodoviário.
Sem uma renovação mais robusta, a disparidade continuará a aumentar.

Nunca foi falta de profissional, sempre foi falta de respeito, de valorização, de salário e imensa burocracia pra contratar um motorista. Termina desistimulando e com muda de profissão. Um exemplo claro sou eu, meu único filho não quer nem saber de caminhão, eu passei vinte e cinco anos na profissão e hj estou em outra totalmente diferente.
Porque não falar Sobre o Salário Oferecidos pelas Empresas ?
Doque a Novela de Falta de Motoristas ?