Pesquisa mostra que 71% dos caminhoneiros precisam de tratamento dentário

Uma pesquisa realizada por alunos do curso de Odontologia da Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia mostra que os caminhoneiros que atuam na região têm alta prevalência de perda dentária. Segundo o estudo, 71% dos motoristas avaliados necessitam de tratamento protético (próteses dentárias).
O trabalho de pesquisa também mostra que o cuidado com a saúde bucal é insatisfatório. A rotina intensa de trabalho, marcada por longas jornadas, pouco descanso, alimentação inadequada e o acesso restrito aos serviços de saúde, interfere diretamente no cuidado com o corpo e com a boca. Fatores como estresse, tabagismo e uso de álcool também tornam esses profissionais vulneráveis ao agravamento de problemas que poderiam ser evitados.
Durante a realização da pesquisa, foram feitos questionários e exames com 93 caminhoneiros na região de Jequié-BA.
Os atendimentos ocorreram no Odontomóvel, um veículo cedido pela Prefeitura que conta com dois consultórios adaptados, durante as ações do projeto de extensão “Saúde na BR”, da Uesb.
“Durante a ação, além das avaliações clínicas, também foram realizadas ações de orientação em saúde e higiene bucal”, explica Ana Lúcia Cunha, uma das pesquisadoras à frente da pesquisa.
Impacto social
Apesar de serem fundamentais para a economia do país, os caminhoneiros frequentemente enfrentam barreiras para cuidar da própria saúde. Sob a perspectiva científica, o estudo preenche uma lacuna importante, já que ainda existem poucas pesquisas voltadas especificamente para a saúde bucal dessa categoria.
A pesquisadora Maria Vitória Santos, também integrante da pesquisa, ressalta que o trabalho nasceu do desejo de olhar para essa população invisibilizada e que a experiência em campo vai muito além da prática profissional.
“Estar em contato com os caminhoneiros, ouvir suas histórias e compreender os desafios que enfrentam diariamente me fez perceber, ainda mais, a importância de levar o cuidado em saúde a populações que, muitas vezes, permanecem invisíveis aos serviços de saúde”, afirma Maria Vitória.
