A MANOBRA QUEBRA DE ASA – Scania R124 6×2

quebrada de asa




Vanderlei, jovem motorista
conquistou a habilitação.
Pensava em sair para a pista
dirigindo um potente caminhão.

Com dezenove anos de idade
tornou-se profissional da estrada.
Para dirigir tinha habilidade.
Seu defeito, não temia nada.

Por ser hábil piloto
ganhou a confiança do patrão.
Parecia irresponsável garoto
Mas como dirigia bem caminhão.

Por ser bom na direção,
em poucos anos de trecho
já não dirigia mais caminhão,
e sim cavalo com terceiro eixo.

Usava toda a potência
mostrando ser ótimo profissional.
Mas devido a má influência
seguiu o caminho do mal.

Caminhoneiros irresponsáveis
faziam manobras ilegais.
Influenciar o menino foram capazes.
Motoristas agindo como marginais.

Na lida em constante vai-e-vem
Vanderlei se deixou influenciar.
Conduzindo gigantesco bitrem
coisa errada começou a praticar.

No volante era ágil,
mas que condução era aquela?
Ao passar pelo pedágio
arrancava a cancela.

Fazendo condução nada lenta,
com potente Scania soberano.
andando a cento e quarenta.
Dirigia como um insano.

Acelerando e mandando brasa
Forçando o seu bruto potente.
Começou fazer quebra de asa
com risco de causar acidente.

Como um peão de boiadeiro,
Arriscar-se, necessitava disso.
Na condução de seu estradeiro
ficou auto confiante e omisso.

Alguns falsos amigos
o acompanhavam para filmar.
Vanderlei expunha-se a perigos
podendo grave acidente causar.

As quebras de asa que fazia
punham as rodas do conjunto no ar.
Não imaginava que o que fazia
um preço alto iria lhe cobrar.

Com o tempo o carreteiro Vanderlei
era admirado por agir errado.
Fazendo manobras fora da lei.
Maltratava seu cavalo trucado.

O patrão de Vanderlei
não imaginava o que ele fazia.
Homem correto, de nome Nei.
De transporte era dono da companhia.

Em um trecho reto e comprido
Vanderlei ziguezagueava alucinado.
Na quebra de asa, veio o castigo.
Pneu do reboque acabou estourado.

Perdeu o controle do cavalo
e um carro em sentido contrário.
O conjunto iria esmagá-lo.
Mais uma tragédia no noticiário.

A sua frente, rostos em desespero.
Morte por causa de seu exibicionismo.
Jogou para fora seu estradeiro.
Precipitou-se em um grande abismo.

Evitou a perda de quatro vidas.
mas para ele triste consequência.
Pensou ser a única saída.
No ultimo momento teve coerência.

Parecia que o mundo girava,
mas era o bitrem capotando.
Sentiu que tudo acabava.
Sua vida estaria terminando?

De repente perdeu a consciência.
Achou que tinha morrido afinal.
Suas más atitudes tiveram consequência.
Despertou em uma cama de hospital.

Quando seus olhos ele abriu,
viu ao lado da cama o patrão.
Suas pernas não sentiu.
Para ele uma desolação.

O padrão falou, enérgico
que ele deveria se conformar.
Tinha ficado paraplégico.
Nunca mais iria andar.

Este foi o preço pago
pela sua atitude impensada.
Em sua mente, um pensamento vago.
Sua vida estava arruinada.

Quando saiu do hospital
receberia justa punição.
Ao apresentar-se ao tribunal
o juiz não deu-lhe condenação.

Do juiz estava na presença,
para ele momento sofrido.
O magistrado proferiu a sentença.
Estava aleijado, já fôra punido.

Senhor Nei seu patrão
teve pena do rapaz.
Ao volante de um caminhão
ele não poderia estar mais.

Vanderlei passou a trabalhar
no escritório da empresa de transporte.
De lá ficava a observar.
Ainda considerava-se um homem de sorte.

Se estava daquele jeito
Fora o único culpado.
Deus o fizera fisicamente perfeito.
E só agora isso era valorizado.

No começo cheio de revolta
mas depois acabou resignado.
Sua situação não tinha mais volta.
Mas ele havia aceitado.

Aos estudos teve dedicação.
Fez inclusive faculdade.
Formou-se em administração
e encontrou a felicidade.

Estava paraplégico mas não morto.
Casou-se e constituiu família.
Quando jovem seguiu caminho torto.
Agora aconselhava o filho e a filha.

ROBERTO DIAS ALVARES




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