COLUNA MOBILIDADE EM FOCO – SCANIA HW/EW – A EVOLUÇÃO DA LINHA HS

por Blog do Caminhoneiro

Serie-HW-EW-01Em outubro de 1989 a Scania lançou no Brasil sua nova linha de caminhões, que se tratava de uma evolução da Série 2 dos “Caminhões Programados” lançados em junho de 1981. A nova linha HW/EW surgiu no mercado em substituição aos modelos da família HS, lançados em 1987. Nessa matéria vamos analisar os avanços que os novos caminhões das linhas T e R, versões 112 e 142, incorporaram. Inicialmente, o que significava HW/EW? HW queria dizer Heavy Weight (Pesados) e EW Extra Heavy Weight (Extra Pesados). Basicamente, os HW eram vocacionados para uso em estradas pavimentadas ou mistas, enquanto os EW para uso na denominação “fora de estrada”, serviço extrapesado, como treminhões e rodotrens.

Quatro eram as opções de potências de motores disponíveis: 200, 310, 360 e 410. O motor de 200 cv de potência máxima era aspirado; o de 310 cv incorporava a turboalimentação; o de 360 cv, além do turbo mais o intercooler; e o de 410 cv, ao contrário dos demais, que tinham seis cilindros em linha, tinha arquitetura em V, oito cilindros e turboalimentação. Quanto a nomenclatura técnica de identificação, eles eram catalogados da seguinte maneira:

Tipo 200 = Modelo DN 11 01; potência máxima de 203 cv a 2.200 rpm; 760 Nm de torque a 1.200 rpm; 204 g/kWh de consumo específico;
Tipo 310 = Modelo DS 11 34; potência máxima de 303 cv a 2.000 rpm e 310 cv a 2.000 rpm; 1.330 Nm a 1.100 rpm e 1.335 Nm a 1.100 rpm de torque; 202 g/kWh de consumo específico para ambos. Veja bem, mais potente e mais econômico que o motor DN 11 01 Tipo 200;
Tipo 360 = Modelo DSC 11 18; potência máxima de 353 cv a 2.000 rpm e 363 cv a 2.000 rpm; 1.585 Nm a 1.050 rpm e 1.590 Nm a 1.050 rpm de torque; 195 g/kWh de consumo específico para ambos. Observar que o motor Tipo 360, apesar da mesma cilindrada do Tipo 310, ambos com 11 litros, mas o 360 possui maior potência, mais torque e menor consumo específico, resultando em maior velocidade média e menor custo por km/rodado. Isso se devia ao intercooler;
Tipo 410 = Modelo DSC 14 07; potência máxima de 411 cv a 2.000 rpm; 1.665 Nm a 1.200 rpm de torque (momento binário). Nm significa Newton por metro. E o consumo específico era de 196 g/kWh. Veja bem, este motor Tipo 410, com 3 litros a mais do que o Tipo 360 (14 litros), apresentava 48 cv a mais de potência máxima, 75 Nm a mais de torque quase na mesma faixa de rotação e o mesmo consumo de combustível.

Se fizermos um comparativo ao longo dos anos da evolução dos motores com cilindros dispostos em linha da Scania, encontramos que no ano de 1971 o motor de 10 litros da marca do grifo tinha 274 cv de potência, 113 kgfm de torque e consumo específico de 208 g/kWh. Este mesmo motor, já com 11 litros, em 1983 tinha potência de 305 cv, 126 kgfm de torque e consumo específico de 204 g/kWh. Ambos turboalimentados. Em 1985, com a introdução do intercooler, a potência saltou para 333 cv, com torque de 142 kgfm e consumo específico de 197 g/kWh. E em 1989 a potência foi elevada para 363 cv, torque de 162 kgfm e consumo de 195 g/kWh. Um avanço e tanto em 18 anos.

A potência aumentou 89 cv (32,5% a mais); o torque aumentou 49 kgfm (43,5% a mais) e o consumo diminuiu em 13 g/kWh (6,5% a menos). Basicamente, um cavalo mecânico Scania com este motor de seis cilindros, tracionando carreta de três eixos, teve o seu consumo alterado de 1,86 km/l para 2,2 km/l, sem contar a maior velocidade média e o menor tempo de viagem para percorrer determinado percurso. Resumindo, menor tempo de viagem. Outro ponto, motor desligado não consome. Economia 3, menor consumo em km/l, numa comparação direta entre um Scania L110 e um Scania T ou R112HW 360.

Os motores da linha HW/EW foram redesenhados em relação a linha HS, conferindo ainda maior robustez e durabilidade. Foram introduzidos novos cabeçotes, com canais de admissão e escapamento aprimorados, além de novos anéis pistão (tipo cunha), para melhorar a eficiência da combustão. Nos motores Tipo 310 e 360 os motores receberam novo coletor de escape, novo turbo-compressor, novas válvulas de escape, nova bomba injetora e novos bicos injetores. Com as inovações, melhorou o fluxo de gases na câmara de combustão, aumentando-se o rendimento volumétrico. A conseqüência foi a elevação da potência de 333 para 363 cv de potência máxima.

O motor Tipo 310, em comparação com o motor de 305 cv que equipava os T e R112 entre 1983 a 1988, apresentava regime de torque máximo a menores rotações, menor consumo de combustível, menor custo operacional, maior vida útil e maior velocidade média, diminuindo as trocas de marcha e o nível de ruído no interior da cabine. O motor Tipo 360, também com duas faixas de potência, trazia todas as vantagens operacionais do 310, além de ser o motor que tinha o melhor desempenho operacional entre os de 360 cv de potência. A transmissão recebeu um novo sistema de acionamento da embreagem (pull), o que permitia a redução do esforço no pedal.

Com a nova opção de relação de redução para eixo traseiro, a 3,50:1, melhorou o desempenho, velocidade e força, resultando também em economia de combustível. A força de tração na última marcha também foi alterada para mais, se comparada com a geração HS. Na HS, a 80 km/h (velocidade econômica), era de 82 kgfm. E na HW, na mesma velocidade, passou para 117 kgfm, aumento de 43%. O conforto do motorista também não foi esquecido. A alavanca de marcha foi redesenhada, ficando mais anatômica e com curso diminuído. O rádio toca-fitas foi posicionado para o console do teto, o revestimento interior foi modificado e melhor iluminação interna completou o elenco de perfumarias.

O conjunto ótico dianteiro ganhou novas lâmpadas de halogênio, o grupo ótico traseiro também foi modificado, incorporando luz de freio, seta indicativa, luz de ré e a própria lanterna numa única peça. Outros detalhes técnicos de melhorias foram o novo suporte para as lanternas traseiras, nova manobra da trava do diferencial e novos suportes de amortecedores. Para a linha EW um kit, Heavy Duty (HD), foi disponibilizado. Era composto por novas árvores de transmissão que garantiam ao trem de força maior robustez; novo suporte de amortecedores; nova placa de proteção entre radiadores, no caso de motores com intercooler; novos suportes de tanques de ar comprimido; grades de proteção para faróis; grades de proteção para lanternas; e nova trava dupla do capô. Como se vê, o Scania T ou R112EW era o mais equipado e apto para o serviço em estradas de difícil acesso.

Texto/matéria, cálculos matemáticos: Carlos Alberto Ribeiro
Fonte de parte dos dados: Catálogo de produtos da linha HW/EW, ano 1989
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