COLUNA MOBILIDADE EM FOCO – SCANIA HW/EW – A EVOLUÇÃO DA LINHA HS

Quatro eram as opções de potências de motores disponíveis: 200, 310, 360 e 410. O motor de 200 cv de potência máxima era aspirado; o de 310 cv incorporava a turboalimentação; o de 360 cv, além do turbo mais o intercooler; e o de 410 cv, ao contrário dos demais, que tinham seis cilindros em linha, tinha arquitetura em V, oito cilindros e turboalimentação. Quanto a nomenclatura técnica de identificação, eles eram catalogados da seguinte maneira:
Tipo 200 = Modelo DN 11 01; potência máxima de 203 cv a 2.200 rpm; 760 Nm de torque a 1.200 rpm; 204 g/kWh de consumo específico;
Tipo 310 = Modelo DS 11 34; potência máxima de 303 cv a 2.000 rpm e 310 cv a 2.000 rpm; 1.330 Nm a 1.100 rpm e 1.335 Nm a 1.100 rpm de torque; 202 g/kWh de consumo específico para ambos. Veja bem, mais potente e mais econômico que o motor DN 11 01 Tipo 200;
Tipo 360 = Modelo DSC 11 18; potência máxima de 353 cv a 2.000 rpm e 363 cv a 2.000 rpm; 1.585 Nm a 1.050 rpm e 1.590 Nm a 1.050 rpm de torque; 195 g/kWh de consumo específico para ambos. Observar que o motor Tipo 360, apesar da mesma cilindrada do Tipo 310, ambos com 11 litros, mas o 360 possui maior potência, mais torque e menor consumo específico, resultando em maior velocidade média e menor custo por km/rodado. Isso se devia ao intercooler;
Tipo 410 = Modelo DSC 14 07; potência máxima de 411 cv a 2.000 rpm; 1.665 Nm a 1.200 rpm de torque (momento binário). Nm significa Newton por metro. E o consumo específico era de 196 g/kWh. Veja bem, este motor Tipo 410, com 3 litros a mais do que o Tipo 360 (14 litros), apresentava 48 cv a mais de potência máxima, 75 Nm a mais de torque quase na mesma faixa de rotação e o mesmo consumo de combustível.
Se fizermos um comparativo ao longo dos anos da evolução dos motores com cilindros dispostos em linha da Scania, encontramos que no ano de 1971 o motor de 10 litros da marca do grifo tinha 274 cv de potência, 113 kgfm de torque e consumo específico de 208 g/kWh. Este mesmo motor, já com 11 litros, em 1983 tinha potência de 305 cv, 126 kgfm de torque e consumo específico de 204 g/kWh. Ambos turboalimentados. Em 1985, com a introdução do intercooler, a potência saltou para 333 cv, com torque de 142 kgfm e consumo específico de 197 g/kWh. E em 1989 a potência foi elevada para 363 cv, torque de 162 kgfm e consumo de 195 g/kWh. Um avanço e tanto em 18 anos.
A potência aumentou 89 cv (32,5% a mais); o torque aumentou 49 kgfm (43,5% a mais) e o consumo diminuiu em 13 g/kWh (6,5% a menos). Basicamente, um cavalo mecânico Scania com este motor de seis cilindros, tracionando carreta de três eixos, teve o seu consumo alterado de 1,86 km/l para 2,2 km/l, sem contar a maior velocidade média e o menor tempo de viagem para percorrer determinado percurso. Resumindo, menor tempo de viagem. Outro ponto, motor desligado não consome. Economia 3, menor consumo em km/l, numa comparação direta entre um Scania L110 e um Scania T ou R112HW 360.
Os motores da linha HW/EW foram redesenhados em relação a linha HS, conferindo ainda maior robustez e durabilidade. Foram introduzidos novos cabeçotes, com canais de admissão e escapamento aprimorados, além de novos anéis pistão (tipo cunha), para melhorar a eficiência da combustão. Nos motores Tipo 310 e 360 os motores receberam novo coletor de escape, novo turbo-compressor, novas válvulas de escape, nova bomba injetora e novos bicos injetores. Com as inovações, melhorou o fluxo de gases na câmara de combustão, aumentando-se o rendimento volumétrico. A conseqüência foi a elevação da potência de 333 para 363 cv de potência máxima.
O motor Tipo 310, em comparação com o motor de 305 cv que equipava os T e R112 entre 1983 a 1988, apresentava regime de torque máximo a menores rotações, menor consumo de combustível, menor custo operacional, maior vida útil e maior velocidade média, diminuindo as trocas de marcha e o nível de ruído no interior da cabine. O motor Tipo 360, também com duas faixas de potência, trazia todas as vantagens operacionais do 310, além de ser o motor que tinha o melhor desempenho operacional entre os de 360 cv de potência. A transmissão recebeu um novo sistema de acionamento da embreagem (pull), o que permitia a redução do esforço no pedal.
Com a nova opção de relação de redução para eixo traseiro, a 3,50:1, melhorou o desempenho, velocidade e força, resultando também em economia de combustível. A força de tração na última marcha também foi alterada para mais, se comparada com a geração HS. Na HS, a 80 km/h (velocidade econômica), era de 82 kgfm. E na HW, na mesma velocidade, passou para 117 kgfm, aumento de 43%. O conforto do motorista também não foi esquecido. A alavanca de marcha foi redesenhada, ficando mais anatômica e com curso diminuído. O rádio toca-fitas foi posicionado para o console do teto, o revestimento interior foi modificado e melhor iluminação interna completou o elenco de perfumarias.
O conjunto ótico dianteiro ganhou novas lâmpadas de halogênio, o grupo ótico traseiro também foi modificado, incorporando luz de freio, seta indicativa, luz de ré e a própria lanterna numa única peça. Outros detalhes técnicos de melhorias foram o novo suporte para as lanternas traseiras, nova manobra da trava do diferencial e novos suportes de amortecedores. Para a linha EW um kit, Heavy Duty (HD), foi disponibilizado. Era composto por novas árvores de transmissão que garantiam ao trem de força maior robustez; novo suporte de amortecedores; nova placa de proteção entre radiadores, no caso de motores com intercooler; novos suportes de tanques de ar comprimido; grades de proteção para faróis; grades de proteção para lanternas; e nova trava dupla do capô. Como se vê, o Scania T ou R112EW era o mais equipado e apto para o serviço em estradas de difícil acesso.
Texto/matéria, cálculos matemáticos: Carlos Alberto Ribeiro
Fonte de parte dos dados: Catálogo de produtos da linha HW/EW, ano 1989
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