Roberto Dias Alvares‏Z-Colunas

O ASSALTO AO CAIXA ELETRÔNICO – Cavalo Mecânico VW Titan Tractor 310 6×2

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Aquela era uma cidade pequena
onde o povo vivia em paz.
Quatro mil habitantes apenas.
Do que isso não havia mais.

Havia poucas modernidades
que só algumas pessoas usufruíam.
Ninguém tinha facilidades.
Contentavam-se e com pouco viviam.

Dois policiais e uma viatura
era mais do que suficiente.
Vida ali era trabalhada e dura.
Caixa eletrônico atendia aquela gente.

O carreteiro Luan
vivia puxando areia.
Cavalo Volkswagen Titan.
Sua carreta andava cheia.

Ar condicionado, frigobar.
De conforto não havia falta.
Nos pneus havia rodoar.
Cabine dupla, espaçosa e alta.

Certo dia a paz da cidade
foi quebrada por uma invasão.
Conheceram de pessoas a maldade
na forma de criminosa organização.

Grupo fortemente armado
com fuzis, pistolas e escopeta.
Todo o grupo estava mascarado.
Luan viu-os chegando de sua carreta.

O restrito contingente policial
para combatê-los não era páreo.
Não tinham como enfrentá-los afinal.
Queriam levar da cidade o erário.

O pagamento do funcionalismo
seria feito naquele mesmo dia.
Parecia cena de filme com realismo
tudo aquilo que acontecia.

Pessoas que andavam pela rua
viram-se sob a mira de uma arma.
Aquela realidade nua e crua
era daquele povo um carma.

Traziam poderoso explosivo
em forma de bananas de dinamite.
Verdadeiro exército seria preciso
para prendê-los em uma blitz.

Pessoas colocadas como escudo
á frente daquela quadrilha armada.
Certamente planejaram aquilo tudo
antes da ação ser executada.

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A dinamite foi colocada
e dali a quadrilha se afastou.
Longo pavio, para ser detonada.
Por fim o caixa eletrônico se desintegrou.

Nesse exato momento aconteceu:
Após o estrondo, muita fumaça no ar.
Do nada, uma veloz carreta apareceu.
Em direção á quadrilha punha-se a rumar.

As pessoas que eram reféns
afastaram-se devido à explosão.
Para não serem feridas também,
abriram a frente do bando um clarão.

Era o carreteiro Luan
que agia de modo heroico.
Avançou contra o bando com afã.
Era decisivo momento histórico.

Mesmo estando de areia carregado
aquela reta favorecia a velocidade.
O bando foi pela carreta dispersado.
Foi uma verdadeira calamidade.

Foi um corre-corre para todo lado
Debandada após sua passagem.
O carreteiro Luan usou seu cavalo trucado,
enfrentando o bando com a cara e coragem.

Não contente com o que fez
Deu marcha-a-ré no Volkswagen.
Passou por ali outra vez.
Não sei se foi burrice ou coragem.

Acionou do semirreboque a caçamba
derramando areia no carro dos marginais.
Do crioulo doido foi o samba.
Ninguém era refém dos bandidos mais.

Os criminosos assim surpreendidos
abriram fogo contra a caçamba suspensa.
O carreteiro não deu-se por vencido.
Expulsar bandidos seria sua recompensa.

Mas esta última é decidida ação
ao carreteiro custaria muito caro.
Bandidos cercaram sua composição.
Preparados para fazer o disparo.

Luan vendo-se assim cercado
pensou que terminara ali sua sorte.
Antes que o primeiro tiro fosse disparado,
um bandido caiu ferido de morte.

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Os outros não tiveram tempo de se virar.
Uma saraivada de tiros os abateu.
A quadrilha ali acabou por terminar.
Ao leitor eu explico o que aconteceu.

Quando os reféns conseguiram escapar
para suas casas correram apressados.
Lá chegando, armas foram apanhar.
Os bandidos tinham os minutos contados.

Quando viram que Luan, o carreteiro
seria morto por seu ato de heroísmo.
Todo aquele povo digno e ordeiro
não aceitaria ali o banditismo.

Armados de garruchas e espingardas
defenderiam a cidade e suas famílias.
Os bandidos descuidaram da retaguarda.
Exterminaram a bala aquela quadrilha.

Quando da polícia chegou reforço
não havia mais nada a ser feito.
De Luan, reconheceram o esforço
na defesa daquele povo direito.

A polícia não indiciou ninguém
pois não sabiam a quem prender.
A lei determina o que não convém.
Naquele caso nada iria acontecer.

Após aquele acontecimento trágico
a cidade voltou a sua calmaria.
Mas daquele carreteiro mágico
a população sempre se lembraria.

ROBERTO DIAS ALVARES

Roberto Dias Alvares

Casado com uma mulher linda. Pai de filha abençoada. Santista ainda. Escritor e poeta da estrada.

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