As invenções do transporte brasileiro




O Brasil é um dos países que mais permitem combinações de veículos diferentes em seu território. Nas estradas é possível ver conjuntos com três eixos totais (dois no cavalos e um no implemento), até onze eixos, graças à resolução que autorizou a circulação do Super Rodotrem, para até 91 toneladas de PBT.

Mesmo com essa variedade de combinações e disponibilidade para diversas tonelagens diferentes, não param de surgir novas combinações, muitas vezes fora dos padrões estabelecidos pela legislação.

É o caso da foto que recebemos de um leitor do Blog do Caminhoneiro, que mostra um cavalo-mecânico DAF XF105, em versão 8×2, acoplado à um semi-reboque basculante com caixa de carga deslizante de quatro eixos. Porém, esse tipo de combinação não está homologada para transitar em rodovias brasileiras.

Esse tipo de combinação, com oito eixos no total, não é prevista na legislação, e por isso não pode rodar em vias públicas. A Portaria do Denatran que regulamenta as combinações de veículos autorizadas é a número 63/09 e seus anexos.

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De acordo com o Engenheiro Rubem Penteado de Melo, consultado pelo Blog do Caminhoneiro, esse tipo de combinação poderia ter um Peso Bruto Total Combinado (PBTC) de 64.500 kg (29.000 + 35.500), o que representa uma concentração de peso acentuada nas pontes e viadutos, por causa do comprimento das basculante.

De acordo com o engenheiro, os bitrens de 7 eixos tem PBTC de 57.000 kg, com 19,8 metros de comprimento, e os bitrenzões e rodotrens de nove eixos tem 74.000 kg de PBTC, com no mínimo, 25 metros de comprimento, e podem chegar a 30 metros.

Já o conjunto da imagem, com 64.500 kg, deve ter cerca de 16,5 metros, o que leva à uma concentração de peso muito alta sobre estruturas, como pontes e viadutos.

Além disso, um conjunto de 57.000 kg, permitido pela legislação, deve ser tracionado por cavalos-mecânicos de tração em quatro rodas, em versões 6×4. Na imagem, o DAF XF105 tem tração 8×2, o que traria problemas de tração, dificuldade de vencer rampas, freio-motor insuficiente, por ser em apenas um eixo, e causaria deformação excessiva no asfalto, porque pode patinar em trocas de marcha.

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O maior conjunto autorizado para ser tracionado por cavalos-mecânicos 8×2 ou 8×4 são carretas de três eixos. O Denatran também não autoriza o tracionamento de carretas vanderleias nesse caso.




2 comentários em “As invenções do transporte brasileiro

  • 21/11/2018 em 13:49
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    No Brasil atual estar tudo liberado a corrupção predomina em todas as esferas dos serviços públicos o que importa é arrecadar, as vidas humanas não tem nenhum valor para os nossos governantes e servidores públicos. Brasil moderno!

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  • 21/11/2018 em 09:27
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    A foto pode ser uma brincadeira com há vídeos na net de pessoas acoplando vários reboques/semirreboques para aparecer tipo um que tem um conjunto com quatro semirreboques de três eixos cada totalizando 15 eixos. Isso em pátio de empresa. Há outro, parece um posto de combustíveis, rodotrem com três vagões totalizando 13 eixos.
    Agora, se não é brincadeira, o veículo de fato circula em rodovias públicas, como conseguiu a AET, pois o conjunto não está homologado?
    Lembro da situação do bitruck com semirreboque vanderléia três eixos distanciados, que estaria sob estudos para tentar homologar. A alegação é que o bitruck pode rodar e o semirreboque três eixos distanciados também. Se podem isolados, em conjunto por que não poderiam?
    Conseguiram homologar o rodotrem de onze eixos para se adequar a lei da balança e o comprimento final não foi alterado. Mais carga no mesmo espaço limite que o conjunto antigo levava 74t, mas agora com 91t. Se esse conjunto de oito eixos é prejudicial em 16,5m por levar mais de 65,5t, bastaria mudar a legislação para ajustar o comprimento. Sei que não é bem assim, mas se um CVC 11 eixos leva 91t em 30m, são 45,5m em 15m. Por uma regra de três, 65,5t teriam que ser distribuídos em 21m. Como há tolerância, seriam suficientes os 19,80m, salvo engano, da legislação, que permite os semirreboques com três eixos distanciados de tamanho maior.
    Da mesma forma que o super rodotrem ganhou eixos para o excesso de peso dos CVCs de 9 eixos passarem a ser legais, se quiserem, ajustando o tamanho de certas composições, podem, sim, homologar o conjunto acima, ou ao menos o bitruck 8×2 com semirreboque vanderleia três eixos distanciados.
    Sobre o cavalo ter tração dupla, é outro ponto questionável e complexo. Há países europeus onde rodotrens e bitrens com 30m, 32m, dez ou onze eixos, são tracionados por cavalos com um único eixo de tração. Claro, nestes locais não devem ter as serras daqui, os pisos irregulares e a pior qualidade estrutural do pavimento e obras de arte.

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