Chassi de carreta se parte ao meio no Rio Grande do Sul

Uma carreta Volvo que trafegava pela BR-285, no trecho entre Passo Fundo e Carazinho, no Rio Grande do Sul, teve o chassi quebrado ao meio ao passar por um desnível na rodovia. O caso foi registrado na manhã de terça-feira, 23 de junho.
O veículo foi carregado em Tapejara, onde devia descarregar em Ijuí. Quando o motorista passava pela rodovia, o veículo atingiu um desnível na pista e o chassi do implemento se partiu no meio. A estrutura fiou visivelmente torta.
O motorista conseguiu parar o caminhão com segurança no acostamento. Ele não sofreu ferimentos.
A PRF esteve no local para realizar a sinalização. Foi necessário o transbordo da carga para outro veículo, e a remoção da carreta só pode ser feita com o uso de um guincho pesado. A rodovia chegou a registrar alguns momentos de bloqueio parcial durante os trabalhos.

Quebra do chassi
Esse tipo de acidente não é tão comum de acontecer, já que os chassis dos implementos são projetados para aguentarem forças e torções impressionantes. Mas há fatores que podem aumentar a chance de uma ocorrência do tipo.
Entre as principais causas estão:
- Excesso de Peso (Sobrecarga)
Esta é a causa mais comum. Cada semirreboque é projetado e homologado para suportar uma Capacidade Nominal Máxima de Carga. Quando o peso transportado excede o limite legal e técnico do implemento, o aço do chassi sofre uma tensão muito maior do que aquela para a qual foi dimensionado, levando à fadiga extrema ou à deformação plástica imediata.
- Má Distribuição da Carga
Mesmo que o peso total esteja dentro do limite permitido, se a carga for concentrada toda em um único ponto (especialmente no centro do vão livre da carreta, longe dos eixos traseiros e do pino-rei), cria-se um efeito alavanca. Esse ponto central sofre um esforço de flexão absurdo, o que pode fazer a estrutura “selar” e partir.
- Fadiga do Material e Idade do Implemento
O chassi de um caminhão passa a vida útil inteira sofrendo torções e flexões. Com o passar dos anos e o uso severo, o aço começa a sofrer de fadiga estrutural. Microfissuras invisíveis a olho nu vão se espalhando pela estrutura até que, sob um esforço comum, o chassi simplesmente cede de uma vez.
- Impactos e Condições das Rodovias
O estado das estradas tem um papel crucial. Trafegar com um veículo carregado por pistas cheias de buracos, ondulações ou passar em alta velocidade por lombadas e depressões gera impactos dinâmicos violentos. Esse “solavanco” multiplica temporariamente a força exercida sobre o chassi, funcionando como uma martelada na estrutura.
- Manutenção Deficiente e Corrosão
Ferrugem: A falta de pintura de proteção ou o transporte constante de cargas corrosivas (como fertilizantes, sal ou produtos químicos) sem a devida lavagem oxida o aço, reduzindo a espessura das vigas e comprometendo severamente a sua resistência.
Soldas e Reparos Mal-feitos: Modificações no chassi, alongamentos ou reparos anteriores feitos por profissionais não qualificados (sem o cálculo correto ou usando materiais inadequados) criam pontos de fragilidade extrema onde o chassi fatalmente irá quebrar no futuro.
Esse tipo de quebra raramente avisa na hora, sendo quase sempre o resultado de uma trinca que já vinha se desenvolvendo silenciosamente na parte inferior das vigas principais (longarinas).
