Grandes empresas planejam ter frotas próprias contra lei do frete

De acordo com um estudo publicado pela Integration Consulting, grandes empresas do setor de agronegócio tendem a buscar frotas próprias ou outros modais de transporte, evitando contratação de fretes terceirizados, para não pagar os valores da política nacional de preços mínimos do transporte rodoviário de cargas, conhecida como lei do frete.

De acordo com a pesquisa, empresas que movimentam bilhões de reais por ano apenas com transporte de cargas planejam grandes investimentos para se livrar da conta do frete, que, de acordo com estudos das próprias empresas, pode subir mais de 20% com a aplicação da lei.

Entre as empresas consultadas pela Integration, estão a Amaggi, que já comprou 300 caminhões para atender aos próprios fretes, e deve receber a frota em fevereiro, a JBS, que comprou 360 novos caminhões em agosto e já está com os novos veículos em operação, e a Cargill, que estuda compra de uma frota própria, mas ainda espera uma definição quanto à constitucionalidade da lei dos fretes, que deve ser definida pelo STF.

Outras empresas embarcadoras buscam ainda outras soluções, como parcerias com outros embarcadores, uso de trens e barcaças, compra de transportadoras inteiras e ainda outras opções.

A grande maioria das empresas irá passar por uma revisão completa dos modelos de operação, buscando alternativas estratégicas de logística se a Lei do Frete Mínimo foi consolidada.

A maioria das empresas ainda aguarda uma definição do Supremo Tribunal Federal para fazer alguma alteração definitiva nos seus modos de trabalho, que não serão alterados se a lei for considerada inconstitucional, e os valores de frete continuarem a serem pagos como antes da greve.

Montadoras de caminhões já estão recebendo sondagens e orçamentos para compras de grandes lotes de caminhões, mas a finalização dos negócios também depende da aprovação da constitucionalidade da lei.

As empresas que pretender passar a ter uma frota própria, também analisam o custo de manter, além dos caminhões, um novo setor de operação, com mais contratações de pessoal, manutenção dos veículos e outros custos inerentes à operação dos veículos.

O STF ainda não tem data para votar a constitucionalidade da Lei do Frete Mínimo.

Publicado por
Rafael Brusque - Blog do Caminhoneiro

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