TRABALHANDO NO FERIADO – Scania R 440 6×2 Streamline

A carreteira Estefânia
mulher de quarenta anos de idade,
na condução de poderoso Scania,
dirige com responsabilidade.

Estefânia, mulher vivida
que por muita coisa já passou
tem grande história de vida.
Seus filhos, sozinha criou.

Herdou do pai primeiro caminhão
e foi para a estrada trabalhar.
Encarando qualquer situação.
Nenhum frete podia recusar.

Após seis anos de estrada,
Conseguiu guardar dinheiro.
Encarando qualquer parada,
Trocou o seu estradeiro.

E assim, com muito trabalho
dos filhos mantendo sustento,
em casa, os pais quebrando o galho
fazendo das crianças o acompanhamento.




O ex-marido, bêbado e vagabundo
ela não suportou ver filhos passando fome.
Pôs para fora de casa aquele traste imundo
que arruinou sua vida e sujou o seu nome.

O seu pai que fora caminhoneiro
deu-lhe o único bem que tinha.
Mercedes Benz, bom estradeiro.
Partiu para a estrada sozinha.

No começo, sofrimento
mas logo já conseguia se virar.
Pela pista de rolamento,
pegava carga para qualquer lugar.

Aos poucos, pagando as contas,
dos pais e dos filhos sendo o esteio.
Sua mãe em casa segurando as pontas,
ela na estrada chegando o relho.

Limpou seu nome, pagou o que devia.
Guardou dinheiro, filhos na escola.
Enquanto em casa a vida seguia,
ela também seguia mandando a sola.

Seu Scania foi financiado
mas pagava com o pé nas costas.
Deixava o amor de lado,
apesar de já ter recebido propostas.

Não queria envolvimento
pois já sofrera muito com ex-marido.
O que pensava no momento
não voltar àquele tempo sofrido.

Em seu caminhão, único capricho,
o interior todo na cor rosa.
Na estrada, ao volante era o bicho,
mas mantinha-se bonita e charmosa.

Fim de semana comprido.
Os estradeiros voltando ao lar.
Estefânia recebeu um pedido:
Urgente frete teria de levar.

Uma carga de gasolina
para uma cidade distante.
Saindo de Petrolina.
O dinheiro era bastante.

Não dava para recusar
mesmo com saudades de casa.
Estefânia iria encarar
e na estrada mandaria brasa.

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Ligou para casa deu aviso
que não voltaria no fim de semana.
Fazer aquele frete era preciso.
E afinal ganharia boa grana.

Um semirreboque puxaria,
pois bi trem estava proibido.
Vinte cinco mil litros de gasolina
levar a tempo seria conseguido.

Muitos carros e poucos caminhões
na estrada este era o cenário.
No Scania comandando as ações,
Estefânia seguia o itinerário.

Um carro com quatro ocupantes
estavam fazendo a ultrapassagem.
O carona olhou por instantes
quis fazer graça durante a viagem.

Com seus quarenta anos de vida
Estefânia estava em boa forma.
De uma beleza madura provida.
Seriedade era sua norma.

O rapaz era impertinente
e gesticulava para a carreteira.
Fazendo gesto indecente.
Já encharcados da bebedeira.

Estefânia mantendo a aceleração
afinal não podia perder embalo.
Não tinha tempo para malcriação.
Acelerou firme seu potente cavalo.

Os ocupantes daquele carro
pareciam que não dariam sossego.
Um gritou: “Ah se eu te agarro”!
O outro dizia: “Vou te dar um chamego”!

Estefânia era prevenida,
pois ela viajava sozinha.
Aprendera muita coisa na vida.
Um revólver no porta-trecos tinha.

Deixou a arma no jeito,
não sabia deles a intenção.
Para atirar tinha peito,
Mas não faria pela provocação.

Teve de frear bruscamente
pois o motorista deu-lhe uma fechada.
Desse modo causaria acidente.
Estefânia ficou bem preocupada.

Ela já tinha ultrapassado
e eles de novo vieram pra cima.
Ela com o revólver empunhado
àqueles encrenqueiros intima.

Quando se viram na mira
daquela mulher valente.
Pé do acelerador o rapaz tira.
A situação para eles ficara quente.

O Scania em ritmo acelerado,
e o carro fez a ultrapassagem.
Desta vez, eles nem olharam de lado.
Aceleraram e seguiram viagem.

A dois quilômetros uma represa
e a estrada passando pelo meio.
Estefânia teve grande surpresa.
Carro com os jovens perdeu o freio.

Estefânia parou a carreta
e chegou á beira da pista.
O carro sobre uma canaleta.
Uma parte na água podia ser vista.

Os jovens gritavam de dor
e pareciam bem feridos.
Por Estefânia mulher de valor
os rapazes seriam socorridos.

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Uma corda resistente
Na carreta foi amarrada.
Descê-la até local do acidente
Para descer não estava preparada.

Outro carreteiro ali chegou,
perguntou se precisava de ajuda.
Vendo Estefânia seu coração acelerou.
Ela olhava-o mas permaneceu muda.

Ele era um homem vistoso.
Por um momento silêncio total.
Naquele instante doloroso
precisariam salvá-los afinal.

Por aquela corda amarrado,
o carreteiro desceu pelo paredão.
A qualquer instante caído e afundado.
Preso á carreta minimizava a situação.

Outro carro que por ali passava
parou para ver o que acontecia.
Avisar o resgate ele precisava.
Rapidamente saiu pela via.

O carreteiro sobre a estrutura
onde o carro ficou encavalado,
prestava socorro àquela altura.
Com os rapazes, todo cuidado.

Duas horas se passaram
naquele sufoco e agonia.
Quando os bombeiros chegaram,
Estefânia o que fazer já não sabia.

O carreteiro lá embaixo
tentando acalmar os feridos.
Ao descer pela corda foi macho.
Foram momentos sofridos.

O carreteiro ajudou no salvamento
e quando tudo foi resolvido,
demonstrando contentamento,
Apresentou-se sem alarido.

Seu nome era Leonardo
mas como Léo conhecido.
No Volvo levando pesado fardo.
Parecia honesto e comedido.

O caminhão superdimensionado
puxava gigantesca carreta.
Ia com soja carregado.
Léo era um carreteiro porreta.

Procurando manter o respeito,
convidou Estefânia para almoçar.
Afinal ele era homem direito
e dela não queria se aproveitar.

Estefânia achou não ser nada demais
almoçar com um colega de profissão.
Léo parecia ser um bom rapaz.
Seguiram para a mesma direção.

O Volvo FH 16 trucado
era seguido pelo Scania.
Léo dirigia com cuidado.
Vinha próxima Estefânia.

Depois daquele almoço
encontraram-se novamente.
De relacionamento era um esboço.
Estefânia estava mais contente.

Estefânia quitou o financiamento.
O Scania agora era seu somente.
Com Léo na pista de rolamento,
reencontrou a felicidade novamente.

Roberto Dias Alvares




3 comentários em “TRABALHANDO NO FERIADO – Scania R 440 6×2 Streamline

  • 01/08/2019 em 20:54
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    ai meu deus que linda historia nao consiguo me conter em lagrimas meu deus me ajudem preciso realizar o sonho de um dia poder estar fazendo assim como esta tao grande mulher e contar minha historia me ajudem me deem uma oportunidade tenho um marido drogado e alcoolatra que dei meu sonho em ser caminhoneira a ele e hoje ele vive o meu sonho e mata meu potencial me ajudem me resgatem donos de transportadoras me de um trabalho como ajudante de motorista meu numero e 11984593520 meu email e lucianalucianinhagodoi@hotmail.com me ajudem por deus por cristo tudo pode se fazer possivel

    • 06/08/2019 em 08:26
      Permalink

      Luciana, acredito que Deus irá abençoar a sua vida e você realizará seu sonho. Fico feliz que minha história tenha despertado esse sentimento é de certa forma seu desabafo. Não deixe de ler as outras histórias. Escrevi também um livro chamado AVENTURAS DE UM CARRETEIRO PELA AMÉRICA, com muita aventura e romance vivido pelo carreteiro Rafael a bordo de seu Mercedes Benz.

  • 01/08/2019 em 11:47
    Permalink

    Mais uma história com muita aventura e ação e a coragem de uma carreteira

Fechado para comentários.