Primeiro caminhão Renault completa 120 anos

por Blog do Caminhoneiro

Uma das maiores fabricantes de veículos da atualidade, a Renault, nasceu em 1898, 120 anos atrás, em uma sociedade entre Louis Renault, que tinha apenas 21 anos e foi o dono da ideia, seus irmãos Marcel e Fernand e seus amigos Thomas Evert e Julian Wyer. Nessa época, praticamente todos os veículos eram protótipos, de produção manual e limitada.

O primeiro carro fabricado pela empresa novata foi o Renault Voiturette 1CV, um modelo bem pequeno, com velocidade máxima de apenas 32 km/h.

Louis Renault

Dois anos, em 1900, a empresa Renault começou a se aventurar na produção de caminhões. Com motor de 3,5 cavalos e capacidade de 250 kg de carga, o primeiro modelo era basicamente uma carroça com motor (foto do topo).

Três anos depois, surgiram os primeiros caminhões com capacidade de até 1,5 tonelada de carga, com motores de um ou dois cilindros e potências de 8 e 10 cavalos. A cabine era aberta, com carroceria aberta ou baú, e aí surgiu uma característica que marcou os veículos Renault por muitos anos: O capô do motor inclinado.

Essa inclinação dianteira do capô, que destacava os caminhões Renault de todos os outros, se devia à posição do radiador, montado atrás do bloco do motor, mais próximo do motorista.

Em 1905, devido ao sucesso dos modelos da empresa, foram solicitados 250 veículos para várias tarefas em Paris. Pouco depois, o pedido foi aumentado para 1.500 veículos. Devido à demanda, a Renault foi a primeira empresa a usar a linha de montagem na França, tecnologia recém lançada por Henri Ford nos Estados Unidos, que permitia a construção mais rápida dos caminhões.

A partir de 1908, todo o capital da empresa ficou com Louis.

Em 1911, a empresa iniciou a construção de caminhões com a cabine avançada sobre o motor, com tração nas quatro rodas e com direção também nas roda traseiras. Nessa época, esses caminhões podiam transportar até 3 toneladas de carga.

Com o início da Primeira Guerra Mundial em 1914, a Renault iniciou a produção em massa de caminhões militares, veículos blindados e outros equipamentos auxiliares para os exércitos que combatiam a Alemanha. Além de fornecer veículos para os exércitos, a empresa também desenvolveu novas tecnologias por solicitação dos militares.

Depois da guerra, em 1918, havia uma gigante sobra de caminhões militares por toda a Europa, sendo vendidos a preços muito baixos. Nessa época, a Renault e seus concorrentes tiveram problemas financeiros devido à baixa procura por veículos novos.

Para combater a crise, a empresa seguiu inovando, e apresentou modelos, batizados de MH, em versões 6×4, com rodado duplo em todos os eixos, para enfrentar desertos e dunas, nas colonias francesas na África.

Depois da crise mundial de 1929, a empresa seguiu as novas tendências de mercado e apresentou caminhões mais confortáveis, com cabines fechadas, pneus com câmaras de ar, e aparência melhorada. A capacidade de carga atingia 18 toneladas, com potências de até 85 cavalos.

Em 1940, a França foi ocupada pelos Nazistas, e, devido à ocupação, todas as fábricas da Renault passaram a produzir veículos para as demandas do exército alemão. Depois da libertação da França pelos Aliados, em setembro de 1944, Louis Renault foi preso, acusado de ter colaborado com os alemães. Em 24 de outubro de 1944, ele acabou falecendo na cadeia, devido às torturas que sofreu.

Em 1945, a empresa foi nacionalizada pelo governo francês, que tomou todas as patentes de desenvolvimento da marca.

Somente em 1966, o governo francês admitiu que tinha cometido um erro, devolvendo os direitos da empresa aos herdeiros de Louis.

Antes disso, em 1955, a Renault se fundiu com as empresas Latil e Somua, fundando a Saviem, e 1978, com a Berliet, que já havia se juntado às empresas Laffly, Rochet Schneider, Camiva e a divisão de veículos pesados ​​da Citroën, em 1952.

Esse fusão da Saviem com a Berliet deu origem à Renault Veículos Industriais.

Atualmente a Renault Trucks faz parte do Grupo Volvo. A compra aconteceu em 2001.

A Renault foi uma das marcas que a Volvo do Brasil cogitou trazer para cá, para ampliar sua participação como grupo no país. Os planos foram atrasados pelas empresas, devido às crises, mas a Volvo ainda mantém essa ideia.

De uma família que trabalhava na indústria têxtil, Louis Renault construiu uma das maiores e mais competentes montadoras de veículos comerciais do mundo. Infelizmente, vítima de uma injustiça, morreu na cadeia. O erro das autoridades francesas só foi reconhecido tarde demais.

Rafael Brusque – Blog do Caminhoneiro

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