Conheça o assustador caminhão que levou a carreira de Steven Spielberg às estrelas

Um homem comum, dirigindo seu carro vermelho pelas estradas do deserto da Califórnia, nos Estados Unidos, começa a ser perseguido por um caminhão assustador. Uma história que parece simples, mas que levou o então desconhecido diretor Steven Spielberg à fama.

O diretor é conhecido por filmes como Tubarão, Contatos Imediatos do Terceiro Grau, Lista de Schindler, Jurassic Park e Indiana Jones, para citar alguns exemplos de filmes famosos, mas começou sua carreira com o filme Duel (Encurralado), produzido em 1971.

Filmado em apenas 13 dias, o filme mostra David Mann, interpretado pelo ator Dennis Weaver, em seu Plymouth Valiant, por 74 minutos. O caminhão perseguidor é um Peterbilt 281, fabricado em 1955, totalmente enferrujado.

Para a escolha do carro, a única exigência é que fosse vermelho, e lento. Por isso foi escolhido o Plymouth Valiant, com motor de 3.2 litros e 6 cilindros, com 100 cavalos de potência, que era o mais fraco disponível para o carro.

Para o caminhão, a escolha foi realizada pelo próprio Spielberg, que encontrou no modelo a forma que transmitia medo. Para o diretor, a frente longa e o vidro bi-partido davam personalidade ao caminhão. De frente, o diretor via um rosto no veículo, e era um rosto mal.

A linha Peterbilt 281 foi fabricada entre 1954 e 1976. O caminhão saia de fábrica em versão 4×2. Seu irmão, o 351, era fabricado em versão 6×2 ou 6×4. O caminhão recebeu o apelido Needlenose, ou Nariz Agulha, por causa do formato estreito do capô. Na dianteira ele ostentava uma para-choque fino e faróis redondos.

O design padrão do modelo é mantido até hoje pela Peterbilt, no modelo 389, que segue as mesmas características da cabine.

No filme, o rosto do motorista não aparece, sendo o caminhão a representação do vilão.

Para o filme, foram construídos dois caminhões, sendo um fabricado em 1955, na versão 6×2, com o segundo eixo instalado por terceiros, não sendo original de fábrica. No final do filme, o caminhão é destruído em uma grande explosão.

O outro veículo usado no filme é um Peterbilt 281 1960, fielmente reproduzido do modelo original, mas que não foi usado nas gravações.

Originalmente, o filme iria para a TV, com 74 minutos de duração, mas, como foi um sucesso, foi expandido para 90 minutos, para ir para os cinemas, e mais dois caminhões foram construídos, sendo modelos 351 caracterizados.

O primeiro 351, fabricado em 1964, era praticamente idêntico ao caminhão original, exceto pela entrada de ar. Ele foi usado para a gravação de algumas cenas adicionais, e depois também foi destruído em uma explosão.

O quarto caminhão, um 351 1961 modificado para parecer um 281, nunca apareceu no filme, ficando na reserva. Ele foi usado, em 1978, na série O Incrível Hulk, da CBS, em um episódio chamado de “Never Give a Trucker an Even Break”. Esse episódio da série apresentou um filme Duel modificado, o que desagradou Spielberg.

Como os caminhões não tinham capacidade de rodar a grandes velocidades, precisaram ser modificados pelos produtores para conseguirem chegar às 90 milhas por hora.

O motor era um Caterpillar 1674 nos dois primeiros caminhões, com potência de 300 cavalos, com câmbio manual de 13 marchas.

Os outros modelos tinham motores Cummins NTC-350, com câmbio automático de 5 marchas e redução tripla no diferencial.

Esse é o caminhão hoje em dia

Um dos caminhões usados nas filmagens sobreviveu até hoje. O caminhão é um 351 fabricado em 1961, engatado num implemento tanque fabricado em 1946.

Atualmente o caminhão pertence a Brad Wike, um colecionador de caminhões da Carolina do Norte, que tem o caminhão e o Plymouth Valiant em sua garagem. Além desse caminhão, o colecionador tem outros veículos que apareceram no cinema, como um dos caminhões e o Pontiac que aparecem no filme de 1977, Smokey and the Bandit (Agarre-me se Puderes).

O filme pode ser alugado no Youtube, por R$ 9,90, no link https://www.youtube.com/watch?v=chl_C7lyeE0.

Rafael Brusque – Blog do Caminhoneiro

3 comentários

Marcelo 04/10/2021 - 15:57

O caminhão não explode no final. Os produtores pressionaram o Spielberg para mudar o final e incluir uma explosão. Spielberg conseguiu fazer valer sua visão artística e mostrar a “morte” do caminhão, lentamente, para obter o máximo de dramaticidade. Um toque genial e que mostra o absoluto controle do diretor desde sua estreia no cinema.

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Ivan Carlos Gonçalves 26/05/2021 - 18:42

Nossa!!!
Assisti esse filme quando criança no vhs ou na tv não lembro agora.
Ivan
Navegantes-SC

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ivana 25/05/2021 - 11:44

Recentemente assistir esse filme, ele é bem aterrorizante, muito bom, nem imaginava o destino desse caminhão, agora tive conhecimento dele.
Parabéns pela matéria, adorei.

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