Daimler comprou a Freightliner em 1981 e tornou a empresa a potência dos caminhões nos EUA

por Blog do Caminhoneiro

Hoje em dia, a maioria das montadoras de caminhões dos Estados Unidos fazem parte de grupos econômicos que tem operações no mundo inteiro. É o caso da Paccar, que é dona da DAF, Peterbilt e Kenworth, e Volkswagen, que é dona da Scania, MAN/VW Caminhões e Ônibus e Navistar Trucks, sob o Grupo Traton, entre outros exemplos.

Para entrar nos Estados Unidos, quase todas as montadoras europeias que atuam na América do Norte adquiriram operações que já existiam na região, devido ao mercado extremamente tradicional de caminhões. A única montadora que tentou entrar com seus próprios modelos nos EUA foi a Scania, importando caminhões da Suécia, mas a estratégia não deu certo.

Mas como a Daimler entrou nesse concorrido e tradicional mercado?

A história remonta a 1981, quando a Daimler adquiriu a Freightliner no país, passando a operar com integração de tecnologia com os modelos europeus da Mercedes-Benz a partir de então.

A Freightliner já era, em 1981, uma empresa consolidada e com boas vendas de caminhões. A empresa começou sua trajetória em 1929, como uma divisão de produção de caminhões exclusivamente para a empresa Consolidated Freightways.

Freightways Manufacturing

A Consolidated Freightways, de Portland, Oregon, tinha grande necessidade por caminhões por ser uma das maiores transportadora do país, e, após levar ideias de produção de veículos mais leves e outras tecnologias para montadoras de veículos comerciais e receber um não, decidiu iniciar a produção dos próprios veículos.

Inicialmente, a empresa se chamava Freightways Manufacturing, e desenvolvia cavalos-mecânicos curtos para uso de implementos mais longos, transportando mais carga e obedecendo às rigorosas leis de comprimento da época.

Durante a década de 1930, a empresa começou a produzir caminhões com a marca Freightliner.

Freightliner Corporation

Foi só em 1942 que a empresa foi rebatizada oficialmente, pelo seu fundador, Leland James, deixando de ser Freightways Manufacturing para se chamar Freightliner Corporation.

Os veículos excedentes da linha de produção, que até então, atendia exclusivamente a Consolidated Freightways, começaram a ser vendidos para outras empresas somente no ano de 1949.

O primeiro Freightliner vendido assim, para a empresa Hyster, está preservado no acervo do Smithsonian Institution, depois de ter rodado mais de 4 milhões de milhas (6,4 milhões de quilômetros).

Durante a década de 1970, a empresa passou a atuar de forma independente, usando parte das concessionárias da rede da White Trucks, que passava por problemas financeiros, para vender seus caminhões.

Daimler-Benz

Depois que o governo dos Estados Unidos mudou as leis do setor de transporte, com uma ampla desregulamentação, a Consolidated Freightways começou a ter grandes problemas em suas contas, e decidiu pela venda da marca Freightliner para a Daimler-Benz.

O primeiro caminhão fruto dessa união foi o modelo médio FLC112, lançado em 1985, que usava a cabine e diversos componentes do chassi dos modelos Mercedes-Benz LK europeus, a mesma cabine que equipou modelos como o L-1620 no Brasil.

Caminhões Mercedes-Benz nos Estados Unidos

Durante as décadas de 1970 e 1980, caminhões Mercedes-Benz, como o modelo L-1117, foram vendidos nos Estados Unidos, sem nunca terem tido uma participação de mercado satisfatória. Em 1987, melhor ano em vendas, foram emplacados 2.037 caminhões MB na América do Norte. No ano de 1991, a MB deixou de vender nos Estados Unidos, passando a atuar exclusivamente como Freightliner.

Uma curiosidade é que esses caminhões MB vendidos nos Estados Unidos eram produzidos pela Mercedes-Benz no Brasil, em regime CKD, e enviados aos Estados Unidos para finalização de montagem.

Em 1991, o modelo que aposentou os Mercedes-Benz nos EUA foi o Freightliner Business Class, versão mais leve do FLC112, com capô mais curto, mas mantendo a cabine Mercedes-Benz.

Aquisições

Depois que a marca se estabilizou e começou a crescer bastante nos Estados Unidos, foram adquiridas outras marcas, como a divisão de caminhões da Ford nos EUA em 1997, que foi rebatizada como Sterling Trucks. Essa marca produziu veículos até 2009.

Outra montadora foi adquirida, no ano de 2000, pela Daimler. Trata-se da Western Star, que continua produzindo caminhões de diversos segmentos nos EUA.

Com uma crise em 2002, a montadora atualizou toda sua linha de produtos, lançando novos modelos, sem o compartilhamento de componentes com a Mercedes-Benz, voltados exclusivamente ao segmento de transporte dos Estados Unidos.

Negócio de ouro

Graças a junção entre as marcas e desenvolvimento estratégico de produtos voltados para o mercado norte-americano, a Freightliner domina o mercado de caminhões pesados nos Estados Unidos, com o Cascadia.

Para se ter uma ideia do tamanho do negócio que os Estados Unidos são para a Daimler, somente em modelos da classe 8, os pesados, a montadora vendeu 71.770 unidades no ano passado.

A segunda montadora que mais vendeu foi a Kenworth, com 30 mil unidades, seguidas pela Peterbilt, com 28 mil. Antes da pandemia, em 2019, a Freightliner vendeu 100.870 caminhões Classe 8 nos EUA, e em 2018 foram 90.860.

Ou seja, a montadora vende, somente nos pesados, quase a mesma quantidade de caminhões vendidos na totalidade no Brasil, sendo um do principais negócios da Daimler no mundo.

Rafael Brusque – Blog do Caminhoneiro

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4 comentários

Scarpin Gusso 09/06/2021 - 18:09

A Volkswagen está bem firme no mercado, em segundo lugar em vendas, diferentemente do que alegou um desinformado emigrante. A VW possui o grupo Traton que tem em seu portifólio empresas como Scania, MAN e Interntiomal. Ester é um dos males do Brasil: a desinformação e a Síndrome de viral ata.

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Kako O Sapo 08/06/2021 - 01:05

O Brasil tem tudo para ser um grande pais e de fato ele é porém estamos a 100% de atraso…me parece que a revolução industrial ainda não chegou aqui…ainda pagamos caro por qualquer coisa..e nosso poder aquisitivo é ridículo nosso custo de vida é altíssimo…nossa carga tributária é absurda…nossa carga de juros fazem agiotas terem vergonha….quem pode mudar o Brasil? Nós !!

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Ronei Filippi 07/06/2021 - 23:31

Eu como caminhoneiro no Brasil a mais de trinta anos fico muito triste em ler estes tipos de comentários de empresas renomadas americanas na contrução de caminhões que não investem e nem tem interesse em instalar fábricas em nosso país por causa de políticos coruptos e incertezas fiscais pois temos um potencial muito maior que todos os países do mundo pois o nosso país é abençoado pois aqui não temos teremotos não temos neve não temos furações somos o país que tem as melhores condições do mundo somos ricos mas sempre roubados pelos países que se dizem países de primeiro mundo e ricos Comos os europeus que agora estão agonizando por causa do novo governo que elejemos legitimamente e acabou um pouco com a roubalheira que tinha em nosso país pois e muito fácil falar que é país de primeiro mundo e rico roubando do Brasil e com a conivência de governos coruptos anteriores mas ainda tenho uma esperança que antes de eu morrer ainda verei este país ser muito rico e forte com suas próprias riquezas e teremos condições muito melhores de trabalhar e viver com nossas próprias riquezas e trabalho
Pois sou um caminhoneiro no Brasil com muito orgulho do meu país e do meu trabalho OBRIGADO

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Ezequiel Neto 07/06/2021 - 19:47

Os caminhões Freightliner são a nata da indústria automotiva pesada norteamaricana. Em Miami, na empresa Ryder, pude conhecer e fazer um test drive nos lindos cavalos FREIGHTLINERCASCADIA 125 e FREIGHTLINER CASCADIA 113. Obras primas em termos de qualidade, conforto, acabamento interno e externo e durabilidade. Uma pena o Brasil não ter essa Montadora. Aliás, um dos diretores da Ryder me disse que o Brasil é terra descartável para investimentos no setor, haja vista a insegurança jurídica, a mais alta tributação do mundo e a ideologia do atraso que impede a expansão de grandes empresas estrangeiras no País. A FORD já fechou as portas inclusive na fabricação de caminhões, a Volkswagen vai nomesmo rumo e as que ficarem irão amargar tempos difíceis com a bagunça da economia nacional. Uma pena, uma vergonha, puro descalabro.

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