Novo sistema de pesagem de caminhões divide opiniões na Câmara dos Deputados

por Blog do Caminhoneiro

A análise da Medida Provisória 1050/21, que diz que veículos com peso bruto total (PBT) de até 50 toneladas não precisam mais se submeter à pesagem por eixo em rodovias federais. Já os com capacidade de carga maior continuam sendo pesados, mas podem extrapolar o peso total por eixo em até 12,5% sem serem autuados. Antes da MP, a tolerância era de 10% para qualquer veículo de transporte de carga ou de passageiros, dividiu as opiniões do setor de transporte de cargas e de rodovias, em um debate promovido pela Comissão de Viação e Transportes da Câmara dos Deputados.

Para os transportadores, as mudanças evitam multas, muitas vezes dadas por poucos quilos acima do permitido por eixo, apesar do veículo estar com o peso dentro da faixa de PBT estabelecida. Além disso, de acordo com eles, o excesso de peso nos eixos interfere pouco no desgaste normal do pavimento asfáltico, já que a tolerância em relação ao peso bruto total do veículo (5%) não foi alterada.

Por outro lado, concessionárias e empresas públicas e privadas que respondem por obras em rodovias defendem um estudo mais detalhado sobre os impactos da medida provisória na segurança viária, na deterioração das estradas e em termos de custos para toda a população.

Frederico Carneiro, diretor do Departamento Nacional de Trânsito (Denatran), disse que a medida provisória se baseia em um estudo da ANTT que considerou os impactos na pavimentação asfáltica e os benefícios para a eficiência do setor de transportes.

“O que se via era um volume enorme de autuações em que a tolerância de 5% do peso bruto total era respeitada, porém havia pequenos excessos em algum eixo do veículo, com volumes da ordem de 100 quilos, 150 quilos, gerando diversas autuações. O acréscimo estimado no custo de manutenção do pavimento não chega a 2%”, acrescentou, citando estudo da Universidade Federal do Rio Grande do Sul.

Para ele, o dano ao pavimento causado pelo excesso de peso vai ser combatido com o aumento da fiscalização, e a nova tolerância de 12,5% já considera a margem de erro das balanças utilizadas no sistema de pesagem em movimento.

“As regras não podem ser engessadas nem atenderem ao interesse exclusivo da concessionária da rodovia, que é quem defende até diminuir os limites de tolerância. É salutar que veículos de até 50 toneladas não sejam pesados por eixo”, declarou o Diretor da Associação Nacional dos Transportadores de Cargas (NTC&Logística), Marco Aurélio Ribeiro

Para o relator da medida provisória, Vicentinho Júnior (PL-TO), o custo da logística de transportes do Brasil precisa ser levado mais a sério, apesar de não serem deixados de lado os custos e a segurança das rodovias.

“Precisamos dar competitividade sem danificar as nossas rodovias, o que já tem demandado atenção do governo federal e das concessionarias”, comentou.

Falta de diálogo

Presidente da Associação Brasileira dos Concessionário de Rodovias (ABCR), Marco Aurélio Barcelos criticou a decisão do governo de editar a medida provisória, que tem validade imediata, sem buscar uma solução técnica ouvindo os setores envolvidos.

“Faltou, na nossa avaliação, uma análise no impacto regulatório. Sim, existem setores beneficiados. Agora é hora de ponderamos sobre todos os que sofreram com os efeitos da medida provisória”, alegou.

Para Barcelos, flexibilizar os limites de tolerância do peso por eixo prejudica a segurança dos caminhoneiros, promove um esfarelamento da pavimentação viária e pode resultar em aumento de custos, incluindo reajustes nas tarifas de pedágio.

“São as empresas que sustentam a obrigação de manter as rodovias. Os atuais contratos não estão dimensionados para as medidas previstas”, reforçou Daniel Zveiter, presidente da Associação Nacional das Empresas de Obras Rodoviárias (Aneor).

Multas

O Código de Trânsito Brasileiro (CTB) prevê multa pelo excesso de peso nos caminhões. Acima de 1.000 kg, a infração será gravíssima, punida com multa de R$ 191,54 a cada 500 kg ou fração. Além disso, os veículos flagrados podem ficar retidos até que seja providenciada a remoção da carga excedente.

Rafael Brusque – Blog do Caminhoneiro | Com informações da Agência Câmara de Notícias

1 comentário

Laudemir Machado 07/07/2021 - 13:18

Têm que acabar com isso peso bruto total….nada dê ser pôr eixo não existe isso é só pra arrumar multas…..

Reply

Deixe um comentário!