Vale irá utilizar caminhões autônomos gigantes em Carajas-PA

por Blog do Caminhoneiro

A maior mina a céu aberto do mundo vai contar com uma frota de dez caminhões fora-de-estrada autônomos, operados pela Vale. Os gigantes que dispensam o motorista irão rodar na região de Carajás, no Pará, após a realização de testes bem sucedidos com os caminhões.

No mês de junho, a frota de caminhões autônomos da empresa que operam a mina de Brucutu, que produz minério de ferro em São Gonçalo do Rio Abaixo (MG), completaram a marca de 100 milhões de toneladas transportadas, sem o registro de acidentes, com menores emissões de poluentes e mais produtividade.

De acordo com a Vale, os caminhões, que tem capacidade para transportar 240 toneladas por viagem, são controlados por sistemas de computador, GPS, radares e inteligência artificial, percorrendo a rota entre a frente de lavra e a área de descarga. Resultado de seis anos de pesquisa e testes, os veículos autônomos começaram a ser utilizados em 2016 em modo de teste. Em 2019, todos os 13 caminhões que circulam em Brucutu já utilizavam a nova tecnologia, fazendo dela a primeira mina do Brasil com operação 100% autônoma.

Os caminhões da mina Brucutu também já rodaram 1,8 milhão de quilômetros, com 11% menos consumo, 11% mais produtividade, sendo 5% a mais que o esperado, e reduzindo as emissões de CO2 em 4.300 toneladas por ano.

Além desses ganhos, a empresa destacou que a operação autônoma favorece também a manutenção dos equipamentos. Os pneus, por exemplo, tiveram um acréscimo de 35% na sua vida útil – dez pontos percentuais a mais do que o esperado. Além de economia para a empresa, esse número gera menor descarte de resíduos.

Para evitar que o uso de veículo autônomos fosse responsável pela demissão dos motoristas, a Vale realizou a capacitação deles, que atuam agora em outras funções, como na sala de controle da operação autônoma, sem ruídos, vibração, e longe dos riscos da operação dentro da mina.

“São muitos resultados e aprendizados para serem celebrados com o nível atual de maturidade da mina autônoma. Certamente o avanço mais importante propiciado pela implantação é a redução da exposição de pessoas ao risco. A mina se tornou mais segura tanto pela tecnologia embarcada quanto pela disciplina exigida para tornar o processo sustentável e fluido. Os processos de otimização da operação autônoma vão além do caminhão e abrangem o complexo como um todo”, explica o gerente-executivo do Complexo de Brucutu e Água Limpa, Jefferson Corraide.

Dentro das áreas de mineração, veículos convencionais e autônomos estão em constante interação, por isso, todos os veículos são adaptados para garantir a segurança. Isso permite aos caminhões autônomos traçar suas rotas e, de forma preventiva, reduzir a velocidade ou até mesmo interromper seu percurso, evitando acidentes.

“Os equipamentos também possuem sensores que mapeiam e identificam, de forma contínua, o relevo, objetos e pessoas, de modo que a tecnologia autônoma pode paralisar a operação de um ou mais caminhões em caso de mudanças que não estavam previstas no trajeto determinado pelo centro de controle”, afirma o gerente de Operação e Infraestrutura de Brucutu, Kléber Gonçalves.

Além dos novos caminhões autônomos que irão operar em Carajás, onde a empresa está investindo cerca de US$ 40 milhões, também estão sendo investidos recursos no uso de perfuratrizes autônomas. Atualmente há 11 delas em operações de Minas Gerais e Pará. Outro projeto em curso é de automatizar as máquinas de pátio, que já foi concluído na Malásia e está em implantação em quatro estados do Brasil.

Com o custo de conversão de uma mina para operação autônoma demanda alto investimento, a Vale trabalha na análise de viabilidade de todas as unidades para priorizar onde as melhorias serão implantadas.

Rafael Brusque – Blog do Caminhoneiro

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