Relembre a (curta) trajetória da Sinotruk no Brasil

por Blog do Caminhoneiro

Com a promessa de um caminhão robusto e barato para o mercado brasileiro, a Sinotruk teve uma curta trajetória no Brasil, com a venda de um número razoável de unidades. A história da empresa no país começou em 2009, quando um grupo de empresários iniciou o processo para a importação oficial dos caminhões da montadora.

Apesar do início da operação da empresa ser de 2010, com a criação da empresa Elecsonic, os registros da Federação Nacional da Distribuição de Veículos Automotores (Fenabrave), mostram que as primeiras unidades chegaram ao país em 2008. Abaixo você poderá ver a tabela completa de vendas dos modelos Sinotruk desde 2008 até hoje.

VENDAS SINOTRUK
ANO NÚMERO DE UNIDADES VENDIDAS COLOCAÇÃO NO MERCADO
2008 2 13º
2009 201
2010 881
2011 678
2012 285 12º
2013 195 12º
2014 80 12º
2015 180 10º
2016 180 10º
2017 13 12º
2018 4 16º
2019 0
2020 2 17º
2021 1 17º
Total 2702

Em 2010, a Elecsonic foi fundada na cidade de Campina Grande do Sul, próximo à Curitiba, no Paraná, dando inicio à importação oficial da marca, com a comercialização dos modelos Sinotruk Howo 380, que eram oferecidos com tração 6×2 e 6×4, visando operações rodoviárias.

Os caminhões Howo receberam, em 2012, um facelift, acompanhando a renovação que acontecia na China, visando melhor aerodinâmica. No mesmo ano, a Elecsonic firmava uma acordo de cooperação com o Grupo CNHTC, para o financiamento da construção de uma fábrica na cidade de Lages, em Santa Catarina. Nesse mesmo momento, foi iniciada a exportação, da China para o Brasil, de um lote com até 2 mil unidades dos modelos Sinotruk, para venda até que a fábrica fosse finalizada.

Com investimento total de cerca US$ 300 milhões, a fábrica no Brasil seria a primeira da marca fora da China, com capacidade para a produção de até 5 mil unidades por ano, com início da montagem em CKD, onde os caminhões viriam desmontados da China, e seria finalizados no Brasil, com um pequeno percentual de peças nacionais, até que a nacionalização chegasse a, pelo menos, 65%. O Finame exigia 60% de conteúdo nacional para o financiamento. O plano inicial previa que a fábrica deveria iniciar a produção em 2014.

No mês de julho de 2012, mais uma novidade da Sinotruk para o mercado nacional. Foram lançados em um grande evento os modelos A7, com uma cabine mais confortável, novas opções de motores e que serviriam para a consolidação da marca no país.

Na época, com uma rede de 35 concessionárias atuando, estava sendo construído um centro de distribuição de peças na cidade de Campina Grande do Sul-PR, para dar suporte aos modelos, que serviria, também, para afastar o receio da compra pela falta de assistência técnica especializada.

Os novos A7 tinham potências de 380, 420 e 460 cavalos de potência, com versões 4×2, 6×2 e 6×4, além da caixa de câmbio automatizada como item de série. Esses novos modelos contavam com freios com ABS/ASR, EBL e monitor de pressão dos pneus, suspensão a ar na cabine, além de vidros elétricos, ar-condicionado digital, espelhos elétricos e suspensão a ar com ajustes, como itens de série.

Avaliados, na época, entre R$ 270 mil na versão 4×2 a R$ 340 mil na versão 6×4, tinham previsão de venda de 2 mil unidades junto com os modelos Howo, já como modelos Euro 5.

As vendas dos modelos importados continuaram, mas já apresentavam declínio a partir de 2012, vendendo somente 80 unidades no ano de 2014. Com isso, a empresa pediu ao Governo Federal um prazo maior para início da operação da fábrica, que passaria a produzir a partir de 2017. Em 2015, devido aos atrasos no início da operação de fabricação no Brasil, a Sinotruk deixou de ser enquadrada no Inovar Auto, que permitia, mediante a construção de fábrica no Brasil, a importação de veículo com imposto reduzido.

Uma das saídas tentadas pela marca foi a compra da linha de montagem da Navistar International, em Canoas, no Rio Grande do Sul, mas também não deu certo, por desistência dos investidores chineses da Sinotruk.

Depois disso, a marca praticamente parou as vendas no país, emplacando somente veículos que já estavam em terras brasileiras, e com boa parte da rede de concessionários desistindo da marca.

No começo de 2017, o terreno que seria da Sinotruk, em Lages-SC, foi transformado em um condomínio industrial pela prefeitura da cidade, e a construção da fábrica da montadora foi transferida para o Paraguai. No país, a marca é representada pelo Grupo Timbo, que também trabalha com outras marcas de caminhões, ônibus e implementos rodoviários, inclusive modelos brasileiros importados.

No final das contas, mais de 2.700 proprietários de veículos da marca ficaram sem assistência, sem peças, e colecionando processos contra a empresa responsável pela importação dos caminhões.

Assim como outras marcas que vieram ao Brasil e desistiram posteriormente do negócio, faltou uma preparação mais eficiente para enfrentar os altos e baixos do mercado nacional. Entre 2008 e 2011, várias marcas tentaram a sorte por aqui, seduzidas pelas vendas de caminhões em alta, subsidiadas pelo BNDES, por meio do Finame, que inflaram, de uma forma artificial, os resultados no país. Ou seja, como diz o ditado, o Brasil não é para amadores…. Precisa ter preparo!

Duas curiosidades

Durante a Fenatran de 2011, a Sinotruk anunciou que competiria como montadora oficial na Fórmula Truck, a partir de 2013. Um dos caminhões da montadora chegou a ser usado como madrinha de algumas provas em 2011 e 2012, mas foi mais um plano que não se concretizou.

Na China, a CNHTC, dona da Sinotruk, é a terceira marca que mais vende, com mais de 191 mil unidades emplacadas, acima de 14 toneladas, no primeiro semestre deste ano.

Rafael Brusque – Blog do Caminhoneiro

1 comentário

Ezequiel Neto 14/08/2021 - 20:04

Fecharam as portas, se escafederam e deixaram os proprietários com os micos nas mãos sem assistência, sem apoio e sem peças de reposição. E o governo brasileiro assistindo de camarote…Uma vergonha.

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