Falta de caminhões e caminhoneiros causa congestionamento de navios em portos dos Estados Unidos

por Blog do Caminhoneiro

A retomada da economia depois da crise causada pela pandemia de Covid-19 elevou consideravelmente as importações de produtos para os Estados Unidos. Porém, devido à falta de caminhões e caminhoneiros, cerca de 70 navios cargueiros esperam para descarregar itens como móveis, eletrônicos e brinquedos nos portos de Los Angeles e Long Beach.

O aumento do tempo para os navios descarregarem deve gerar um efeito dominó, que poderá provocar efeitos até nas tradicionais compras de final de ano dos norte-americanos. O nível do tráfego marítimo na região já cresceu 50% na relação com os meses anteriores à pandemia. Gene Seroka, diretor do Porto de Los Angeles, disse que os consumidores não irão conseguir comprar produtos com a mesma agilidade de antes. Ele também diz para as pessoas anteciparem as compras de final de ano.

Outro impacto da falta de caminhoneiros e de caminhões deverá ser a falta de itens em supermercados, principalmente itens como frutas e verduras.

De acordo com Bob Biesterfeld, CEO da empresa de logística de transporte CH Robinson, existem, me média, 16 cargas para cada caminhão que está na região dos portos. Ele também afirmou que alguns varejistas grandes já estão transportando cargas para suas lojas por aviões de carga, e outros já estão fretando navios inteiros para o transporte de mercadorias.

“Isso é algo que, francamente, nunca vimos antes. Esperamos que haja mais prateleiras vazias para a temporada de férias este ano do que as pessoas estão acostumadas”, disse Biesterfeld.

Com o porto lotado de contêineres e a fila de navios aguardando para realizar as entregas, proprietários de lojas da região dizem que a situação é frustrante. Um desses comerciantes é Tony Jabuka, dono de uma loja de bicicletas, que realizou uma grande encomenda no ano passado e não recebeu as bicicletas até agora.

“Imagino que algumas delas estejam nos navios bem aqui. É frustrante porque você pode olhar para o porto e ver todos os contêineres empilhados com cinco ou seis de altura”, disse ele.

Problema crônico

A falta de caminhoneiros nos Estados Unidos é um problema crônico, que vem sendo enfrentado há alguns anos. Entre os jovens, o interesse pela profissão é cada vez menor, devido aos salários, considerados baixos, ao tempo longe de casa, falta de infraestrutura nas rodovias, para atender à frota de mais de 23 milhões de caminhões pesados que circulam pelo país, e também ao excesso de regulamentação.

Com isso, a idade média dos motoristas de caminhão que trabalhar atualmente não para de subir, e cada vez, mais motoristas se aposentam por idade, além de muitos trocarem o volante por outras profissões.

Importação de mão-de-obra

Solicitação antiga do segmento de transporte dos EUA, a importação de mão-de-obra, por meio de vistos do tipo EB-3 começa a se tornar realidade. Algumas empresas estão contratando motoristas de outros países que falam inglês, como a África do Sul, por meio de agências de recrutamento.

Apesar do período de adaptação dos novos motoristas ser longo, de até 6 meses, o investimento tem sido importante para algumas transportadoras manterem suas frotas em circulação, já que as medidas adotadas pelo governo federal dos Estados Unidos não terem surtido efeito no curto prazo.

Medidas federais

O governo dos EUA já tem adotado algumas práticas para reduzir o problema, como estudar uma redução na burocracia para os cursos de formação de novos motoristas, além de reduzir o tempo desse processo, e mudar a idade mínima para que os jovens possam dirigir carretas, mudando de 21 para 18 anos, visando jovens que tenham deixado o serviço militar e outros que tenham terminado o ensino médio.

Além disso, estão sendo feitos investimentos na infraestrutura das rodovias e de pontos de parada para caminhoneiros, para melhorar a qualidade de vida dos profissionais.

Melhores salários

Algumas empresas tem ofertado salários cada vez mais altos para os caminhoneiros, como forma de atrair novos candidatos. A média salarial atual é de US$ 59.158 por ano (R$ 313 mil), considerada baixa na comparação com outras profissões.

Algumas empresas, como a GP Transco, Knight-Swift e outras, tem pago salários acima de US$ 100 mil por ano para os caminhoneiros que trabalham há mais tempo nas empresas, além de bonificarem por milhas rodadas e também por indicação de novos motoristas. Nesse último caso, algumas contratações podem valer até US$ 5 mil para quem indicou.

Mesmo com todas as mudanças tentadas atualmente no setor, a escassez de motoristas deve continuar impactando fortemente os transportes rodoviários norte-americanos nos próximos anos, trazendo impactos negativos para a economia e, principalmente, para o povo do país.

Isso também é uma tendência em outros países, que estão olhando para os caminhoneiros cada vez com mais cuidado, por se tratarem de profissionais “em extinção”, com cada vez menos interesse em se tornarem caminhoneiros, seguindo para outros ramos. É o caso do Reino Unido, Alemanha e Japão, por exemplo.

Rafael Brusque – Blog do Caminhoneiro

2 comentários

Jose Angelo Bispo 26/09/2021 - 12:09

Como fazemos para conseguir um trabalho lá

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Jose Angelo Bispo 26/09/2021 - 12:08

Olá será que não consigo ir trabalhar lá nos USA

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