FNM V-17 – O primeiro bitruck de fábrica do Brasil

Atualmente, a configuração de caminhões 8×2 é extremamente comum nas rodovias brasileiras. A disposição do veículo, com quatro eixos, sendo dois dianteiros direcionais, atualmente permitem o Peso Bruto Total de 29 toneladas, respeitando as disposições do Contran.

Esse tipo de configuração, apesar de muito usada hoje em dia no Brasil não é recente. O uso desses veículos começou quase junto com o surgimento dos veículos, no início dos anos 1900, com os primeiros caminhões com motores de combustão interna e aqueles movidos a vapor.

Boa parte dos caminhões mais antigos não contavam com o segundo eixo direcional instalado de fábrica, cabendo à oficinas terceirizadas a adaptação do veículo, com alongamento do chassi e instalação do sistema de suspensão e direção para o eixo.

No Brasil, a primeira opção de fábrica com segundo eixo instalado foi apresentada pela Fábrica Nacional de Motores, no final da produção dos modelos com cabine Standart, na versão D-11000. Chamadas de variantes, os modelos saiam de fábrica como V-10, V-12, V-13, que designava o tamanho da chassi, a capacidade de carga e tipo de aplicação do veículo.

O primeiro caminhão bitruck de fábrica produzido no Brasil foi o FNM D-11.000 V-17 com quarto eixo, que ficou em produção por pouco mais de um ano, a partir de 1972. Logo em seguida, a linha D-11.000 foi descontinuada, sendo substituída pelos modelos 180 e 210, com cabine Mille, derivada dos Alfa Romeo.

O caminhão era equipado com o motor FNM 9160, com 11 litros de cilindrada e seis cilindros, desenvolvendo 175 cavalos de potência e 657 Nm de torque. O caminhão era robusto, e oferecia capacidade de carga de 27 toneladas, dentro da Lei da Balança, que entrou em vigor naquela época.

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O caminhão também era equipado com pneus 1.000×20, e garantia o transporte de mais 5 toneladas brutas na comparação com o modelo V-17 sem o quarto eixo, o que se traduzia em 4 toneladas a mais de carga.

No ano de 1972, apesar de ainda vender razoavelmente bem, a FNM produziu apenas 950 caminhões, sendo 990 unidades a menos que no ano anterior. Mesmo amplamente divulgado pela FNM nos meios de comunicação, com várias peças publicitárias, que propagandeavam o ganho em carga transportada, a facilidade para dirigir, graças à direção leve e precisa por ser hidráulica, e alta versatilidade, podendo receber qualquer tipo de implemento, o caminhão não foi um sucesso de vendas, e ficou pouco tempo no mercado.

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Depois do encerramento da produção do V-17 com quarto eixo da FNM, em 1973, somente em 1999 um modelo passou a ser oferecido de fábrica com dois eixos direcionais, pela Scania, com caminhões P94 importados da Europa.

Rafael Brusque – Blog do Caminhoneiro

Rafael Brusque - Blog do Caminhoneiro

Nascido e criado na margem de uma importante rodovia paranaense, apaixonado por caminhões e por tudo movido a diesel.

2 comentários sobre “FNM V-17 – O primeiro bitruck de fábrica do Brasil

  1. O que levou o FNM a banca rôta foi a Política da época, a MB tinha interesse, e Influência no governo da época, a prova é o, “sucesso” de vendas do (forno sobre rodas)1113, 1313, 1513, *o 1113 foi, e ainda é, o caminhão mais vendido no Brasil… Até hoje quem manda nas estradas do Brasil, é a MB, e a Scania, o resto pede Licença!…😎

  2. Matéria muito boa. Eu me lembro de ter manobrado um FNM a mais de 40 anos e ainda lembro da direção extremamente leve dele.

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