N10 – O caminhão que colocou a Volvo no jogo dos pesados no Brasil

Apesar disso, entre 1940 e 1950, muitos veículos Volvo já rodavam no Brasil, entre automóveis, caminhões e ônibus, todos importados da Suécia, e a marca já contava com representação oficial no país, pelo importador Carbrasa, que chegou a montar os automóveis PV444 no Rio de Janeiro, em CKD, ou seja, eles vinham desmontados da Europa, e eram finalizados no país.
A vinda oficial da Volvo ao Brasil começou a se firmar nos anos 1970, e, em 1974, era cogitada a fabricação de automóveis no Rio de Janeiro. Devido à burocracia, os planos foram alterados para caminhões pesados e chassis de ônibus.
Com incentivos fiscais e outros benefícios, a montadora escolheu a cidade de Curitiba para instalação da fábrica. Após aprovação do projeto da fábrica pelo governo federal, em 1976, a construção da fábrica começou em 1977. No ano de 1979, saiu da linha de montagem um chassi de ônibus, do modelo B58. Era um chassi especialmente projetado para ônibus, diferente de outras marcas, que eram derivados de caminhões. Graças a esse modelo, surgiu o conceito Padron, que trazia os requisitos para produção de ônibus urbanos, usado até hoje.

O câmbio era sincronizado, com 16 marchas (4+4 com redução), e o modelo tinha ainda redução nos cubos, garantindo grande robustez. Bloqueio do diferencial, freios a ar e direção hidráulica eram itens de série.
A cabine, semi-avançada, era fornecida pela Brasinca, e contava com capô com para-lamas integrados e abertura para a frente, amortecimento com molas e amortecedores, e tinha um painel de instrumentos completo, com luzes que indicavam o funcionamento de 15 funções do veículo. Um diferencial para a época, é que a versão cavalo-mecânico já saia de fábrica com a 5ª roda instalada.



No ano de 1984, a Volvo passou a identificar os modelos como H, XH e XHT, que significavam heavy, que era o 4×2 com PBTC de 42 toneladas, extra heavy, também 4×2, com 70 toneladas de PBTC e o XHT significava extra heavy tandem, para o modelo 6×4, com PBTC de 120 toneladas.

Em 1985, a Volvo passou a oferecer caminhões bicombustível, para operação em usinas de álcool, com um custo menor e tecnologia que usava duas bombas de combustível, sendo uma para álcool e outra para o diesel.

O caminhão também recebeu novas mudanças, como novos faróis, agora retangulares, para-choque preto, novas faixas e legendas de identificação na grade e laterais, além de mudanças internas, como novos revestimentos, limpador com temporizador e painel mais equipado.
Outra novidade era o lançamento da versão HT, ou heavy tandem, que era uma 6×4 sem redução nos cubos, com PBTC de 70 toneladas.


A linha N da Volvo teve mais de 7 mil unidades produzidas entre os anos que esteve no mercado, e até hoje é figura constante nas estradas brasileiras, graças a robustez e durabilidade, marcas registradas da Volvo até hoje.
0001 na fábrica

Homenagem com série especial
Para a Fenatran de 2019, em celebração aos 40 anos do modelo, a Volvo lançou a série especial 40 Anos para o FH, contando com pintura na cor White Sky e com faixas laterais inspiradas nas usadas no Volvo N10. Esse FH 40 Anos é um modelo Top Class, reunindo o que há de melhor em atributos de conforto, performance, comunicação e segurança. Foram apenas 40 unidades produzidas.
Rafael Brusque – Blog do Caminhoneiro
