Aeromax é um caminhão raro, mas mostrou que a Ford sabia fazer caminhões pesados

O caminhão trazia um design inovador para a marca, e roubou a cena no International Trucking Show de 1995. Espaçoso, tecnológico e muito bonito, fez a participação de mercado da Ford no segmento de caminhões pesados saltar de 6% para quase 10%. Esse foi o primeiro caminhão pesado produzido pela Ford em mais de 25 anos.
O caminhão era oferecido com cabine leito de 113 ou 122 polegadas, construída em aço, usando materiais mais leves para redução de peso e contando com um painel completamente novo, que obteve a mais alta classificação entre os clientes da marca, superando até mesmo os automóveis.
A cabine foi desenvolvida para permitir que o caminhoneiro se movimentasse com facilidade, podendo ficar em pé em toda a extensão do veículo. Opcionalmente, os clientes também contavam com cabines construídas em alumínio.
Os motores eram Cummins, Detroit e Caterpillar, á escolha do cliente. Para a Ford, na época do lançamento, o caminhão tinha que oferecer o mais alto nível de conforto para o motorista e garantir ganhos para os proprietários das frotas, com menor consumo de combustível e robustez. As entregas dos novos caminhões começaram em 1996.
No mesmo ano que começou a entregar os novos Aeromax, no mês de junho, a Ford fez um anúncio que chocou a imprensa e clientes: Desistiria da produção de três linhas de caminhões, incluíndo o pesado recém-lançado, que estava fazendo bons números de vendas para a montadora, além de outros dois modelos médios.
A montadora decidiu vender sua linha de caminhões pesados para a Freighliner, que passaria a concentrar cerca de 40% do segmento de caminhões pesados para longas distâncias nos Estados Unidos.
Para a Ford, a saída do mercado de caminhões pesados nos Estados Unidos era estratégica, para poder se concentrar no negócio de caminhões leves, no qual tinha grande participação. O valor do negócio com a Freighliner foi de US$ 200 milhões, abaixo do alegado valor de investimento para desenvolvimento da linha Aeromax.

No começo de 1998, a Ford Trucks desapareceria completamente do mercado de caminhões pesados. A Freighliner alterou o nome da marca para Sterling Trucks, com a produção do modelo Sterling A-Line, antes chamado de Ford Aeromax.
Sterling era uma marca antiga, fundada em 1906, que foi comprada na década de 1950 pela White Trucks, e parou de ser usada em 1953. Ela voltou em 1997 e ficou em uso até 2009. O anúncio do encerramento da produção da marca ocorreu em 2008, quando a Daimler resolver que seria necessário consolidar suas operações na America do Norte, mantendo exclusivamente as marcas Freighliner e Western Star. A fabricação dos modelos Sterling parou em junho de 2010.
No Brasil

Esses caminhões foram importados em 1997 pela Transportadora Confiança, fundada em 1965, e usados por muitos anos, até serem vendidos. Em 2017, uma das quatro unidades estava à venda em Santa Catarina. por R$ 180.000,00.

Além do Brasil, a Ford exportou centenas de unidades para outros países, como a Austrália, contando até com direção à direita, e para a Europa. Essas unidades exportadas ainda sobrevivem, diferente dos EUA, onde a maioria já foi sucateada.
Rafael Brusque – Blog do Caminhoneiro

